Paula et al. (2007) Introdução à Biologia das Criptógamas
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Paula et al. (2007) Introdução à Biologia das Criptógamas


DisciplinaBiologia e Sistemática de Fungos e Criptógamas4 materiais39 seguidores
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poro simples ou poro dolíporo (com espessamento). 
 O micélio pode ser classificado em dois tipos de acordo com o arranjo das hifas: 
prosênquima e pseudoparênquima. O micélio do tipo prosênquima caracteriza-se por 
sua aparência distintamente filamentosa, enquanto no pseudoparênquima a estrutura 
filamentosa não pode ser reconhecida, isto é, lembra um parênquima. 
 
 
PAREDE CELULAR 
 
 A parede celular é muito complexa quimicamente, destacando-se a quitina como 
componente importante. As leveduras (Classe Ascomycetes) produzem quantidades 
reduzidas de quitina na parede celular. Outras poucas espécies desta classe possuem 
celulose na parede celular, enquanto a Classe Myxomycetes e certas espécies de 
Chytridiomycetes não apresentam parede celular. Vale lembrar que a celulose é um 
componente da parede celular característico das plantas, enquanto a quitina é um 
componente do exoesqueleto de artrópodes, mas também ocorre na parede celular de 
algumas algas verdes, como por exemplo em Oedogonium. 
 
 
RESERVA 
 
 O glicogênio é a principal substância de reserva dos fungos e dos animais. O 
glicogênio, bem como o amido, são polissacarídeos constituídos por uma cadeia de 
monômeros de glicose. Duas frações compõem o amido, a amilose, formada por uma 
cadeia linear, pouco ramificada e a amilopectina, muito ramificada. O glicogênio 
assemelha-se a esta última fração do amido, sendo ainda mais ramificado. 
 
 
REPRODUÇÃO 
 
 Distingue-se aqui, como nas algas, e em muitos outros organismos, a reprodução 
assexual (envolve apenas mitoses) da sexual (resultante da plasmogamia, cariogamia e 
meiose). A reprodução assexual é mais importante para multiplicação e dispersão, 
enquanto a reprodução sexual tem como principal função à produção de variabilidade 
genética da progênie. Por meio da reprodução assexuada várias gerações são produzidas 
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no intervalo de um ano, enquanto a reprodução sexuada ocorre, comumente, em uma 
única época do ano porque exige condições ambientais específicas. 
 
Reprodução assexuada. Pode ser classificada em dois tipos: i) reprodução vegetativa 
(sem formação de células especializadas) e ii) reprodução espórica (com formação de 
células especializadas \u2013 esporos). 
 São exemplos da reprodução vegetativa: i) a gemação ou brotamento; ii) a fissão 
(= divisão transversal), seguida pela separação das células filhas e iii) a fragmentação 
das hifas. 
 Na reprodução espórica os esporos formados na reprodução assexual são 
conhecidos como mitósporos (derivados da mitose), sendo muito variáveis, móveis por 
meio de um ou dois flagelos (zoósporos) ou imóveis (aplanósporos). Os fungos com 
zoósporos dominam no ambiente aquático ou são parasitas de plantas, enquanto aqueles 
com aplanósporos dominam no ambiente terrestre. 
 Os aplanósporos são produzidos no interior de esporângios, sendo denominados 
endósporos, ou externamente, na extremidade de esporangióforos (exósporos, como 
exemplo os conídios). Podem ser uni ou pluricelulares, uni ou plurinucleados. Uma 
mesma espécie pode apresentar até quatro tipos de esporos morfologicamente distintos 
como é o caso de certas espécies de ferrugem (gênero Puccinia). 
 Na reprodução assexuada, os esporos são produzidos em grande número, são 
resistentes a condições ambientais extremas e facilmente dispersos pelo ar. 
Exemplificando, esporos de fungos conhecidos como \u201cferrugem do trigo\u201d, gênero Puccinia, 
podem ser encontrados na atmosfera até 10 Km de altitude, tendo sido referida sua 
dispersão, através do ar, a partir do México até o Canadá. Os esporos dos fungos podem 
ser ativa ou passivamente liberados e dispersos por diversos meios eficientes. O ar que 
respiramos \u201cestá cheio\u201d de esporos de espécies que são dispersos por este meio. Espécies 
patógenas das culturas de plantas são especialmente adaptadas a este meio de 
dispersão. Outras são dispersas pela água dos rios ou da chuva, enquanto outras pela 
superfície de insetos e outros animais. Além da dispersão, os esporos usualmente são 
resistentes às condições ambientais adversas permitindo a sobrevivência nestes períodos. 
 
Reprodução sexuada (também conhecida como gamética). Envolve, como nas 
algas, a isogamia e heterogamia (anisogamia e oogamia), como visto anteriormente 
no capítulo sobre reprodução nas criptógamas. Ao final do processo sempre há formação 
de esporos do tipo meiósporos (derivados da meiose). 
 Gametângios femininos e masculinos podem ocorrer em indivíduos distintos (sexos 
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separados) ou em um único indivíduo. Quando os dois sexos estão presentes em um 
mesmo indivíduo pode ocorrer que os gametas femininos e masculinos, derivados do 
mesmo talo, sejam compatíveis ou não. Em outras situações, não se distinguem os 
indivíduos masculinos dos femininos, porque ambos são morfologicamente idênticos, 
apresentando gametângios e gametas semelhantes. Diferem apenas pelo comportamento 
sexual, isto é, são compatíveis entre si, mas auto-incompatíveis. Nesse caso, atribuem-
se, arbitrariamente, os símbolos (+) e (-) para os indivíduos sexualmente compatíveis. 
Fala-se, comumente, em \u201clinhagens\u201d (+) e (-). Diz-se heterotalia, (espécies 
heterotálicas) quando os indivíduos são de sexos separados ou quando apresentam 
ambos os sexos, mas que são auto-incompatíveis e homotalia (espécies homotálicas) 
quando apresentam ambos os sexos e são autocompatíveis. 
 O processo de encontro dos gametas (fecundação ou fertilização) é morfológica e 
fisiologicamente complexo e diverso. Hormônios envolvidos nesse processo têm sido 
caracterizados em todos os grupos de fungos. Morfologicamente, distinguem-se: i) 
conjugação de planogametas, isto é, gametas móveis, de modo semelhante ao que 
ocorre em muitas algas; ii) espermatização, onde o gameta feminino permanece fixo ao 
talo, enquanto o masculino (aplanósporo) desprende-se do micélio, aderindo-se ao 
feminino, de modo semelhante ao que ocorre nas algas vermelhas. Nos três casos 
seguintes, não são produzidos gametas diferenciados. Hifas diferenciadas, ou não, entram 
em contato após que ocorre sua fusão ou migração dos núcleos gaméticos masculinos. 
Esses processos provavelmente representam estratégias reprodutivas no ambiente 
terrestre; iii) somatogamia, hifas somáticas pouco ou não diferenciadas entram em 
contato; iv) contato de gametângios, gametângios diferenciados justapõem-se; v) 
conjugação de gametângios, gametângios diferenciados fundem-se. 
 
 
IMPORTÂNCIA 
 
 Os fungos são de importância vital para a sobrevivência dos ecossistemas e do 
homem. 
 
Ecologia (decompositores, micorrizas). São fundamentais para o funcionamento dos 
ecossistemas, sendo os decompositores primários da matéria orgânica e responsáveis 
pela reciclagem de nutrientes. Os fungos e as bactérias vêm decompondo a matéria 
orgânica animal e vegetal há cerca de 2 bilhões de anos, liberando, assim, o nitrogênio, 
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fósforo, potássio, enxofre, ferro, cálcio, magnésio, zinco, etc. Sem a decomposição da 
matéria orgânica esses elementos ficariam retidos, indisponíveis para as plantas 
fotossintetizantes. Liberam, ainda, o CO2 para a atmosfera