Paula et al. (2007) Introdução à Biologia das Criptógamas
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Paula et al. (2007) Introdução à Biologia das Criptógamas


DisciplinaBiologia e Sistemática de Fungos e Criptógamas4 materiais39 seguidores
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uma célula inicial apical, constituindo-se 
em um sistema de crescimento multiaxial. Nesses dois tipos de crescimento, as células 
apresentam-se tão justapostas que em corte transversal podem ser confundidas com 
células de um parênquima. É possível uma distinção entre células corticais e medulares. 
As células corticais são pequenas e pigmentadas, enquanto que as medulares são 
maiores e pouco ou nada pigmentadas. 
Introdução ao Estudo das Algas \u2013 
Caracterização, Biologia e Importância das Algas com Clorofila a e Ficobiliproteínas: Divisão Rhodophyta 
 
 
 
 
Introdução à Biologia das Criptógamas 
Departamento de Botânica \u2013 Instituto de Biociências \u2013 Universidade de São Paulo 
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ORGANIZAÇÃO CELULAR 
 
 O talo é constituído por células eucarióticas. Estas podem estar ligadas às células 
adjacentes através de ligações citoplasmáticas (\u201cpit-connection\u201d). Essas ligações 
encontram-se preenchidas por polissacarídeos protéicos. 
 1) Parede celular - é constituída basicamente por duas partes, uma interna e 
rígida, formada por microfibrilas de celulose (a maioria das algas vermelhas), e outra 
mais externa, mucilaginosa, formada por polímeros de galactanas, como o ágar e as 
carragenanas. 
 Certos grupos de algas vermelhas apresentam deposição de carbonato de cálcio na 
parede, dando grande rigidez ao talo. Essa deposição pode estar na forma de aragonita 
ou calcita. 
 2) Cloroplastos - apresentam um número variável de cloroplastos (um a muitos 
por célula), geralmente ovais ou discóides, podendo em alguns gêneros apresentar forma 
estrelada. Os tilacóides encontram-se livres nos cloroplastos, apresentando ficobilissomos 
em sua superfície. 
 3) Pigmentos 
 - Clorofila a (presente em todas as algas vermelhas). 
 - Carotenóides: carotenos - principalmente \u3b2-caroteno. 
 xantofilas - zeaxantina, luteína, etc. 
 - Ficobiliproteínas: sempre associadas, formando os ficobilissomos. Presentes 
as seguintes ficobilinas: c- e r-ficocianina, aloficocianina e b-, r- e c-ficoeritrina. As 
ficoeritrinas são as responsáveis pela coloração vermelha que na maioria dos gêneros de 
Rhodophyta mascaram a presença de outros pigmentos. 
 4) Pirenóides - estão presentes em algumas Bangiophycidae e na Ordem 
Nemalionales (Sub-classe Florideophycidae). 
 5) Reserva - o principal material de reserva é o amido das florídeas, que é 
armazenado no citoplasma e não nos cloroplastos. Apresenta propriedades entre o 
glicogênio e o amido. Reage com iodo formando uma substância de coloração marrom-
avermelhada. 
 6) Flagelos - as Rhodophyta caracterizam-se pela ausência de flagelos, mesmo nas 
células reprodutoras. 
 
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Caracterização, Biologia e Importância das Algas com Clorofila a e Ficobiliproteínas: Divisão Rhodophyta 
 
 
 
 
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REPRODUÇÃO 
 
 Nesse grupo de algas ocorre reprodução vegetativa, espórica e gamética. 
 A reprodução vegetativa pode ocorrer através da fragmentação do talo. 
 A reprodução espórica ocorre através da formação de esporos. Quando são 
resultantes de meiose, são formados em número de quatro dentro de um esporângio (= 
tetrasporângio), recebendo o nome de tetrásporos. Estes podem estar arranjados de 
forma cruciada, zonada ou tetraédrica. 
 A reprodução gamética não é conhecida para todos os gêneros. Nas que possuem 
reprodução gamética verifica-se a oogamia. O gameta feminino é denominado de 
carpogônio e apresenta uma porção diferenciada, a tricogine, enquanto que o gameta 
masculino é denominado espermácio (aplanogameta = aflagelado). 
 Características do histórico de vida são importantes no reconhecimento taxonômico 
de classes, ordens e famílias de Rhodophyta. Esse histórico será exemplificado tomando 
como exemplo dois gêneros: Gracilaria (Florideophycidae) e Porphyra (Bangiophycidae). 
 No gênero Gracilaria, o histórico de vida é trifásico, existindo as seguintes fases: 
gametofítica (n), carposporofítica (2n) e tetrasporofítica (2n). O tetrasporófito e o 
gametófito são isomórficos e independentes, enquanto que o carposporófito é parasita do 
gametófito feminino. Os gametófitos masculinos produzem numerosos espermácios que 
são carregados através dos movimentos da água até os gametófitos femininos; estes 
possuem células especializadas na superfície do talo, denominadas de carpogônios. Essas 
células possuem uma porção alongada que se projeta para o meio, como um pêlo, 
denominada de tricogine. É nessa porção que o espermácio vai se aderir. Após a 
fecundação o carpogônio origina a fase carposporofítica com número diplóide de 
cromossomos. O carposporófito desenvolve-se superficialmente sobre o gametófito 
feminino, como parasita deste. É protegido por células do gametófito, formando uma 
estrutura típica, como uma urna, denominada de cistocarpo. O carposporófito produz 
carpósporos, tipo de esporos diplóides, que são liberados gradativamente através de um 
orifício do cistocarpo (ostíolo). Esses carpósporos ao germinarem originam a fase 
esporofítica, que se desenvolve e produz tetrasporângios. Estes sofrem meiose, dando 
origem a esporos haplóides. Como esses esporos são formados em número de quatro 
dentro de um esporângio, recebem o nome de tetrásporos e estão arranjados 
cruciadamente. A germinação dos tetrásporos resulta em gametófitos masculinos ou 
femininos. 
 O gênero Porphyra (Bangiophycidae) apresenta um histórico de vida difásico e 
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heteromórfico, sendo que as duas fases heteromórficas foram tratadas como gêneros 
distintos por muito tempo. A fase \u201cconchocelis\u201d é microscópica e filamentosa, ocorrendo 
em camadas internas superficiais de conchas, enquanto que a fase foliácea é 
macroscópica, ocorrendo, no Brasil, apenas no inverno-primavera, crescendo no médio-
litoral superior de costões rochosos. Para muitas espécies de Porphyra, o fotoperíodo 
(duração dos períodos claro/escuro) desempenha um papel importante no controle desse 
histórico de vida. A fase foliácea produz carpogônios muito reduzidos e espermácios. Após 
a fertilização, forma-se o zigoto, que se divide várias vezes, dando origem a carpósporos. 
Não são formados cistocarpos como em Gracilaria. Esses carpósporos são liberados e 
germinam dando origem à fase filamentosa \u201cconchocelis\u201d. Esses filamentos diferenciam 
esporos denominados de conchósporos, os quais ao serem liberados, germinam e dão 
origem à fase foliácea. A etapa do histórico de vida em que ocorre a meiose pode variar 
com a espécie. 
 
 
CLASSIFICAÇÃO 
 
 São referidos 500-600 gêneros e 5.000-5.500 espécies distribuídas em uma única 
classe, Rhodophyceae, e duas sub-classes, que podem ser distintas pelas seguintes 
características: 
 
Característica Sub-classe BANGIOPHYCIDAE Sub-clase FLORIDEOPHYCIDAE 
Núcleos por célula uninucleadas multinucleadas 
Cloroplasto Um, estrelado e axial (há exceções) vários, pequenos, discóides, localizados 
perifericamente 
Tipo de crescimento intercalar apical 
exceção: Corallinaceae e Delesseriaceae 
Talo formas unicelulares e pluricelulares pluricelulares 
Ligações 
citoplasmáticas 
ausência (exceção: "conchocelis") presença 
Reprodução gamética geralmente ausente presente 
% em gêneros 1% 99% 
Exemplos Porphyra Gracilaria, Centroceras 
 
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