Paula et al. (2007) Introdução à Biologia das Criptógamas
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Paula et al. (2007) Introdução à Biologia das Criptógamas


DisciplinaBiologia e Sistemática de Fungos e Criptógamas4 materiais39 seguidores
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Homosporado Heterosporado 
 Anel Ausente Ausente Não há (escudo) Presente Ausente 
 Exemplos Ophioglossum Marattia Osmunda Polypodium 
Adiantum 
Marsilea Salvinia 
Azolla 
 
 
Divisões Bryophyta, Psilophyta, Arthrophyta, Lycopodophyta e Pterophyta \u2013 Fósseis de Criptógamas Vasculares 
 
 
 
 
Introdução à Biologia das Criptógamas 
Departamento de Botânica \u2013 Instituto de Biociências \u2013 Universidade de São Paulo 
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FÓSSEIS DE CRIPTÓGAMAS VASCULARES 
 
 As Divisões Psilophyta, Lycopodophyta e Arthrophyta representam antigas linhas de 
plantas terrestres, com poucos representantes atuais. Os primeiros fósseis indiscutíveis 
de plantas vasculares são encontrados a partir do Período Devoniano (Era Paleozóica) 
sendo, na realidade, mais antigos no registro geológico que as briófitas. Uma vez que o 
número de fósseis encontrados é diretamente dependente do grau de lignificação do 
corpo vegetal, é possivel que as briófitas já existissem antes desse período, mas que 
fósseis não tenham sido encontrados. Há evidências da existência de plantas terrestres 
no período anterior, o Siluriano, interpretadas como esporos ou partes de xilema. 
 Entre os fósseis mais antigos de plantas vasculares encontra-se o gênero Rhynia 
pertencente à extinta Divisão Rhyniophyta, tendo morfologia muito simples, apresentando 
caule ereto fotossintetizante, com ramificação dicotômica e esporângios terminais. Não 
possuia folhas ou raízes, sendo as primeiras substituídas e por rizóides, respectivamente. 
O cilindro vascular é do tipo protostélico. 
 A Divisão Lycopodophyta, também originada no Período Devoniano, teve seu maior 
desenvolvimento durante os Períodos Carbonífero e Permiano, sendo amplamente 
dominante nesse período, com exemplares de grande altura e tecidos altamente 
liginificados, como por exemplo Lepidodendron, que atingia até 30 m de altura. A Divisão 
Arthrophyta apresenta um desenvolvimento paralelo à de Lycopodophyta, podendo ser 
exemplificada pelo gênero Calamites. As plantas desse período constituíram grandes 
florestas. Parte delas se transformou nas jazidas de carvão mineral atuais. 
 As primeiras Pterophyta datam do Devoniano médio. Plantas com aspecto 
semelhante às filicineas atuais, com folhas compostas, são mais abundantes no 
Carbonífero e Permiano, como por exemplo o gênero Psaronius. 
 
 
Divisões Bryophyta, Psilophyta, Arthrophyta, Lycopodophyta e Pterophyta \u2013 Ancestrais das Plantas Terrestres 
 
 
 
 
Introdução à Biologia das Criptógamas 
Departamento de Botânica \u2013 Instituto de Biociências \u2013 Universidade de São Paulo 
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ANCESTRAIS DAS PLANTAS TERRESTRES 
 
 Diversas teorias vêm sendo formuladas procurando apontar quais grupos, dentre as 
algas, seriam os ancestrais das plantas terrestres. O aumento do conhecimento sobre a 
citologia, genética e bioquímica das algas vem modificando substancialmente essas 
teorias, fornecendo novos elementos para o conhecimento da relação entre algas e 
plantas terrestres. 
 É aceito de forma geral que as plantas terrestres originaram-se a partir de algas da 
Divisão Chlorophyta, com clorofila a e b, que possuem não apenas o mesmo tipo de 
pigmentos mas também o mesmo tipo de reserva celular (amido) e os mesmos 
componentes na parede celular (celulose e pectina). 
 Dentro das Chlorophyta a linha das carofíceas é a que apresenta maior semelhança 
com as plantas terrestres, sendo possível que estas correspondam à linhagem precursora 
das plantas terrestres. Dentro dessa linha, o gênero atual Coleochaete (Ordem 
Coleochaetales) é o que possui maiores semelhanças com as plantas terrestres: 
 1) Presença de parênquima verdadeiro. 
 2) Divisão celular do tipo fragmoplasto, fibras do fuso persistentes durante a 
telófase, mantendo os núcleos afastados entre si. 
 3) Reprodução oogâmica. 
 4) Retenção do zigoto na planta mãe. 
 5) Gameta feminino e zigoto recobertos por camada de células vegetativas. 
 
 Os eventos evolutivos necessários para que uma alga desse tipo se transformasse 
em uma planta terrestre, seriam os seguintes: 
 1) Retardo na meiose (que em Coleochaete é zigótica). 
 2) Desenvolvimento do zigoto dentro do gametófito. 
 3) Estabelecimento de uma relação nutricional entre gametófito e zigoto. 
 
 
Divisões Bryophyta, Psilophyta, Arthrophyta, Lycopodophyta e Pterophyta \u2013 
Tendências Evolutivas em Criptógamas Terrestres 
 
 
 
 
Introdução à Biologia das Criptógamas 
Departamento de Botânica \u2013 Instituto de Biociências \u2013 Universidade de São Paulo 
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TENDÊNCIAS EVOLUTIVAS EM 
CRIPTÓGAMAS TERRESTRES 
 
 Diferentes teorias têm sido propostas para explicar a evolução das plantas 
terrestres. O grau de evolução de um grupo é analisado em função da presença de 
características consideradas primitivas e derivadas. Por sua vez, uma característica é 
considerada primitiva, ou derivada, em função de seu grau de complexidade nos 
diferentes grupos, nas habilidades competitivas que confere, ou de sua presença ou 
ausência em outros vegetais considerados primitivos ou derivados. 
 Possíveis tendências evolutivas na localização dos esporângios nas diferentes 
divisões de plantas vasculares são levantadas normalmente a partir de um ancestral 
hipotético semelhante à Rhynia, fóssil mais antigo conservado de plantas vasculares. Em 
Psilophyta, Lycopodophyta e Arthrophyta sugere-se uma redução dos ramos que 
transportam os esporângios. No caso de Lycopodophyta os esporângios ficam, ao final do 
processo evolutivo, protegidos por folhas, enquanto em Arthrophyta ficariam protegidos 
pelos próprios ramos fundidos. Em Pterophyta, a partir do ancestral tipo Rhynia formar-
se-iam ramos com folhas compostas, estando os esporângios inicialmente na borda da 
folha. Dessa forma, a presença de soros na face inferior da folha é considerada um 
caráter derivado. 
 O conjunto de dados morfológicos de espécies atuais e fósseis, associado a dados 
moleculares, tem originado novas interpretações acerca dos agrupamentos filogenéticos 
das criptógamas terrestres. Acredita-se que os grupo de briófitas tenham tido origens 
independentes, estando as hepáticas mais próximas do ancestral aquático e os antóceros 
e musgos mais relacionados às plantas vasculares. Dentre estas, dois grupos se 
destacam, o primeiro incluindo as licopodófitas e grupos fósseis e o segundo as artrófitas, 
pterófitas e plantas com sementes. 
 Devido a essa interpretação os grupos de briófitas, aqui apresentados por razões 
didáticas, como classes, são considerados atualmente como divisões independentes entre 
si. 
 
 
Divisões Bryophyta, Psilophyta, Arthrophyta, Lycopodophyta e Pterophyta \u2013 
Importância Econômica das Criptógamas Vasculares 
 
 
 
 
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Departamento de Botânica \u2013 Instituto de Biociências \u2013 Universidade de São Paulo 
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IMPORTÂNCIA ECONÔMICA DAS 
CRIPTÓGAMAS VASCULARES 
 
 Embora as pteridófitas atuais sejam pouco importantes econômicamente, os 
representantes fósseis desse grupo apresentam grande importância por sua contribuição 
na formação de parte das reservas de carvão vegetal que vêm sendo utilizadas pelo 
homem e cuja importância vem sendo explorada em países em desenvolvimento, 
especialmente na China, para o fornecimento de energia em usinas termo elétricas. 
 Representantes atuais são utilizados na alimentação, especialmente no Oriente, 
sendo consumidos tanto folhas jovens como partes do rizoma desses vegetais. As frondes 
desses vegetais também são utilizadas para preparação de chá ou bebidas alcoólicas. 
 Algumas espécies são utilizadas em certas regiões para fins medicinais como, por 
exemplo, o tratamento de verminoses, reumatismos