Resumo - Émile Durkheim - Sociologia Geral
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Émi le Durkhe im: (1858-19 17)
So c io log i a po s itiv is ta o u func io nalis ta: o timis ta e m re l ação a so c ied ade ind ustrial e e m re laç ão ao p ro g re sso humano
(s e g uido r d e Co mte , se ndo ambo s d e fe ns o re s do le ma de o rde m e p rog resso ). Ne sse s e nti do , a ide ia de o rd em, esse
c o nse rv ado ris mo , é o q ue afas ta o s po s itiv is tas do iluminismo rev o l uc io rio ope rado no c ulo ante rio r. Ou se ja,
p os itiv is tas e iluministas , ambo s s ão rac i o nalistas, mas o c ao s soc ial p ro vo c ad o pe las revo luções (de fe nd id as d e b aix o
p ara c ima pe lo s iluminis tas ) e ra v is to pe lo s po sitiv is tas co mo um inviabiliz ad o r do p rog re sso, o p rog resso humano s ó
v e m e m so c ied ade s be m go ve rnad as de cima p ra b aixo , c om o rg aniz ação e hie rarq uia, s e m mov ime nto s s oci ais, p o r
is so , o s po siti v is tas s ão c ham ado s de re ac io nário s (de fe s a d e gov e rnos co nce ntrad o s e o rde nado s, co mo e m d itad uras
militare s e auto rita ris mo s e m ge ral , go ve rnos auto c rátic o s ). E x. : rep úb lic a d a es p ad a no b ras il e co mo se ope ro u d e
fo rma o rd e nad a e d ip lo máti c a a tra ns ão d e mo narq uia p ara a rep úb l ic a , se m p rop riame nte uma rev o l uç ão
re p ubl ic ana. No B ras il, de ntro d as fo rças armad as pe rce be -se muito a infl ncia po s itiv is ta.
Func i o nalista o u Org anic ista: noç ão do evo lucio nis mo so c i al (d arwinismo soc ial) e de q ue a socied ad e humana é um
o rg anis mo v i vo e , as s im, c ad a p arte d a soc ied ad e te m uma funç ão e sp ecífic a. Ass im, a o rd e m so c ial é a g arantia de
q ue as funcio nali d ades se jam c ump rid as , c aso co ntrio , s e alg uma d as p arte s d a so c ied ade o func io na
p rop ri ame nte , e s tabe lec e -s e uma c rise so c ial. O s oció logo , po rtan to , é aq ue le q ue analis a as d is func io nalid ad es
id e nti fic and o -as e c urando es s a “p ato log i a so c i al”: a ano mia (Me rto n a ap lic a p ara o d ire ito ), q uand o as reg ras soc iais
d e ix am d e se r c ump ri d as.
A E PISTE MOLOG IA DURK HEINEANA:
Fo i o p rime iro p ro fe s so r de So c io lo g ia (intro d uz as ide ias co mte anas na univ e rsi d ad e ), p ara ta nto , c o mp o nd o s e u
tod o, Durk he im s e de fro nta c o m d uas q uestõe s fund ame ntais , (e lab o rando a b as e ep i s te mo ló g ic a d a s ocio log ia):
c o mo co nc ebe r a re lação ind i v íd uo soc ied ade ? E q ual o todo c ie ntífic o e mp re e nd id o na e xp lic ão do s fe meno s
s ociais ?
1. Re laç ão So cied ade Ind iv íd uo : a so c ied ade (ob je to ) é s up e rio r ao ind i v íd uo (suje ito ), a soc ied ade de te rmina o
ind iv íd uo (de te rminista e c o le ti v is ta me to do log i c ame nte ). Ou s ej a, as e s trutur as s oc iais func i o nam d e mo do
ind epe nde nte , c o nd ic io nando as aç õe s ind iv id uais. (Ex .: o s is te ma juríd ico c o nd ic io na a ação d os ind iv íd uo s ).
O TO DO d e te rmina as PARTES “ad e strame nto .
2. tod o cie ntífic o : i nte nção de ap roxi mar a s o cio lo g i a d as c iê ncias naturais , p ara is s o ad ap ta o e mp i rismo +
racio nalism o = c ri tic ismo k antiano . Mé to do Carte si ano (e Galile u): Ob se rvaç ão, p ro ble m atiz ação, le v antame nto
d e hi te se s, exp e riê nc ia, co nfirmaç ão o u neg ão d a hip ó tese , g e ne rali z ação pe l a fo rma d e l e i e c riação
d e fi niti v a de uma te o ria po r me io d as le is q ue a c iê nc ia se to rna p revis íve l). A ss i m, Durk he im ap lic a ess a
me tod o log ia à s ocio log i a, aleg ando q ue a re alid ad e s oci al é i ntic a à re alid ad e d a nature za: o s fe me no s
s ociais eq uip aram -s e ao s ob je tos d as ciê ncias naturais , a s o c ie d ad e é tão ob je to de e studo q uanto um
o rg anis mo b io g ic o, p o r e xe mp lo . O p rob le ma é : o s e r humano é s emp re p re v is íve l? A co le tiv id ade é o b je to de
e s tudo : “a p rime ira reg ra d a s ocio lo g ia é a mais fund ame ntal c o nside rar o s fato s so c iais co mo co is as”.
Ex . : be havio rismo, p re v is ib ilid ade e m õe s c o le tiv as ? Me s mo q ue não se p oss a p re ve r as re õe s
ind iv id ualizad as.
O o b je to d e es tud o é o FA TO SOCIA L: é um fa to s oc ial to d a mane ira de agir, fix a o u não , c ap az d e exe rce r sob re
o i nd iv íd uo uma c o e rção ex te rio r (coe rc ib ilid ade ) o u aind a q ue é ge ral no c o njunto d e uma d ad a so c ied ade te ndo ,
ao me s mo te mpo , uma e x is tê ncia p p ria (e x te ri o ri d ad e ), indep e nd e nte me nte de s uas manife s t õ es i nd iv id uais ”.
Ou s e ja, é fato s oc ial to d a a mane i ra d e p e nsar, ag i r e se nti r d e um g rupo so c ial (é d i fe re nte e ntre os g rupos , m as
ig ual e ntre o s ind i v íd uo s do g rupo ). S ão c arac te s tic as intr ínse c as ao fato so cial: g e ne ral id ade , ex te rio rid ade e
c oe rcib ilid ade .
Ge ne ral id ade: o fato so c ial ating e a tod os o s ind iv íd uo s d a so c ied ade .
Co e rc ib ilid ade : o fato so c ial é c ap az de exe rce r uma fo rç a sob o i nd iv íd uo , é ob rig ató rio e algo q ue e s tabe le ce s ançõ es
ne g ativ as
Ex te ri o rid ade : S ão indep e nd e ntes d a co ns c iê nc ia de c ad a um.
Fato s So c iais No rmai s X Fa to s Pato g ico s: p ara um e v e nto se r co nsid e rado fato s o ci al e le te m q ue se r re co rrente ,
e ntão , eve nto s es po d icos o pod e m s e r c hamado s fato s so ci ais p ato lóg i co s. No e ntanto , e xis te m c asos de p ti c as
re c o rre ntes q ue pode m s e r c hamad as de p ato ló g ic as q uando o g e ram s aúde s ocial, q uando p rovocam d eso rdem e
d ese q uilíb rio s so c i ais . Os fato s s ociais no rmais s ão aq ue le s q ue d ese mpe nham alg uma fu ão impo rtan te p ara a
ad ap t ão o u e vo lução d a soc ied ade (p rog re ss ão soc ial). No e ntan to , ao co ntrário d a no ç ão de se nso co mum, o c rime
é o p rinc ip al exe mp lo ap re se ntad o po r Durk he im d e fato s ocial no rmal . O c rime s oci al é co nside rad o um fato s oc ial
no rmal p o rq ue o c rime , q uando p unid o, e xp lic ita q uais o s v alo re s s oci ais rep ud iad os, d e te rminando c e rtas c o nd utas
c o mo ileg ai s e co nd e ve is à c e rta s p e nalid ade s , e s s a co nde naç ão é e xe mp lar e p o r is so o c rime pe nalizado é
p os itiv o, no se ntid o de co nseg uir, a lo ngo p raz o, ge rar um p ad o s ocial adeq uado . Em co ntrap artid a, o c rime imp une é
um fa to s oci al p ato lóg ico uma v ez q ue c ria o e stímulo neg ativ o à infraç ão . Os fato s so c iais p ato lóg i co s, e m bo ra te nham
q ue se r re co rre nte s, s ão co ns ide rado s trans i tó rio s.
SUIC ÍD IO D URK HEI NEA NO (e a p ato lo g ia so c ial):
Suic íd io A ltruís t a: pe lo be m do s o utro s. Ex . k amik aze s.
Suic íd io Eg o ís ta: re lacio na-s e so me nte ao so frime nto pe ss o al c aus ado pe l a e x c lus ão soc ial.
Suic íd io A mico : re lac io na-s e as c rise s q ue p rov ocam s uic íd ios co le tiv os”.
Dife re nc ie So lid aried ade o rg âni c a e mec ânic a:
O c o nce ito de soc ied ade é v inculad o ao co nce ito de união so c ial: me tafo ric ame nte faland o a so lid aried ade é o
e l eme nto c oes ivo e ntre as pes so as d a so c ied ade . A so lid aried ade é um fato so c ial no rmal, logo a falta d e so lid ariedad e
é um fato so c ial p ato ló g ico . Ex i s te m d ois tipo s d e s o li d aried ade : mec âni c a (na tural, au to máti c a e imp e ns ad a) e
o rg ânica (re l acio nad a ao co nce ito o rg ani c is ta de p arte s inte rde pe nde nte s ).
A so lid arie d ad e mec ânic a é espo ntâne a, b ase ad a e m e mo çõe s se ntim e nto s e trad i ç ões , relacio nad a, p o rtanto , à
p eq ue nas c o munid ade s. J á a s o lid aried ade o rg ânica é uma so lid aried ade e m q ue as p arte s p rec i s am umas d as o utras
p o r inte re s se mútuo .
Po rq ue a o rg ânic a é mais fo rte ? As re spo nsab ilid ad es ge rad as pe la so l id arie d ade o rg âni c a s ão mais fo rte s q ue os
s e ntime nto s d a união p ro movid a na s o lid aried ade mecânic a. No g e ral, a s o lid aried ade o rg ânica te nd e a s e r mais
p ode rosa q ue a me c âni c a.
So c ied ade s mais si mp les (atras ad as) s ão carac te riz ad as pe l a s o lid aried ade mecânica (unid o s po r ami z ade num
e sq ue ma de p red o nio d a c o nsc nc ia c o le ti v a e m de trime nto d a ind iv id ual), e nq uanto q ue s ocie d ad es mais
c o mp le xas e e lab o rad as (urb ano -ind us triais) p redo mi na a so lid arie d ad e o rg ânic a (unid os p o r inte res se , e m fu ão do
p red o nio d a co ns c iê nc ia ind ivid ual acima d as d e te rminaçõe s d a c o ns c iê nci a co le tiv a ). Ob s.: exe mp lo de co nsc iê nc ia
ind iv id ual: to rce r p ara um c e rto time ; e d e co ns c iê nci a c o le tiv a: go s tar d e fute bo l. Ou s e ja, nas co m unid ad es e m q ue
p red o mina a s o lid aried ade o rg ânic a, o g rau d e libe rd ad e ind iv i d ual é maio r, m as, aind a ass i m, a s o li d aried ade o rg âni c a
é m ais imp os itiv a do q ue a me c ânic a. A co nsc iê nc ia c ole tiv a é o “v ig ia d as c o munid ade s p rimiti v as, mas, nas
c o munid ad es mais co mp lexas, e m q ue p red omina a s o lid aried ade ind i vi d ualista e a auto no mia, é p re c is o a união p o r
inte re s se p ara q ue a co munid ade se auto -re g ule ”.
Ob s .: a d is tinção e ntre so c ie d ade s imp le s e c omp le x a re s ide na d iv i s ão do trab al ho , as s im, q uanto m ais avançad a uma
s ocied ade maio r o g rau de “e spe c ializ ão ”. Log o, q uanto mais es pe c ialis tas , maio r o g rau de inte rdep e nd ê nc ia e ntre
e ssas p arte s d a so c ied ade , o q ue o b rig a o s urg im e nto d a s o lid aried ade o rg ânic a.