6- Crimes Cometidos por Funcionários

6- Crimes Cometidos por Funcionários


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CRIMES CONTRA 
A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
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FUNCIONÁRIO PÚBLICO
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FUNCIONÁRIO PÚBLICO
 CONCEITO 
 Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.
 
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FUNCIONÁRIO PÚBLICO
EQUIPARAÇÃO
 Art. 327, § 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública.
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FUNCIONÁRIO PÚBLICO
CAUSA DE AUMENTO DE PENA
 Art. 327, § 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes previstos neste Capítulo forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da administração direta, sociedade de economia mista, empresa pública ou fundação instituída pelo poder público.
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CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS CONTRA A ADMINISTRAÇÃO 
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1) PECULATO
 Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio:  Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa
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PECULATO
1.1) BEM JURÍDICO
Administração Pública
1.2) SUJEITOS
Ativo \u2013 funcionário público
Concurso com o particular é admissível? Art. 30 do CP
Passivo \u2013 União, Estados-membros, DF, municípios e demais pessoas mencionadas no art. 327, parágrafo primeiro, do CP
Eventualmente, o particular pode figurar como sujeito passivo secundário.
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CASO
http://www.conjur.com.br/2015-abr-06/mpf-denuncia-juiz-eike-peculato-falsidade-ideologica
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PECULATO
1.3) TIPO OBJETIVO
 Apropriação ou desvio de bem móvel ou qualquer outro valor, público ou particular, de que o agente detenha a posse, em razão do cargo.
1.4) TIPO SUBJETIVO
 O dolo e o elemento subjetivo, consistente no especial fim de obter proveito próprio ou alheio.
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4 FORMAS
PECULATO-APROPRIAÇÃO
PECULATO-DESVIO
PECULATO-FURTO
PECULATO-CULPOSO
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PECULATO
1.5) CONSUMAÇÃO 
No peculato-apropriação, dá-se no momento em que o funcionário inverte a titularidade da posse, passando a comportar-se em relação à coisa com animus domini. 
No peculato-desvio, quando a gente dá à coisa destinação diversa daquela especificada, não havendo necessidade da obtenção do proveito visado, bastando que ocorra o desvio.
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PECULATO
1.6) TENTATIVA
Admissível, por ser o crime plurissubsistente.
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PECULATO- FURTO
§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário. 
CONSUMAÇÃO \u2013 Com a subtração do bem visado.
TENTATIVA \u2013 possível
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1.7) CAUSA DE AUMENTO DE PENA
Art. 327, § 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes previstos neste Capítulo forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da administração direta, sociedade de economia mista, empresa pública ou fundação instituída pelo poder público. 
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PECULATO CULPOSO
 § 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem:  Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano. 
 Ocorre quando funcionário público responsável pela guarda da coisa pública, involuntariamente, acaba dando oportunidade para que outra pessoa a subtraia, devido à sua negligência, desatenção e/ou descuido. 
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PECULATO CULPOSO
1.8) EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE
§ 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se precede à sentença irrecorrível, extingue a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena imposta. 
REPARAÇÃO DO DANO:
Antes da sentença: Extinção da punibilidade
Após a sentença: Redução de metade da pena
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PECULATO CULPOSO
1.9) PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA
 É inaplicável o princípio da insignificância nos crimes contra a Administração Pública, ainda que o valor da lesão possa ser considerado ínfimo, porque a norma busca resguardar não somente o aspecto patrimonial, mas a moral administrativa. 
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2) CONCUSSÃO
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CONCUSSÃO
 Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida:
 Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.
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CONCUSSÃO
2.1) BEM JURÍDICO
A Administração Pública
2.2) SUJEITOS
Ativo: Funcionário público
Passivo: União, Estados-membros, Distrito Federal, Municípios, etc.
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CONCUSSÃO
2.3) TIPO OBJETIVO
 Exigir, para si ou para outrem, em razão da função, vantagem indevida. 
2.4) TIPO SUBJETIVO
 O dolo e o elemento subjetivo do injusto, consistente no fim especial de agir: para si ou para outrem. 
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CONCUSSÃO
2.5) CONSUMAÇÃO
 Simples exigência da vantagem indevida
2.6) TENTATIVA
Em regra, inadmissível.
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EXCESSO DE EXAÇÃO
 Art. 316, § 1º - Se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido, ou, quando devido, emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza:
 Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa.
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EXCESSO DE EXAÇÃO
2.7 CONSUMAÇÃO DO CRIME DE EXCESSO DE EXAÇÃO
Primeira parte (Cobrança indevida)
 - Simples exigência
Segunda parte (Cobrança devida)
- Cobrança vexatória ou gravosa
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DESVIO DE TRIBUTO
INDEVIDAMENTE RECEBIDO
  Art. 316, § 2º - Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou de outrem, o que recebeu indevidamente para recolher aos cofres públicos:
 Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.
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3) CORRUPÇÃO PASSIVA
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CORRUPÇÃO PASSIVA
 Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem:
 Pena \u2013 reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.
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CORRUPÇÃO PASSIVA
3.1) BEM JURÍDICO
Administração Pública
3.2) SUJEITOS
Ativo: funcionário público
Passivo: União, Estados-membros, DF, Municípios e demais pessoas mencionadas no art. 327, §1º, do CP
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CORRUPÇÃO PASSIVA
3.3) TIPO OBJETIVO
 A conduta típica consiste em solicitar ou receber vantagem indevida ou aceitar tal promessa de vantagem, para si ou para outrem, em razão da função pública exercida ou que irá exercer.
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CORRUPÇÃO PASSIVA
3.4) TIPO SUBJETIVO
O dolo e o fim especial de agir \u2013 Para si ou para outrem. 
3.5) CONSUMAÇÃO
 Com a solicitação ou o recebimento da vantagem indevida, bem como a aceitação da promessa da aludida vantagem, não sendo imprescindível que o agente venha a praticar o ato funcional.
3.6) TENTATIVA: Inadmissível.
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GRAVAÇÃO DE CONVERSA
 A jurisprudência do STJ firmou o entendimento de que a gravação efetuada por um dos interlocutores que se vê envolvido nos fatos em tese criminosos é prova lícita e pode servir de elemento probatório para a notitia criminis.
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 4) FACILITAÇÃO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO
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FACILITAÇÃO DE 
CONTRABANDO 
OU DESCAMINHO
 Art. 318 - Facilitar, com infração de dever funcional, a prática de contrabando ou descaminho (art. 334):
    Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa.
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CONTRABANDO
 É a importação ou a exportação de mercadorias proibidas de entrar ou sair do país.
DESCAMINHO
 É o ingresso ou saída de mercadoria sem o pagamento dos impostos devidos. 
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FACILITAÇÃO DE 
CONTRABANDO 
OU DESCAMINHO
4.1) BEM JURÍDICO
Administração