direito penal
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a superveniência do dia nela previsto (temporária) ou o fim da situação de anormalidade (excepcional) para que deixem automaticamente, de produzir os efeitos jurídicos. Por esse motivo, são classificadas como leis intermitentes.
Ambas possuem ULTRATIVIDADE, aplicam-se aos fatos cometidos durante sua vigência, embora decorrido o período de sua duração (temporária) ou cessadas as circunstâncias que a determinaram (excepcional). Conforme determina o Art. 3º. Do Código Penal.
Parte da doutrina põe em dúvida a constitucionalidade do Art. 3º, CP, posto que constitui, segundo eles, exceção à irretroatividade legal que consagra a Constituição (Salvo para beneficiar o réu) e não admite exceções, ou seja, possui caráter absoluto (C.F. , inc. XL). 
 
Leis penais em branco e conflito de leis no tempo 
Já vimos que normas penais em branco (Binding) são tipos penais cujo conteúdo, incompleto, é integrado por outra regra jurídica (lei, decreto, regulamento, portaria), ou, a complementação da descrição da conduta proibida é remetida para outras normas legais, regulamentares ou administrativas.
Em tempo citamos como principais exemplos o art. 269 (omissão de notificação de doença), a conduta do tráfico de drogas da lei 11.343 e a conduta que fere a economia popular em períodos de congelamentos e produtos.
A questão aqui é saber s na hipótese de revogação das normas complementares (lei, decreto, regulamento e portaria), se teriam ou não efeito retroativo.
Com efeito, o complemento da lei penal em branco pode assumir duas naturezas distintas: A) NORMALIDADE (a retroatividade é obrigatória) e B) ANORMALIDADE (ocorre a ultratividade, aplica-se). Assim, se essas normas não tiverem caráter temporário ou excepcional, terão efeito retroativo sempre que beneficiem o réu (v.g. caso da descriminalização da maconha). Contrariamente, em caráter excepcional ou temporário, tal qual no caso da tabelas de preços (crimes contra a economia popular), mesmo após a cessação da sua vigência, continuarão regendo as situações consumadas durante a sua existência, em face do seu caráter temporário. 
 
Tempo do crime
Para a aplicação da lei penal é necessária a identificação do momento em que se considera praticado o crime, para que se opere a aplicação da lei penal ao seu autor. Existem três teorias para melhor explica o tempo do crime, que são elas:
Teoria da atividade \u2013 considera-se praticado o crime no momento da conduta (ação ou omissão), ainda que outro seja o momento do resultado.
Teoria do resultado \u2013 estabelece que o crime considera-se praticado no momento da ocorrência do resultado.
Teoria mista ou da ubiqüidade \u2013 concede igual relevo aos dois momentos apontados pelas teorias anteriores, asseverando que tempo do crime será o da ação ou omissão, bem como o do momento do resultado.
O momento da conduta, comissiva ou omissiva, será, portanto, o nosso marco inicial para todo tipo de raciocínio que se queira fazer em sede de extra-atividade da lei penal, bem como nas situações onde não houver sucessão de leis no tempo.
O art. 4º. do C.P. acolheu a teoria da atividade, o momento da ação ou omissão determina o momento em que o crime considera-se praticado, ainda que em outro momento tenha decorrido o resultado.
Daí surgem algumas conseqüências:
Aplica-se a lei em vigor ao tempo da conduta, exceto se a do tempo do resultado for mais benéfica;
A imputabilidade é apurada ao tempo da conduta
No crime permanente e no crime continuado, em que a conduta tenha se iniciado sob o império da lei mais branda e prossegue até atingir a vigência da lei mais grave, aplica-se a lei nova em vigor, ainda que mais severa; (Súmula 711 do STF)
No crime habitual aplica-se a lei mais nova, mesmo que mais severa, desde que tenha havido reiteração da conduta sob a égide da lei nova.
\u25d9 ATENÇÃO: Em matéria de prescrição, o art. 11, do código penal preferiu a teoria do resultado.
 APLICAÇÃO DA LEI PENAL NO ESPAÇO
A aplicação da lei penal no espaço relaciona-se com os limites de incidência e eficácia de normas penais de determinado Estado soberano quanto a infrações ocorridas sob a sua própria soberania ou sob a de outro Estado. A importância decorre da necessidade de apresentar solução aos casos em que um crime viole interesses de dois ou mais países, ou porque a conduta foi praticada no território nacional e o resultado ocorreu no exterior, ou porque a conduta foi praticada no exterior e o resultado ocorreu no território nacional. 
 O princípio geral é o locus regit actum ou da territorialidade, inerente à soberania, eis que não existe Estado sem território sobre o qual incide seu ordenamento jurídico: a aplicação territorial da lei é a projeção, na delimitação geográfica e política do Estado da sua própria soberania. Todavia essa territorialidade não é absoluta, mas moderada, visto que excepciona regras de Direito Internacional (art. 5º, CP), chamadas de regras de extraterritorialidade. Assim, podemos afirmar que o Código Penal brasileiro limita o campo de validade da lei penal com observância de dois vetores fundamentais: a territorialidade (art. 5º) e a extraterritorialidade. Com base neles se buscam solucionar os conflitos de leis no espaço. 
Mas para entender tais princípios, é mister responder a algumas questões:
a) onde se considera praticado o crime?
b) o que é território nacional?
c) quando a lei penal brasileira não é aplicável ao crime ocorrido em território nacional?
		2.6.1 Lugar do crime
A maioria dos crimes se dá num único local (crime unilocal); às vezes, porém, as fases de realização das infrações podem ocorrer em lugares diferentes, como nos crimes plurilocais (quando as etapas do iter acontecem em locais diversos, porém dentro do mesmo território \u2013 têm relevância apenas processual) e nos crimes à distância ou de espaço máximo (quando as etapas ocorrem em territórios diferentes). Existem três teorias para definir onde se considera praticado o crime:
teoria da atividade ou da conduta: lugar do crime é aquele onde foi praticada a ação;
b) teoria do resultado ou do evento: lugar do crime é aquele em que se produz o resultado pretendido pelo agente ou onde ele deveria ter sido produzido; 
c) teoria da ubiqüidade ou mista: lugar do crime é aquele onde tanto ocorreu a conduta quanto o resultado, tanto faz a ação ou do resultado.
As duas primeiras teorias podem levar a um absurdo lógico, pois se um crime plurilocal for cometido num Estado que adota o critério do resultado e seu resultado for produzido em outro que adota o critério da atividade, haverá a impunidade do crime, o que não acontece com o critério da ubiqüidade, acolhido pelo nosso CP, art. 6º. Em outras palavras, basta que o crime tenha \u201ctocado\u201d o território nacional, isto é, que qualquer dos elementos do iter puníveis (a partir da execução até a consumação) tenham ocorrido no território nacional.
				2.6.2 Conceito de Território
Território nacional é o espaço geográfico da soberania, incluindo o mar territorial (doze milhas \u2013 lei n. 8.617/93) e o espaço aéreo correspondente. Também são consideradas território nacional as embarcações e aeronaves públicas ou as que estão a serviço do Estado, onde quer que se encontrem, bem como as embarcações e aeronaves brasileiras, mercantes ou de propriedade privada quando estiverem em alto mar ou no espaço aéreo correspondente \u2013 é o território nacional por extensão (art. 5º, §1º). São também consideradas território nacional as embarcações e aeronaves privadas estrangeiras que estejam em mar territorial brasileiro ou no espaço aéreo correspondente quando da prática da infração (art. 5º, §2º). As embarcações e aeronaves públicas estrangeiras não são consideradas território nacional, mesmo que estejam em mar territorial brasileiro ou no espaço aéreo correspondente quando da prática da infração.
De ver-se que não há extensão territorial quando se trata de embaixadas, consulados, legados ou prédios públicos, apenas a aplicação da lei brasileira