direito penal
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em crimes ocorridos em seu interior pode sofrer limitações quanto às pessoas que exercem determinadas funções em virtude de convenções ou tratados diplomáticos.
2.6.3 Princípio da Territorialidade
	Este princípio é a principal forma de delimitação do espaço geopolítico de validade da lei penal nas relações entre Estados soberanos. Por isso, o Código Penal, de conformidade com a Constituição Federal (arts. 1º., I e 4º. , II), consagra (art. 5º. Caput) o princípio da territorialidade segundo o qual ao Estado brasileiro compete apurar, processar e julgar todas as infrações penais ocorridas em território nacional, independentemente da nacionalidade dos envolvidos (autores e vítimas).
	Essa é a regra geral. Aplica-se a lei brasileira aos crimes cometidos no terirrório nacional. Há exceções que ocorrem quando o brasileiro pratica crime no exterior ou um estrangeiro comete delito no Brasil. Deste modo diz-se que a adoção deste princípio não se deu de forma absoluta, mas de modo mitigado ou temperado.
				2.6.4 Extraterritorialidade
Em alguns casos, o Direito Penal brasileiro pode alcançar condutas ocorridas fora do território nacional, o que se chama de extraterritorialidade, para infrações que, de algum modo, têm grande relevância para o país e, mesmo, para a comunidade internacional, e se coaduna com um programa mundial de repressão à criminalidade. É preciso, contudo, que haja um liame entre o ordenamento brasileiro e o crime cometido no exterior a fim de conferir-lhe legitimidade para a punição. A extraterritorialidade é regida pelos princípios:
a) princípio da proteção ou da defesa real: aplica-se a lei penal brasileira ao crime cometido contra bem jurídico brasileiro no exterior (art. 7º, I, b e c)
b) princípio da personalidade: aplica-se a lei brasileira do país de origem de uma das pessoas envolvidas no delito (sujeito ativo ou passivo) e subdivide-se em:
\u2013 personalidade passiva: a lei penal brasileira aplica-se ao crime praticado contra brasileiro no exterior (art. 7º, I, a e §3º);
\u2013 personalidade ativa: a lei penal brasileira aplica-se ao crime cometido por brasileiro em outro país (art. 7º,I, d e II, b)
c) princípio cosmopolita, da competência universal ou da justiça universal: a lei penal brasileira é aplicável aos crimes que, pela sua repercussão internacional, o Brasil se comprometeu a reprimir por meio de tratados e convenções (art. 7º, II, a).
d) princípio da representação quando o Estado em cujo território ocorreu a infração deixa de submeter o autor à sua jurisdição. Aplica-se a lei brasileira aos crimes cometidos no interior de embarcações e aeronaves brasileiras, mercantes ou de propriedade particular quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados (art. 7º, II, c).
A extraterritorialidade pode ser condicionada ou incondicionada, isto é, para que a lei brasileira seja aplicável pode ser ou não necessário o preenchimento de outros requisitos (condições objetivas de punibilidade), além do elemento de conexão. Tais requisitos encontram-se nos §§ 2º e 3º, art. 7º, CP.
São condições para que a lei penal brasileira seja aplicável por força dos princípios da nacionalidade ativa, da justiça universal e da representação: "a entrada do agente no território nacional, a punibilidade do crime no Estado em que ocorreu, a possibilidade de extradição, a inocorrência de absolvição ou de cumprimento de pena no estrangeiro e inexistência de perdão ou de extinção da punibilidade.
Para o princípio da nacionalidade passiva, além dessas condições, é necessário, ainda, que não tenha sido pedida ou negada a extradição e que tenha havido requisição do Ministro da Justiça.
A extraterritorialidade é incondicionada quando, existindo o elemento de conexão, a lei penal brasileira incide, independentemente da ocorrência de qualquer outra condição. Ela se dá nos casos do inciso I do art. 7º, CP, ainda que o agente tenha sido absolvido ou condenado no estrangeiro (§ 1º, art.7º).
O art. 8º disciplina os efeitos da pena cumprida no estrangeiro por crime também sujeito à lei brasileira. Para evitar o bis in idem, o CP estabelece duas regras: se a pena cumprida no estrangeiro for da mesma natureza da pena aplicada no Brasil, faz-se a detração (art. 42); se de naturezas diversas, a pena brasileira será atenuada (art. 8º).
Jurisdição é ato de soberania. Por isso mesmo, a sentença estrangeira tem seus efeitos limitados no Brasil. Ela depende de homologação no STF (a rigor, é a homologação do STF que produz efeitos), apenas para obrigar o condenado à reparação do dano e outros efeitos civis, e para sujeitá-lo a medida De segurança.
	Sem prejuízo dos casos previstos pelo Código Penal, o art. 2º. da Lei 9.455/1997 estatui mais uma situação de extraterritorialidade incondicionada, nos seguintes termos: \u201cO disposto nesta lei aplica-se ainda quando o crime não tenha sido cometido em território nacional, sendo a vítima brasileira ou encontrando-se o agente em local sob jurisidição brasileira\u201d. 
 LEI PENAL EM RELAÇÃO AS PESSOAS
Ao adotar o princípio da territorialidade o código penal o faz de modo mitigado, não é absoluto, pois há casos de crimes cometidos em nosso território que não se sujeitam à aplicação da lei penal brasileira: são as prerrogativas dadas a pessoas que exercem determinadas funções, e essas imunidades decorrem tanto de convenções, tratados e regras internacionais (imunidades diplomáticas), quanto do Direito Constitucional (imunidades parlamentares e do advogado).
A imunidade não fere o principio da isonomia porque ela não é pessoal, mas sim funcional. A imunidade pode ser:
a) Imunidade diplomática: prerrogativa de direito público interno de que desfrutam os diplomatas, os funcionários do corpo diplomático e família.
b) Imunidade parlamentar: acolhida pelo artigo 53 da CF pode ser imunidade absoluta, em relação à palavra, voto e opiniões, está protegido penal, civil, disciplinar e politicamente; ou imunidade relativa, de natureza formal ou processual, previstas no art. 53, §1º, a 6º, da Constituição Federal, se referem:
			\u25cf À PRERROGATIVA DE FORO (§1º), desde a expedição do diploma serão submetidos a julgamento no STF;
			\u25cf À PRISÃO (§2º), os membros não poderão ser presos, salvo em flagrante delito de crime inafiançável. Nesse caso os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas para que à Casa respectiva, pelo voto da maioria, resolva sobre a prisão. O excesso do prazo, 24hs, não descaracteriza a prisão em flagrante. 
			\u25cf AO PROCESSO (§ 3º), recebido o processo, por crimes cometidos após diplomação, contra Deputados ou Senadores o STF dará ciência a casa legislativa respectiva, que por iniciativa de partido político com representação e pelo voto da maioria de seus membros, poderá até decisão final, sustar o andamento da ação. A sustação do processo suspende a prescrição. 
			\u25cf SERVIR COMO TESTEMUNHA (§6º), não serão obrigados a servir como testemunha sobre informações prestadas ou recebidas em razão do mandato. 
		Com relação aos Deputados Estaduais as imunidades parlamentares são automaticamente deferidas por força do disposto no art. 27, §1º, da CF.
		Quanto aos vereadores apenas a imunidade absoluta ou inviolabilidade lhes são garantidas. 
 
A imunidade diplomática é concedida ao agente diplomático que pratique crime em nosso território; em verdade, ela não significa isenção de crime, pois o agente pode ser submetido a julgamento pelo Estado acreditante, mas exclusão da jurisdição brasileira. Funda-se nas práticas de respeito e cortesia, indispensáveis para a convivência harmoniosa entre os povos.
São imunes o embaixador ou agente diplomático, os familiares e as pessoas que exercem função diplomática (mesmo que brasileiras), bem como os abrigados ou asilados no espaço físico da legação, seus documentos e correspondência. Não o são os empregados particulares (mesmo que estrangeiros) e o pessoal não