3- HABEAS DATA
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30 Revista da EMERJ, v.1, n.1, 1998
subsidiária das regras comuns, contidas no Código de Processo Civil, em 
WXGR\ufffdTXH\ufffdQmR\ufffdWLYHU\ufffdGLVFLSOLQD\ufffdHVSHFt¿FD\ufffdQD\ufffd/HL\ufffdQž 9.507 e for compatível 
com sua sistemática.
Da escolha do modelo decorre a simplicidade e (espera-se) a celeri-
dade do rito. A petição inicial, que preencherá os requisitos habituais (arts. 
282 e 283 do Código de Processo Civil), será apresentada em duas vias, 
e os documentos que instruírem a primeira serão reproduzidos por cópia 
junta à segunda (art 8º, caput). Entre os documentos indispensáveis, como 
já se disse (supra\ufffd\ufffdQž\ufffd\ufffd\ufffd\ufffd\ufffd¿JXUD\ufffd\ufffd\ufffdFRQIRUPH\ufffdD\ufffdKLSyWHVH\ufffd\ufffd\ufffdD\ufffdSURYD\ufffdGD\ufffdUHFXVD\ufffd
H[SUHVVD\ufffdGR\ufffdLPSHWUDGR\ufffdDR\ufffdDFHVVR\ufffdjV\ufffdLQIRUPDo}HV\ufffd\ufffdj\ufffdUHWL¿FDomR\ufffd\ufffdj\ufffdDQRWDomR\ufffd\ufffd
ou a prova do decurso in albis do prazo legalmente marcado (recusa tácita) 
(art. 8º, incisos I a III).
Sujeita-se a petição inicial, como a de qualquer ação, ao controle li-
minar do juiz, que a indeferirá \u201cquando não for o caso de habeas data, ou se 
lhe faltar algum dos requisitos previstos\u201d (art. 10, caput). Não deve o órgão 
judicial, entretanto, indeferir a inicial sem antes conceder ao impetrante o 
SUD]R\ufffdGH\ufffdGH]\ufffdGLDV\ufffd\ufffdSDUD\ufffdVXSULU\ufffdGH¿FLrQFLDV\ufffdRX\ufffdFRUULJLU\ufffdRXWURV\ufffdGHIHLWRV\ufffdVDQi-
veis (Código de Processo Civil, art. 284). Nos termos do art 10, caput, \u201cdo 
despacho de indeferimento caberá recurso previsto no art. 15\u201d (a publicação 
R¿FLDO\ufffdRPLWLX\ufffd\ufffdj\ufffdHYLGrQFLD\ufffd\ufffdR\ufffdDUWLJR\ufffd³R´\ufffdDQWHV\ufffdGH\ufffd³UHFXUVR´\ufffd\ufffd\ufffd,QIHOL]\ufffdD\ufffdUHGD-
omR\ufffd\ufffdFKDPD\ufffd³GHVSDFKR´\ufffdD\ufffdDWR\ufffdTXH\ufffd\ufffdSRQGR\ufffd¿P\ufffdDR\ufffdSURFHVVR\ufffdQR\ufffdQDVFHGRXUR\ufffd\ufffdD\ufffd
observar-se a terminologia do Código (art. 162, § 1º) sem dúvida constitui 
\u201csentença\u201d, tanto quanto a decisão concessiva ou denegatória do habeas 
data, de que fala o art. 15.
Deferida que seja a petição, ab initio ou após a emenda ou comple-
PHQWDomR\ufffdWHPSHVWLYD\ufffd\ufffd³R\ufffdMXL]\ufffdRUGHQDUi\ufffdTXH\ufffdVH\ufffdQRWL¿TXH\ufffdR\ufffdFRDWRU\ufffdGR\ufffdFRQWH~GR\ufffd
da petição, entregando-lhe a segunda via apresentada pelo impetrante, com 
DV\ufffdFySLDV\ufffdGRV\ufffdGRFXPHQWRV\ufffd\ufffdD\ufffd¿P\ufffdGH\ufffdTXH\ufffd\ufffdQR\ufffdSUD]R\ufffdGH\ufffdGH]\ufffdGLDV\ufffd\ufffdSUHVWH\ufffdDV\ufffd
LQIRUPDo}HV\ufffdTXH\ufffdMXOJDU\ufffdQHFHVViULDV´\ufffd\ufffdDUW\ufffd\ufffd\ufffdž\ufffd\ufffd\ufffd)HLWD\ufffdD\ufffdQRWL¿FDomR\ufffd\ufffdR\ufffdVHUYHQ-
tuário em cujo cartório corra o feito \u201cjuntará aos autos cópia autêntica do 
ofício endereçado ao coator, bem como a prova da sua entrega a este ou da 
recusa, seja de recebê-lo, seja de dar recibo\u201d (art. 11). Ao cabo do decêndio 
¿[DGR\ufffdQR\ufffdDUW\ufffd\ufffd\ufffdž\ufffd\ufffdKDMD\ufffdVLGR\ufffdDSUHVHQWDGD\ufffdRX\ufffdQmR\ufffdD\ufffdUHVSRVWD\ufffd\ufffdTXH\ufffdD\ufffdOHL\ufffdGHQRPLQD\ufffd
\u201cinformações\u201d), encaminham-se os autos ao Ministério Público, para que 
emita parecer em 5 dias, e em seguida ao juiz, para que decida, também 
num qüinqüídio (art. 12).
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12. Sentença - A sentença, concessiva ou denegatória do habeas data 
em primeiro grau de jurisdição, é impugnável por apelação (art. 15, caput, 
DOLiV\ufffdVXSpUÀXR\ufffd\ufffdQR\ufffdVLOrQFLR\ufffdGD\ufffdOHL\ufffd\ufffdLQFLGLULD\ufffdGH\ufffdTXDOTXHU\ufffdMHLWR\ufffdR\ufffdDUW\ufffd\ufffd\ufffd\ufffd\ufffd\ufffdGR\ufffd
Código de Processo Civil). Há uma peculiaridade: no caso de acolhimento 
do pedido, o recurso é desprovido de efeito suspensivo - ou, consoante 
preferiu dizer o legislador, \u201cterá efeito meramente devolutivo\u201d (art. 15, 
SDUiJUDIR\ufffd~QLFR\ufffd\ufffd\ufffd6LJQL¿FD\ufffdLVVR\ufffdTXH\ufffdR\ufffdLPSHWUDGR\ufffdGHYH\ufffdFXPSULU\ufffdD\ufffdVHQWHQoD\ufffd
incontinenti, tão logo lhe seja comunicado o respectivo teor, \u201cpor correio 
[passe o cacófato!], com aviso de recebimento, ou por telegrama, radiograma 
ou telefonema, conforme o impetrante o requerer\u201d (art. 14, caput), exigido 
R\ufffd UHFRQKHFLPHQWR\ufffdGD\ufffd¿UPD\ufffdGR\ufffd MXL]\ufffdQRV\ufffdRULJLQDLV\ufffd DSUHVHQWDGRV\ufffdj\ufffdDJrQFLD\ufffd
H[SHGLGRUD\ufffd\ufffdQR\ufffdFDVR\ufffdGH\ufffdWUDQVPLVVmR\ufffdWHOHJUi¿FD\ufffd\ufffdUDGLRI{QLFD\ufffdRX\ufffdWHOHI{QLFD\ufffd
(art. 14, parágrafo único).
Diversamente do que se dá com o mandado de segurança, H[\ufffdYL\ufffddo 
art. 12, parágrafo único, da Lei nº 1.533, não existe, para o habeas data, 
GHWHUPLQDomR\ufffd OHJDO\ufffd GH\ufffd TXH\ufffd D\ufffd VHQWHQoD\ufffd FRQFHVVLYD\ufffd GD\ufffdPHGLGD\ufffd¿TXH\ufffdREUL-
gatoriamente sujeita à revisão em segundo grau de jurisdição; mas, se o 
impetrado vencido for órgão da União, do Estado ou do Município, será 
de rigor o reexame, por aplicação subsidiária da regra do art. 475, nº II, do 
Código de Processo Civil.
Isso não obsta, convém ressaltar, a que o órgão tenha de cumprir desde 
logo a sentença. Parece impróprio falar em \u201cexecução\u201d, no sentido técnico: 
não há, a rigor, condenação cujo descumprimento dê ensejo à instauração de 
processo executivo. Julgado procedente o pedido, o órgão judicial emite uma 
ordem GLULJLGD\ufffdDR\ufffdFRDWRU\ufffd\ufffdSDUD\ufffdTXH\ufffd\ufffdQR\ufffdGLD\ufffdH\ufffdKRUD\ufffd¿[DGRV\ufffd\ufffdDSUHVHQWH\ufffdDV\ufffdLQIRU-
PDo}HV\ufffdUHTXHULGDV\ufffdRX\ufffdD\ufffdSURYD\ufffdGD\ufffdUHWL¿FDomR\ufffdRX\ufffdDQRWDomR\ufffd\ufffdDUW\ufffd\ufffd\ufffd\ufffd\ufffd\ufffdFI\ufffd\ufffd\ufffdsupra, 
R\ufffdQž\ufffd\ufffd\ufffd\ufffd\ufffd¬\ufffdOX]\ufffdGD\ufffdFODVVL¿FDomR\ufffdDGRWDGD\ufffdSRU\ufffd\ufffdSDUWH\ufffd\ufffdH[SUHVVLYD\ufffd\ufffdGD\ufffd\ufffdGRXWULQD\ufffd\ufffd
brasileira, estamos aqui diante de sentença tipicamente mandamental26. 
26 Cf. JOSÉ DA SILVA PACHECO, ob. cit., pág. 273. VICENTE GRECO FILHO, ob. cit., pág. 175, 
distingue: a ação de habeas data \u2013 e, por conseguinte, entende-se, a sentença de procedência - seria 
mandamental na hipótese da letra a do dispositivo constitucional (direito ao conhecimento dos dados), 
mas constitutiva na da letra b \ufffdGLUHLWR\ufffdD\ufffdUHWL¿FDomR\ufffd\ufffd\ufffdSRUTXH\ufffdQHVWH\ufffdVHJXQGR\ufffdFDVR\ufffdVH\ufffdSOHLWHLD\ufffd³D\ufffdPRGL¿FD-
ção do mundo jurídico\u201d. O argumento seria convincente se a sentença concessiva, por virtude própria, 
ORJUDVVH\ufffdFRQFUHWL]DU\ufffdD\ufffdPRGL¿FDomR\ufffd\ufffdS{\ufffdOD\ufffdHP\ufffdDWR\ufffd\ufffdFRPR\ufffdID]HP\ufffdDV\ufffdYHUGDGHLUDV\ufffdVHQWHQoDV\ufffdFRQVWLWXWLYDV\ufffd
(de anulação de casamento ou testamento, de divórcio etc.). Aqui, é outra coisa que sucede: tal qual na 
hipótese da letra a, o juiz (rectius: D\ufffdVHQWHQoD\ufffd\ufffdQmR\ufffdPRGL¿FD\ufffdSRU\ufffdVL\ufffdDVVHQWDPHQWR\ufffdDOJXP\ufffd\ufffdRUGHQD\ufffd\ufffdLVVR\ufffd
VLP\ufffd\ufffdTXH\ufffdR\ufffdLPSHWUDGR\ufffdSURFHGD\ufffdj\ufffdPRGL¿FDomR\ufffd
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$\ufffdRPLVVmR\ufffdYROXQWiULD\ufffdH\ufffdLQMXVWL¿FDGD\ufffdHP\ufffdFXPSULU\ufffdD\ufffdRUGHP\ufffdSRGH\ufffdFRQ¿JXUDU\ufffd
crime de desobediência por parte do agente responsável (Código Penal, art. 
\ufffd\ufffd\ufffd\ufffd\ufffd\ufffd1mR\ufffd¿FD\ufffdDIDVWDGD\ufffdD\ufffdLPSRVLomR\ufffdGH\ufffdPXOWD\ufffdGLiULD\ufffdDR\ufffdLPSHWUDGR\ufffd\ufffdFRP\ufffdEDVH\ufffd
no art. 461, § 4º, do Código de Processo Civil: induvidosa, ao nosso ver, a 
analogia, pois aqui também se cogita de ação cujo objeto é o cumprimento 
de obrigação (lato sensu) de fazer.
13. 6XVSHQVmR\ufffdSURYLVyULD\ufffdGR\ufffdFXPSULPHQWR\ufffdGD\ufffdRUGHP - No tocan-
te ao mandado de segurança, inovação introduzida pela Lei nº 4.348, de 
26.6.1964, abriu à pessoa jurídica de direito público interessada a faculdade 
de requerer ao presidente do tribunal competente para julgar o recurso a 
suspensão provisória da \u201cexecução\u201d da ordem favorável ao impetrante, 
por hipótese concedida quer in limine litis, quer na sentença. Talvez haja, 
com efeito, ponderáveis razões de interesse público a desaconselhar o cum-
primento imediato, visto como causador de dano irreparável ou de difícil 
UHSDUDomR\ufffd\ufffd D\ufffdPRVWUDU\ufffdVH\ufffd D¿QDO\ufffd LQMXVWR\ufffd VH\ufffd SRUYHQWXUD\ufffd SURYLGR\ufffdR\ufffd UHFXUVR\ufffd H\ufffd
GHQHJDGD\ufffdD\ufffdVHJXUDQoD\ufffdQD\ufffdLQVWkQFLD\ufffdVXSHULRU\ufffd\ufffd7RPRX\ufffdVH\ufffdD\ufffdORXYiYHO\ufffdFDXWHOD\ufffd
de restringir expressamente a possibilidade da suspensão aos casos em que 
necessária para \u201cevitar grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e à econo-
mia públicas\u201d. Tal disposição seria reproduzida, no que tange à concessão 
in limine litis, na disciplina da chamada ação civil pública, exercitável para 
promover a responsabilidade por danos ao meio ambiente, ao consumidor, a 
bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico, 
a qualquer outro interesse difuso ou coletivo, e ainda por infração da ordem 
econômica (Lei nº 7.347, de 24.7.1985, art. 1º). O requisito da \u201cgrave lesão à 
ordem, à saúde, à segurança e à economia públicas\u201d aparece igualmente no 
art. 4º, caput, da Lei nº 8.437, de 30.6.1992, o qual dispõe sobre a suspensão 
de liminares concedidas contra atos do Poder Público ou seus agentes; aí 
se acrescenta a exigência de ser o caso \u201cde manifesto interesse público ou 
GH\ufffdÀDJUDQWH\ufffdLOHJLWLPLGDGH´\ufffd
$¿JXURX\ufffdVH\ufffdDR\ufffd OHJLVODGRU\ufffdTXH\ufffdHPHUJrQFLDV\ufffdGR\ufffdPHVPR\ufffd WLSR\ufffdVHULDP\ufffd
concebíveis no habeas data. E realmente se imagina com facilidade que a 
infundada concessão da medida por erro do juiz venha a ser cassada em grau 
de recurso, sem que se torne possível, a essa altura, restaurar o primitivo es-
WDGR\ufffdGH\ufffdFRLVDV\ufffd\ufffd8PD\ufffdUHWL¿FDomR\ufffdGH\ufffdDVVHQWDPHQWRV\ufffdp\ufffd\ufffdHP\ufffdSULQFtSLR\ufffd\ufffdVXVFHWtYHO\ufffd