2- Apostila Processo Penal II
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2- Apostila Processo Penal II


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INQUÉRITO POLICIAL
1. Conceito: trata-se de um procedimento administrativo, inquisitório e preparatório, presidido pela autoridade policial, consistente em um conjunto de diligências, objetivando a colheita de informações quanto à autoria e materialidade delitivas, a fim de que o titular da ação penal possa ingressar em juízo.
2. Natureza Jurídica: é procedimento administrativo, e não, processo (judicial ou administrativo), uma vez que dele não resulta a aplicação/imposição imediata de uma sanção.
Atenção 1!!! Eventuais vícios constantes do inquérito policial não têm o condão de causar a nulidade do processo. Todavia, importa dizer que tal ressalva não é observada quando o referido vício consistir em uma prova ilícita ou prova derivada da ilícita (ex.: sujeito torturado quando do inquérito policial), devendo, nesse caso, o ato viciado ser desconsiderado, isto é, ser declarado nulo.
3. Finalidade: é a colheita de elementos de informação quanto à autoria e materialidade do delito.
Atenção 2!!! Elementos de informação x provas:
	Elementos de Informação
	Provas
	a. São aqueles colhidos/produzidos na fase investigatória (inquérito policial); 
	a. É aquilo produzido, em regra, na fase judicial. Tal regra é excepcionada pelas chamadas provas cautelares, antecipadas e não-repetíveis, uma vez que estas podem ser produzidas em qualquer fase da persecução penal (inquérito policial ou ação penal);
	b. Não é obrigatória a observância do contraditório e da ampla defesa;
	b. É obrigatória a observância do contraditório e da ampla defesa;
	c. O juiz só deve atuar quando provocado, funcionando, pois, como garante das \u201cregras do jogo\u201d. Todavia, em alguns momentos, sua presença é essencial (ex.: determinação de busca e apreensão);
	c. O juiz deve acompanhar a produção da prova, passando o CPP a adotar a partir da reforma legislativa o princípio da identidade física do juiz, segundo o qual, o juiz que acompanhou a instrução deve, pelo menos, em regra, proferir a sentença \u2013 artigo 399, §2°, CPP).
	d. Têm por finalidades: auxiliar a formação de convicção do titular da ação penal (opinio delicti) e; subsidiar a decretação de medidas cautelares. 
	
Art. 399, § 2o, CPP. O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).
Atenção 3!!! Provas Cautelares x Provas Antecipadas x Provas Não-repetíveis:
 - Provas cautelares: são aquelas em que há um risco de desaparecimento do objeto da prova em razão do decurso do tempo. Aqui, o contraditório é diferido, isto é, o contraditório se dá após a produção da prova. Logo, aqui, determina-se a produção da prova sem se dá ciência a parte contrária (exemplo de prova com contraditório diferido: interceptação telefônica). Podem ser produzidas tanto na fase investigatória, como na judicial.
 - Provas antecipadas: são aquelas produzidas com a observância do contraditório real, isto é, o contraditório se dá no momento da produção da prova, perante a autoridade judicial, em momento processual distinto daquele legalmente previsto, ou até mesmo antes do início do processo, em virtude de situação urgente e relevante (ex.: testemunha \u201cchave\u201d muito idosa \u2013 artigo 225, CPP). Pode ser produzida tanto na fase investigatória, como na judicial.
Art. 225, CPP.  Se qualquer testemunha houver de ausentar-se, ou, por enfermidade ou por velhice, inspirar receio de que ao tempo da instrução criminal já não exista, o juiz poderá, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, tomar-lhe antecipadamente o depoimento.
 - Provas não-repetíveis: são aquelas que não têm como ser novamente produzidas, em virtude do desaparecimento da fonte probatória (ex.: exame pericial em crimes cujos vestígios podem desaparecer como é o caso da lesão corporal). Aqui, o contraditório também é diferido. É mais comum a sua ocorrência na fase investigatória, contudo, nada impede que seja produzida na fase judicial.
Atenção 4!!! O advérbio \u201cexclusivamente\u201d previsto no artigo 155 do CPP: elementos informativos isoladamente considerados não podem fundamentar uma condenação. Porém, isto não significa dizer que devem ser completamente desprezados, podendo, pois, somar-se a prova produzida em juízo para formar a convicção do magistrado (RE 425.734).
Art. 155, CPP.  O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008)
Parágrafo único. Somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as restrições estabelecidas na lei civil. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008)
4. Atribuição para a Presidência do Inquérito Policial: de acordo com grande parte da doutrina, quem preside o IP é a autoridade policial que atua na função de polícia judiciária. Contudo, importa dizer que a referida atribuição é estabelecida de acordo com a competência para julgar o delito. Nesse sentido, no:[1: IP: inquérito policial.]
- crime militar: a. justiça militar da União: oficial das forças armadas, denominado de encarregado;
 b. justiça militar dos Estados: oficial da polícia militar, denominado de encarregado;
- crime \u201cfederal\u201d: polícia federal (artigo 144, §1°, I, CF);
- crime eleitoral: em regra, é investigado pela polícia federal. Contudo, o TSE entende que se não há polícia federal na cidade, a polícia civil pode investigar;
- crime comum de competência da justiça estadual: em regra, cabe a polícia civil. Todavia, aqui, a polícia federal também pode, em crimes específicos, investigar, desde que referidos crimes repercutam na esfera interestadual ou internacional, conforme preceitua o artigo 144, §1°, I, \u201cin fine\u201d, CF e a Lei 10.446/02.
Art. 144. § 1º, CF. A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas,assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei;
5. Características: 
 
5.1. Peça escrita: tudo deve ser reduzido a termo (artigo 9°, CPP). 
Art. 9o, CPP. Todas as peças do inquérito policial serão, num só processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade.
Atenção 5!!! Artigo 405, §1°, CPP: apesar do código não ter sido alterado na parte que trata de IP, a parte que regulamenta o procedimento judicial foi modificada, passando a prever a possibilidade de gravação durante a ação penal. Logo, entende a doutrina moderna (Renato Brasileiro, inclusive) que tal regra pode ser estendida ao inquérito policial, tendo em vista que se pode no mais (ação penal, onde se exige o contraditório e a ampla defesa), pode no menos (inquérito policial, onde não se exige a observância dos referidos princípios).
Art. 405, § 1o, CPP. Sempre que possível, o registro dos depoimentos do investigado, indiciado, ofendido e testemunhas será feito pelos meios ou recursos de gravação magnética, estenotipia, digital ou técnica similar, inclusive audiovisual, destinada a obter maior fidelidade das informações. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).
5.2. Peça dispensável: se o titular da ação penal contar com elementos de informação suficientes, a partir de peças de informação distintas, poderá dispensar o IP (artigo 39, § 5°, CPP).
Art. 39, § 5o, CPP. O órgão do Ministério Público dispensará o inquérito, se com a representação forem oferecidos elementos que o habilitem a promover a ação penal, e, neste caso, oferecerá a denúncia no prazo de quinze dias.
5.3. Peça sigilosa: a surpresa é uma característica fundamental do IP
Sandra
Sandra fez um comentário
ALGUÉM TEM ALGUMA PROVA DE CIÊNCIA POLITICA DIREITO 1ª PERIODO? :)
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