Técnicas Eletroquímicas em Corrosão - Wolynec
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Técnicas Eletroquímicas em Corrosão - Wolynec


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do potencial de corro-
são até o potencial de passivação) a densidade de corrente do pico é designada como 
ia, enquanto na de polarização catódica, que é uma curva de reativação, tem-se a den-
sidade de corrente de pico ir. 
O emprego da polarização anódica no ensaio dispensa um polimento mais acu-
rado da amostra, sendo suficiente o polimento com lixa até a grana 100, enquanto no 
ensaio de ciclo simples o polimento requerido é até a pasta de diamante de 1 \uf06dm. A 
polarização anódica se encarrega de completar o polimento da amostra e, além disso, 
ela dissolve as inclusões não metálicas que podem induzir a corrosão por pite. 
 
 152 \uf0b7 Técnicas Eletroquímicas em Corrosão 
Figura 7.7 Curvas esquemáticas do ensaio de reativação potenciocinética de ciclo duplo (DL-EPR) para o aço inoxi-
dável do tipo AISI 304 sensitizado. 
No método do ciclo duplo, a medida do grau de sensitização é normalmente fei-
ta por meio da relação entre as duas correntes de pico, isto é, pela relação ir/ia. A Figu-
ra 7.8 ilustra os resultados obtidos por esse método para o aço inoxidável AISI 304 
(UNS S30400) submetido a tratamento de sensitização em diferentes temperaturas por 
diferentes tempos
 
(Teodoro & Wolynec, 1994). 
7.5.3 Ensaio Simplificado (S-EPR) 
Este ensaio simplificado é de ciclo simples, porém inclui um polimento eletrolí-
tico prévio no potencial de pico da polarização anódica por aproximadamente 2 min. 
Assim, neste método, a preparação da superfície da amostra por lixamento é a do en-
saio DL-EPR, enquanto a técnica de levantamento da curva de reativação é a do ensaio 
SL-EPR. A medida do grau de sensitização é feita normalmente através do valor de ir , 
se bem que seja viável também o emprego da carga normalizada Pa. 
7.6 CORROSÃO GALVÂNICA 
Densidade de corrente
P
o
te
n
ci
al
 v
s.
 E
C
S
+ 300 mV
E corr
ia
ir
 Principais Ensaios Eletroquímicos Utilizados em Corrosão \uf0b7 153 
A avaliação da corrosão galvânica pode ser feita de forma relativamente rápida 
por meio de ensaios eletroquímicos. Estes ensaios podem ser agrupados em três cate-
gorias (Hack, 1955), a saber: determinação da série galvânica, medida da corrente 
galvânica, e determinação e superposição das curvas de polarização. 
 
Figura 7.8 Variação do grau de sensitização, determinado pelo ensaio de reativação potenciocinética de ciclo duplo 
(DL-EPR), para o aço inoxidável austenítico AISI 304 submetido a diferentes tratamentos de sensitiza-
ção (Teodoro & Wolynec, 1994). 
7.6.1 Determinação da Série Galvânica 
A ocorrência de corrosão galvânica entre dois diferentes metais num dado meio 
pode ser prevista a partir dos respectivos potenciais de corrosão nesse meio. Num par 
galvânico, isto é, na situação em que os dois metais estão em contato elétrico, o metal 
com potencial de corrosão mais ativo irá normalmente sofrer um aumento na sua taxa 
de corrosão, enquanto o outro metal, o de potencial de corrosão mais nobre, terá a sua 
taxa de corrosão reduzida ou até mesmo suprimida. 
A série galvânica nada mais é do que uma lista ordenada de materiais de inte-
resse em termos dos seus potenciais de corrosão num determinado meio. A norma 
ASTM G 82 (1993) descreve o desenvolvimento e o uso das séries galvânicas com o 
objetivo de permitir a previsão da ocorrência da corrosão galvânica. Nesta norma são 
apresentados dois tipos de séries galvânicas. Na primeira, mostrada na Figura 7.9, os 
materiais são listados juntamente com a faixa de valores de potenciais de corrosão por 
eles assumidos num determinado meio. Dessa forma, é possível determinar a diferença 
de potencial que existe entre dois diferentes materiais e, quanto maior for essa diferen-
ça, maior será a força eletromotriz para a ocorrência da corrosão galvânica. Normal-
mente a intensidade da corrosão galvânica está associada à magnitude dessa diferença 
0 40 80 120 160
Tempo de sensitização (h)
G
ra
u
 d
e
 s
e
n
si
ti
za
çã
o
 (
I r
 /I
a
)
solubilizado a 1050 ºC
0,4
0,3
0,2
0,1
0,0
550 ºC
670 ºC
790 ºC
910 ºC
 154 \uf0b7 Técnicas Eletroquímicas em Corrosão 
de potencial, porém em alguns casos isso não ocorre. 
 
Figura 7.9 Série galvânica de diversos metais em água do mar fluindo a 2,4 a 4,0 m/s por 5 a 15 dias a 5 a 30 ºC. Os 
retângulos hachurados indicam o comportamento ativo de ligas ativo-passivas (ASTM G 82, 1993). 
O segundo tipo de série galvânica está mostrado na Figura 7.10. Nesta série, os 
materiais são listados em ordem crescente de potencial de corrosão, porém sem especi-
ficar o valor desse potencial. A utilidade dessa série é apenas qualitativa e através dela 
é apenas possível afirmar qual dos dois componentes do par galvânico terá sua corro-
são aumentada e qual dos dois terá a sua corrosão diminuída ou mesmo eliminada, 
como na proteção catódica. 
Qualquer que seja a série galvânica a ser determinada, o processo eletroquímico 
é simplesmente o da determinação do potencial de corrosão com relação a um eletrodo 
de referência escolhido. 
7.6.2 Medida da Corrente Galvânica 
Neste processo de avaliação da corrosão galvânica, o par galvânico é imerso 
num determinado meio corrosivo, porém o contato elétrico entre os dois componentes 
do par é feito através de um fio externo. Dessa forma, os elétrons, liberados na corro-
são do componente anódico e utilizados nas reações que têm lugar no componente 
catódico, são forçados a fluir por esse fio. 
Volts (ECS)
Mg
Zn
Be
Ligas de Al
Grafita
Cd
Aço doce, ferro fundido
Aço baixa liga
Ferro fundido austenítico ao Ni
Bronze de alumínio
Latões: naval, amarelo, vermelho
Sn
Cu
Solda Pb-Sn (50/50)
Latões: almirantado, alumínio
Bronze de manganês
Bronze de silício
Bronzes de estanho (G & M)
Aços inoxidáveis 410, 416
Ni-Ag
Cu-Ni 90-10
Cu-Ni 80-20
Aço inoxidável 430
Pb
Cu-Ni 70-30
Bronze Ni-Al
Liga Ni-Cr 600
Ligas Ag p/ brasagem
Ni 200
Ag
Aços inox. 302,304,321,347
Ligas Ni-Cu 400, K-500
Aços inoxidáveis 316, 317
Aço inoxidável liga "20", fundida e trabalhada
Liga Ni-Fe-Cr 825
Liga B Ni-Cr-Mo-Cu-Si
Ti
Liga C Ni-Cr-Mo
Pt
(Ativo) (Nobre)
\uf02d1,6 \uf02d1,4 \uf02d1,2 \uf02d1,0 \uf02d0,8 \uf02d0,6 \uf02d0,4 \uf02d0,2 0,0 0,2
 Principais Ensaios Eletroquímicos Utilizados em Corrosão \uf0b7 155 
 
LADO ATIVO 
 (-) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 (+) 
LADO NOBRE 
ou PASSIVO 
Magnésio 
Ligas de magnésio 
Zinco 
Aço galvanizado 
Alumínio 1100 
Alumínio 6053 
Alclad 
Cádmio 
Alumínio 2024 (4,5Cu, 1,5Mg, 0,6 Mn) 
Aço doce 
Ferro pudlado 
Ferro fundido 
Aço inoxidável 13%Cr tipo 410 (ativo) 
Aço inoxidável 18-8 tipo 304 (ativo) 
Aço inoxidável 18-12-3 tipo 316 (ativo) 
Soldas chumbo-estanho 
Chumbo 
Estanho 
Metal Muntz 
Bronze de manganês 
Latão naval 
Níquel (ativo) 
Liga 76Ni-16Cr-7Fe (ativa) 
60Ni-30Mo-6Fe-1Mn 
Latão amarelo 
Latão almirantado 
Latão alumínio 
Latão vermelho 
Cobre 
Bronze de silício 
Cupro-níquel 70:30 
Bronze G 
Bronze M 
Solda prata 
Níquel (passivo) 
Liga 76Ni-16Cr-7Fe (passiva) 
Liga 67Ni-33Cu (Monel) 
 
Titânio 
Aço inoxidável 18-8 tipo 304 (passivo) 
Aço inoxidável 18-12-3 tipo 316 (passivo) 
Prata 
Grafita 
Ouro 
Platina 
 
Figura 7.10 Série galvânica de vários metais expostos à água do mar (ASTM G 82, 1993). 
A corrente que passa pelo fio externo constitui a corrente galvânica. A medida 
do sentido e da magnitude desta corrente fornece informações tanto sobre qual é o 
 156 \uf0b7 Técnicas Eletroquímicas em Corrosão 
componente anódico do par como sobre a intensidade da corrosão galvânica
Ramon
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