Tuberculose: uma revisão bibliografica enfatizando a fisioterapia
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Tuberculose: uma revisão bibliografica enfatizando a fisioterapia


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UNIVERSIDADE DA REGIÃO DA CAMPANHA 
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE 
CURSO FISIOTERAPIA 
TUBERCULOSE
BAGÉ
2015
Éveny de Oliveira Kurz
Tuberculose 
Trabalho que tem por finalidade discutir o tema tuberculose enfatizando o tratamento fisioterapêutico, apresentado no Centro de Ciências da Saúde, campus Bagé \u2013 RS, como requisito para a obtenção de nota bimestral no curso de Fisioterapia.
Bagé
Junho/2015
INTRODUÇÃO
Tuberculose (TB), doença infecciosa bacteriana transmitida pelo bacilo gram-positivo álcool-acido resistente Mycobacterium Tuberculosis. O Brasil faz parte do grupo dos 22 países de alta carga priorizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que concentram 80% dos casos de tuberculose no mundo, ocupando a 16ª posição em número absoluto de casos. No país, no período de 2005 a 2014, foram diagnosticados, em média, 73 mil casos novos de tuberculose por ano, e em 2013, ocorreram 4.577 óbitos. (BRASIL, 2015). A fisioterapia tem como proposito melhorar a ventilação pulmonar com realização da higiene brônquica em pacientes com tuberculose. Este trabalho aborda a patologia e seus tratamentos clínicos e fisioterápicos.
REVISÃO TEÓRICA 
A tuberculose (TB) é uma doença infecciosa bacteriana transmitida pelo bacilo gram-positivo álcool-acido resistente Mycobacterium Tuberculosis. Apesar da melhora dos métodos de detecção e tratamento, a TB continua a ser um problema de saúde no mundo todo, com uma propagação cada vez maior de uma cepa de TB altamente resistente aos medicamentos. (GOODMAN, 2010, pg.296)
No ano de 2014, diagnosticou-se 67.966 casos novos de tuberculose. Com o passar do tempo, observa-se a redução do coeficiente de incidência, passando de 41,5/100 mil hab. em 2005 para 33,5 por 100 mil hab. em 2014, o que corresponde a uma redução média de 2,3% ao ano nesse período, (BRASIL, 2015). 
 A tuberculose ainda é um sério problema de Saúde Pública e demonstra relação direta com a pobreza. Está associada com a exclusão social e a marginalização de parte da população submetida a más condições de vida, como moradia precária, desnutrição e dificuldade de acesso aos serviços e bens públicos. Assim, a tuberculose configura-se como uma das principais doenças a serem enfrentadas no Brasil e no mundo, (SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE \u2212 MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2014, pág., 01).
2.1 Fatores de risco
Qualquer pessoa pode ser afetada pela microbactéria, sendo alguns segmentos da população mais susceptíveis tais como: 
Profissionais da área da saúde, 
Adultos mais idosos, 
Domicílios superlotados, 
Pessoas nos sistemas prisionais,
Dependentes de álcool e outras substancias químicas com resultante desnutrição, debilitação e pouca saúde,
Lactentes e crianças abaixo de 5 anos,
Baixa imunidade ou desnutrição, aqueles com câncer de pulmão e HIV-positivo ou câncer de cabeça ou pescoço, entre outros. (GOODMAN, 2010).
A propagação da bactéria dá-se por núcleos de gotículas oriundas no ar, liberadas por pessoas infectadas quando espiram, falam, cantam ou tossem, o contato estreito com uma pessoa infectada se torna mais fácil de adquirir a doença. (GOODMAN, 2010). 
O período de tratamento dura de 6 a 9 meses, e não pode ser interrompido, pois se parar uma nova cepa resistente a medicamentos é transmitida. (GOODMAN, 2010).
A tuberculose ocorre com mais frequência nos pulmões, mas podemos também encontrar extrapulmonares como nos rins, placas de crescimento dos ossos, linfonodos e meninges e pode ser disseminada pelo corpo todo (tuberculose miliar), pode afetar também articulações do quadril e as vertebras, (GOODMAN, 2010).
2.2 Fisiopatologia da tuberculose (TB)
A transmissão do M. Tuberculosis de uma pessoa com doença ativa a outra, é exclusivamente por via inalatória, através de gotículas de secreção respiratória. Pela grande estabilidade da micobacteria nessas gotículas e no escarro, podem permanecer viáveis no escarro seco por ate seis semanas. (MARTINS et al, 2009).
O agente da TB é o Mycobacterium Tuberculosis, sendo as vias aéreas principal porta de entrada para o parasita, basta tosse ou fala de uma pessoa infectada contendo um ou dois bacilos viáveis no seu interior para transmitir. (SANTORO, et al 2014).
A bactéria tende a alcançar os alvéolos pulmonares, onde os bacilos se implantam, e é o órgão mais acometido pela doença (80 a 90 % dos casos). (SANTORO, et al 2014).
A fagocitose começa a ocorrer nos alvéolos pulmonares, por meio da ligação do bacilo com vários receptores celulares, para a infecção ser barrada é preciso que os bacilos sejam contidos no lisofagossomo. (SANTORO, et al 2014)
A evolução da doença ocorre quando a resposta imunológica não é efetiva para bloquear o bacilo, deixam o interior do macrófago e disseminam-se para corrente linfática. (SANTORO, et al 2014).
2.3 Sinais e sintomas 
Nos primeiros estágios da TB os sinais e sintomas encontram-se ausentes, muitas vezes a TB é diagnosticada incidentalmente por realização de radiografias de tórax de rotina. (GOODMAN, SNYDER, 2010).
A apresentação da TB pulmonar é através da tosse por 2 semanas ou mais além de sintomas respiratórios como dor torácica, dispneia e hemoptise, sistêmicos por febre vespertina, sudorese noturna, anorexia e emagrecimento. (MARTINS et al, 2009).
As formas extrapulmonares apresentam, além das manifestações sistêmicas, sintomatológicas relacionadas com a localização das doenças, tais como: linfonodomegalia, derrame pleural e/ou espessamento pleural, rouquidão, meningite, hematúria e dor lombar, obstrução intestinal, dor óssea e edema peri-articular, ocular e nódulos de pele. (MARTINS et al, 2009, pag. 528).
Há uma pequena divergência relacionada aos sinais e sintomas clínicos entre os autores MARTINS et al e GOODMAN, SNYDER. Conforme GOODMAN, SNYDER (2010, pag. 298) a TB tem como sinais e sintomas fadiga, mal-estar, anorexia, perda de peso, febre baixa especialmente no final da tarde, sudorese noturna, tosse produtiva frequente, dor surda, pressão ou desconforto no tórax e dispneia. 
2.4 Diagnostico 
Tem-se como padrão para diagnostico da TB a cultura do bacilo, que esta presente no escarro ou nos tecidos, são coletadas 2 amostras a primeira no mesmo instante da consulta e a segunda na manha seguinte em jejum. (MARTINS et al, 2009, SANTORO et al, 2014).
Outros exames utilizados para o diagnostico são, microscópico direto (baciloscopia direta), cultura para micobactéria com identificação de espécie, teste de sensibilidade antimicrobiana, teste rápido para tuberculose (TR-TB) e radiografia de tórax. (BRASIL, 2014).
Em casos de pacientes sem escarro espontâneo utiliza-se a expectoração induzida com solução hipertônica, a mesma tem um ótimo rendimento para o diagnostico sendo semelhante ao da brocoscopia com lavado bronco alveolar. (SANTORO et al, 2014).
Outros exames utilizados, baciloscopia porem sensibilidade baixa, necessário de 5.000 a 10.000 bacilos por ml de escarro, o exame de aspiração transtraqueal utilizado em pacientes com dificuldade de expectorar, lavado gástrico realizo em crianças com baixo rendimento e necessita de internação, broncofibroscopia se torna inconveniente por ser invasivo (SANTORO et al, 2014).
2.4.1 Tuberculose pulmonar primaria
Afeta qualquer segmento do parênquima pulmonar os lobos inferiores são caracteristicamente mais afetados em adultos, já nas crianças não existe predileção. (MARTINS et al, 2009).
É uma doença aguda e grave, comum em se apresentar de forma insidiosa e lenta, o bacilo presente no parênquima da origem a um processo inflamatório granulomatoso, encontrado através da radiologia que se denomina foco primário ou nódulo de Ghon. (SANTORO et al, 2014, MARTINS et al, 2009).
2.4.2 Tuberculose pulmonar pós-primaria
Decorrente de uma nova infecção ou um foco latente, a doença se evolui, mesmo apresentando características semelhantes a forma primaria, mas neste