Atos administrativos - Alexandre Magno
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Atos administrativos - Alexandre Magno


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2. \u201cO ato declaratório da concessão de isenção tem efeito retroativo à data em que a pessoa reunia os 
pressupostos legais para o reconhecimento dessa qualidade.\u201d 
(STJ, AgRg no REsp 1170008 / SP) 
8. Espécies de atos administrativos37 
 
8.1 Atos normativos 
 
Atos normativos são gerais e abstratos, aplicáveis a todas as pessoas que estiverem em 
determinada situação. Seu caráter normativo torna-os leis em sentido material e, por isso, 
são considerados atos administrativos impróprios. Os principais atos normativos são: 
a) decretos: atos administrativos de competência do chefe do Poder Executivo. Sua 
função principal é regulamentar a lei, detalhando os seus dispositivos (decreto 
regulamentar ou de execução). Excepcionalmente, não está subordinado a 
nenhuma lei (decreto autônomo ou independente). Em alguns casos, o decreto é 
ato administrativo próprio, com destinatários específicos. Ex.: decretos de demissão 
e de desapropriação; 
b) instruções normativas: atos administrativos de competência dos Ministros de 
Estado para a execução de leis e de decretos; 
c) regimentos (regulamentos internos): atos administrativos que se destinam a reger 
o funcionamento de órgãos colegiados. Ao contrário das espécies anteriores, não 
decorre do Poder Regulamentar, mas, do Poder Hierárquico; 
d) resoluções: atos administrativos expedidos pelas altas autoridades do Poder 
Executivo (exceto pelo chefe, que somente expede decretos), por presidentes de 
tribunais, de órgãos legislativos ou de colegiados administrativos. Ex.: resoluções 
do Conselho Monetário Nacional e do Conselho Nacional de Justiça. 
 
8.2 Atos ordinatórios 
 
Atos administrativos ordinatórios são aqueles que disciplinam o funcionamento 
interno da administração. São decorrentes do Poder Hierárquico e podem ser emitidos 
por qualquer chefe a seus subordinados. Não obrigam particulares nem agentes 
subordinados a outras chefias. Os principais atos ordinatórios são: 
a) instruções: \u201csão ordens escritas e gerais a respeito do modo e forma de execução de 
determinado serviço público, expedidas pelo superior hierárquico com o escopo de 
orientar os subalternos no desempenho das atribuições que lhes são afetas e 
assegurar a unidade de ação no organismo administrativo\u201d; 
b) circulares: tal como as instruções, são ordens escritas que determinam o modo de 
execução de determinado serviço público. Porém, seu alcance é mais restrito. 
Excepcionalmente, as circulares têm caráter normativo. Ex.: circulares do Banco 
Central do Brasil; 
c) avisos: atos destinados a dar notícia de assuntos afetos à atividade administrativa. 
Ex.: publicação, no Diário Oficial e em jornal de grande circulação, de aviso 
contendo um resumo do edital da licitação. Também podem ser chamados de 
comunicados; 
d) portarias: podem conter ordens emitidas pela chefia aos subordinados, dar início à 
sindicância, ao processo administrativo disciplinar e também nomear servidores 
para funções de confiança e para cargos em comissão. 
 
 
37
 Item baseado em MEIRELLES, 2007, P. 179-199. 
8.3 Atos negociais 
 
Atos administrativos negociais são aqueles em que a vontade da Administração 
Pública coincide com o interesse do administrado, sendo-lhe atribuídos direitos e 
vantagens. São formalizados em alvarás, termos ou, mesmo, simples despachos. Podem ser 
discricionários ou vinculados, definitivos ou precários. Os principais atos negociais são: 
a) licença: ato administrativo vinculado e definitivo, cuja função é conferir direitos ao 
particular que preencheu todos os requisitos legais. Trata-se de um direito subjetivo; 
portanto, não pode ser negado pela administração. Ex.: licença para construir; 
b) autorização: ato administrativo discricionário e precário pelo qual a administração 
pública possibilita ao particular o exercício de determinada atividade, de serviço ou 
a utilização de bens. Ex.: autorização para o porte de armas; 
c) permissão: tem dupla natureza. Caso se refira ao uso de bens públicos, é ato 
administrativo discricionário. Caso se refira à execução de serviços públicos, a 
permissão é um contrato de adesão, precedido de licitação. Em ambos os casos, a 
permissão é precária, ou seja, revogável a qualquer tempo; 
d) admissão: ato administrativo vinculado, em que a Administração Pública, 
verificando o cumprimento dos requisitos pelo particular, defere-lhe situação 
jurídica de seu exclusivo ou predominante interesse. Ex.: admissão, em 
universidade pública, de candidato aprovado no vestibular. 
 
8.4 Atos enunciativos 
 
\u201cAtos administrativos enunciativos são todos aqueles em que a Administração se 
limita a certificar ou a atestar um fato, ou emitir opinião sobre determinado assunto, 
sem se vincular ao seu enunciado\u201d. Tecnicamente, não podem ser considerados atos 
administrativos, uma vez que não produzem efeitos jurídicos, não havendo manifestação da 
vontade da administração. Os principais atos enunciativos são: 
a) certidões: cópias fiéis e autenticadas de documentos existentes nas repartições 
públicas. A Constituição Federal garante o direito ao fornecimento de certidões para 
o esclarecimento de \u201csituações de interesse pessoal\u201d. As certidões devem ser 
expedidas no prazo de 15 dias (Lei 9.051/95). Ex.: certidão negativa de débitos de 
tributos e contribuições federais, emitida pela Receita Federal; 
b) atestados: também comprovam a existência de fatos e de situações, mas, ao 
contrário das certidões, tais informações não estão em documentos encontrados na 
repartição. Ex.: atestado médico; 
c) pareceres: manifestações de órgãos técnicos a respeito de determinado assunto. 
Podem ser obrigatórios ou facultativos. Parecer normativo é aquele aprovado por 
ato de autoridade superior, tornando-se norma de procedimento interno; 
d) apostilas: atos que reconhecem uma situação anterior. Trata-se de simples 
averbação, comumente utilizada em caso de modificações em contratos 
administrativos e em aposentadorias. 
 
8.5 Atos punitivos 
 
Atos administrativos punitivos são aqueles que contêm uma sanção aos que descumprirem 
normas legais ou administrativas. Esses atos somente são lícitos se forem precedidos de 
processo administrativo. Conforme seus destinatários, podem ser de atuação interna e de 
atuação interna. Os últimos estão previstos em cada um dos estatutos dos servidores 
públicos (ex.: demissão e suspensão). 
 
Os principais atos punitivos de atuação externa são: 
a) multas: sanção pecuniária aplicada ao administrado que descumpriu determinada 
norma. É dispensável que sua conduta tenha dado origem a um prejuízo. Ao 
contrário da multa penal, não é preciso a comprovação do dolo ou da culpa; 
b) interdição de atividades: vedação da prática de determinado ato sujeito à 
fiscalização da administração pública; 
c) destruição de coisas: inutilização de bens nocivos ao consumo ou proibidos por lei. 
Em situações emergenciais, é dispensado o procedimento prévio. 
 
Espécies de atos administrativos 
Atos normativos Decretos, instruções normativas, regimentos 
e resoluções. 
Atos ordinatórios Instruções, circulares, avisos e portarias. 
Atos negociais Licença, autorização, permissão e admissão. 
Atos enunciativos Certidões, atestados, pareceres e apostilas. 
Atos punitivos De atuação interna (advertência, suspensão, 
demissão, cassação e destituição); e de 
atuação externa (multa, interdição e 
destruição). 
 
 
9. Extinção dos atos administrativos 
 
Os atos administrativos existem a partir do momento em que contêm todos os seus 
elementos constituintes, ou seja, são perfeitos. São exequíveis com o início da produção de 
seus efeitos típicos e extinguem-se ao final da produção desses efeitos. Com a extinção, o 
ato administrativo deixa de existir juridicamente, mas ainda é possível a permanência