Atos administrativos - Alexandre Magno
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Atos administrativos - Alexandre Magno


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alguns de seus efeitos, caso tenha gerado direitos adquiridos. A seguir, a extinção é 
classificada em razão do evento que a ocasionou, que pode ser um fato; um ato 
administrativo; um ato administrativo ou judicial; ou um ato do beneficiário. 
 
9.1 Em razão de fato 
 
Extinção natural (cumprimento dos efeitos): modo normal de extinção dos atos 
administrativos, que ocorre pelo decurso do tempo previsto (ex.: a autorização de uso de 
bem público por seis horas perde seus efeitos depois desse tempo); ou pela realização de 
todos os fatos nele previstos (ex.: ato que impõe a multa extingue-se com seu pagamento). 
 
Extinção objetiva (desaparecimento do objeto da relação jurídica): não existe mais o 
objeto a que se referia o ato administrativo. Exemplo: a destruição de uma arma extingue o 
porte de arma. 
 
Extinção subjetiva (desaparecimento do sujeito da relação jurídica): desaparecimento 
do sujeito que é beneficiário do ato administrativo. Exemplo: a morte de um servidor 
público extingue os efeitos do ato de investidura. 
 
9.2 Em razão de ato administrativo 
 
9.2.1 Introdução 
 
Retirada é a edição de um ato administrativo cuja finalidade é a extinção de outro. 
Pode dar-se por revogação, por anulação (invalidação), por cassação, por contraposição 
(derrubada) ou por caducidade. 
 
Cassação: o beneficiário do ato administrativo descumpre as condições estabelecidas 
para o exercício do seu direito. Exemplo: transformação de um hotel em um bordel 
extingue sua licença para funcionamento. 
 
Contraposição ou derrubada: um ato deixa de ser válido em virtude da emissão de um 
outro ato que gerou efeitos opostos ao seu. São atos que possuem efeitos contrapostos e 
que, por isso, não podem existir ao mesmo tempo. Ex.: exoneração de um funcionário, que 
aniquila os efeitos do ato de nomeação. 
 
9.2.2 Revogação 
 
Extinção do ato administrativo válido e eficaz por motivo de conveniência e 
oportunidade (art. 53 da Lei 9.784/99). Trata-se, portanto, de um ato discricionário. 
Somente a Administração Pública, inclusive dos Poderes Judiciário e Legislativo, pode 
revogar seus atos.38 Ex.: o Corregedor-Geral do Tribunal de Justiça do Distrito Federal 
pode anular um provimento que editou na condição de autoridade administrativa. 
 
A revogação volta-se somente para o futuro (efeitos ex nunc), preservando os efeitos do ato 
revogado. O ato de revogação tem natureza (des)constitutiva, pois extingue uma situação 
jurídica pré-existente. 
 
Geralmente, os atos administrativos são revogáveis. Porém, alguns atos não podem ser 
revogados: 
a) atos consumados, ou seja, que já exauriram seus efeitos, pois não há mais efeitos 
para serem extintos (ex.: férias já gozadas); 
b) atos vinculados, que não comportam juízo de conveniência e oportunidade, pois a 
revogação é um ato discricionário e somente incide sobre outros atos discricionários 
(ex.: licença para dirigir veículos); 
 
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 \u201cA administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque 
deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os 
direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.\u201d 
(STF, Súmula 473) 
c) atos que geraram direitos adquiridos, considerados imodificáveis pela 
Constituição; 
d) atos enunciativos (meros atos administrativos), pois não produzem efeitos 
jurídicos, mas apenas expõem uma informação ou uma opinião (ex.: atestado de 
tempo de serviço); 
e) atos processuais, uma vez que sobre eles incide a preclusão administrativa; 
f) ato em que já foi exaurida a competência do agente que o produziu (ex.: decisão 
que foi objeto de recurso, sendo apreciada pelo superior hierárquico); 
g) atos complexos, que somente existem pela vontade de dois ou mais órgãos, não 
podendo ser revogados por apenas um deles. Sua extinção somente pode ser feita 
pelo Poder Judiciário. 
 
9.3 Em razão de ato administrativo ou judicial 
 
9.3.1 Introdução 
 
Nestes casos, o ato administrativo tem um vício relativo à sua validade, que pode 
manifestar-se desde o início, na nulidade, ou posteriormente à edição do ato, na caducidade. 
Em ambos os casos, a extinção pode ser feita mediante ato administrativo ou judicial. 
 
Caducidade: extinção do ato pela superveniência de uma norma que lhe retira os efeitos. 
Exemplo: a licença de funcionamento de um hotel caduca quando um novo plano diretor da 
cidade passa a considerar a área como exclusivamente residencial. A caducidade retroage 
seus efeitos até a data em que o ato tornou-se ilegal. 
 
9.3.2 Anulação 
 
Extinção do ato administrativo por motivo de ilegalidade, imoralidade ou 
incompatibilidade com edital. Trata-se de um ato declaratório quanto à existência da 
nulidade e desconstitutivo quanto aos efeitos do ato anulado. 
 
Pode ser praticado pela Administração Pública39 ou pelo Poder Judiciário. Nesse último 
caso, é necessária provocação do administrado. A competência judicial para anular depende 
da entidade na qual foi praticado o ato. Caso seja a União, suas autarquias e fundações, o 
foro competente é a Justiça Federal. Porém, os Juizados Especiais Federais não podem ser 
utilizados para anular atos administrativos.40 Nos outros casos, a competência pertence à 
 
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 \u201cA administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos.\u201d (STF, Súmula 346) 
40 \u201cNo caso em apreço, verifica-se que a autora busca, por meio de demanda ajuizada em face da União, o 
deferimento da inscrição como beneficiária do Programa Universidade para Todos - Prouni, por entender que 
preenche os requisitos legais para tanto, razão pela qual o ato que indeferiu o pedido administrativo, por via 
transversa, há de ser anulado, caso se constate que o foi indevidamente. Desta feita, deve a lide ser processada 
e julgada perante o juízo comum federal, já que o tema referente à anulação de ato administrativo está 
excluído da competência dos juizados especiais federais por determinação expressa do art. 3º, § 1º, III, da Lei 
10.259/2001.\u201d 
(STJ, CC 101735 / MS) 
Justiça Estadual.41 Diversas ações possibilitam a anulação de atos administrativos, 
destacando-se o mandado de segurança, a ação popular e a ação civil pública. 
 
A anulação tem eficácia imediata, voltando-se para o futuro e para o passado (efeitos 
ex tunc), desconstituindo tudo o que foi produzido pelo ato anulado.42 Porém, nos atos 
ampliativos de direitos, a jurisprudência tem considerado que devem ser protegidos os 
interesses das pessoas que estejam de boa-fé. Assim, caso o servidor tenha recebido, de 
boa-fé, verbas remuneratórias indevidas, não há obrigação de restituir os valores.43 Da 
mesma forma, é protegida a confiança do terceiro de boa-fé, que tem o direito de ser 
indenizado dos prejuízos decorrentes do ato nulo. 
 
Em nome dos princípios da segurança jurídica e da confiança, não se pode anular o 
ato administrativo se, decorridos cinco anos de sua edição, caso existam beneficiários 
de boa-fé (art. 54, caput, da Lei 9.784/99) 44. Esse prazo decadencial somente é aplicável 
depois da promulgação da referida lei, pois, antes, considerava-se que não havia prazo para 
a anulação.45 Mesmo que os beneficiários estejam de má-fé, a segurança jurídica impõe um 
prazo para a anulação que, nesse caso, é de dez anos. Porém, se a anulação decorrer de 
declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF, não há prazo para fazê-la.46 
 
A anulação e a revogação de ato administrativo, quando atingirem direitos individuais, 
requerem processo que garanta aos interessados os direitos ao contraditório e à ampla 
 
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 \u201cNão é da competência da Justiça do Trabalho a apuração