Atos administrativos - Alexandre Magno
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Atos administrativos - Alexandre Magno


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(servidores públicos, empregados públicos, militares e temporários) e até 
mesmo particulares em colaboração com a Administração Pública (agentes honoríficos, 
delegados e credenciados). 
 
É importante destacar que atos administrativos podem ser feitos mesmo por pessoas que 
não pertencem formalmente à Administração Pública, caso dos particulares em 
colaboração. Assim, os tabeliães, agentes delegados, realizam, no exercício de sua função 
notarial, atos administrativos. Portanto, os atos administrativos não são espécies de atos da 
Administração, uma vez que nem sempre são produzidos por órgãos administrativos. 
 
Exercício da função administrativa: os atos administrativos geralmente são praticados 
pelo Poder Executivo (órgãos e entidades da Administração Direta e da Administração 
Indireta), mas agentes de outros Poderes e, inclusive, particulares, podem praticá-los 
 
3
 De acordo com Marçal Justen Filho, \u201cInstitui-se o devido processo legal não apenas como forma de tutelar 
os particulares e seu patrimônio contra os desmandos dos agentes estatais, mas também como meio de 
impedir decisões administrativas imprudentes, aptas a gerar efeitos ruinosos sobre o patrimônio público\u201d 
(Curso de Direito Administrativo, 2008, p. 215). 
também, desde estejam que no exercício de uma função administrativa. Ex: provimento de 
um Tribunal de Justiça, que regula o funcionamento dos serviços internos; e expedição de 
precatório por tribunal4. 
 
Para diferenciar um ato administrativo de outro legislativo ou judicial, a opção mais 
simples é utilizar o critério residual, ou seja, se o ato não pertencer a essas duas últimas 
espécies será, necessariamente, administrativo, mesmo quando realizado por agente que 
não pertença ao Executivo. 
 
Definição de ato administrativo 
Ato jurídico Cria, modifica ou extingue direitos e 
obrigações. 
Unilateral Conteúdo definido apenas pela 
Administração Pública. 
Regido pelo Direito Público Ato praticado normalmente pela 
Administração Direta, autarquias e 
fundações; e excepcionalmente por 
empresas estatais. 
Realizado por agente público Agentes políticos; agentes administrativos e 
particulares em colaboração. 
Exercício de função administrativa Execução da lei de ofício, em qualquer um 
dos Poderes. 
 
 
3. Requisitos de validade dos atos administrativos 
 
São aqueles que sempre devem estar presentes em um ato administrativo para que seja 
considerado perfeito e válido. Também existe, neste ponto, profunda divergência 
doutrinária, a começar por sua denominação: são chamados de elementos, requisitos, 
condições, pressupostos e até aspectos do ato administrativo. 
 
Além disso, sua enumeração é objeto de controvérsia, divergindo os autores sobre quais são 
esses requisitos. Por uma questão didática, será adotada, inicialmente, a classificação mais 
 
4 \u201cADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL \u2013 NATUREZA JURÍDICA DA DECISÃO DO 
PRESIDENTE DO TRIBUNAL EM PRECATÓRIO \u2013 ATO ADMINISTRATIVO \u2013 SÚMULA 311/STJ. \u2013 
NÃO-CABIMENTO DE RECURSOS EXCEPCIONAIS \u2013 SÚMULA 733 DO STF. 
1. Nos termos da Súmula 311/STJ ["Os atos do presidente do tribunal que disponham sobre 
processamento e pagamento de precatório não têm caráter jurisdicional"], o ato do Presidente do Tribunal de 
Justiça que disponha sobre processamento e pagamento de precatório não tem caráter jurisdicional. 
2. Sendo assim, ainda que tenha ocorrido um erro na avaliação do Tribunal de origem - ao entender que, por 
ser matéria jurisdicional, a competência para apreciar o pedido de suspensão do precatório é do juiz de 
execução - isto não desfaz a natureza administrativa desta decisão, motivo pelo qual, segue impassível de ser 
guerreada por meio de recursos excepcionais. 
3. O ordenamento jurídico prevê ações e remédios constitucionais que podem ser utilizados contra decisões de 
natureza administrativa, não havendo que se falar em negativa da prestação jurisdicional. O que não pode 
ocorrer é o recebimento de um recurso especial interposto contra uma decisão do Tribunal que possui 
natureza administrativa.\u201d 
 (STJ, AgRg no REsp 776972 / SP) 
utilizada, que encontrou sua expressão na Lei de Ação Popular (Lei 4.717/65, art. 2°). 
Assim, devem fazer parte do ato administrativo: a competência, a finalidade, a forma, o 
motivo e o objeto. No item posterior, será apresentada a classificação feita por Celso 
Antonio Bandeira de Mello, que também conta com grande aceitação. 
 
3.1 Classificação tradicional 
 
3.1.1 Competência (sujeito competente) 
 
Competência é o conjunto das atribuições conferidas aos ocupantes de um cargo, 
emprego ou função pública. A competência é sempre um elemento vinculado do ato 
administrativo, mesmo que esse ato seja discricionário. 
 
Tradicionalmente, a competência é fixada por meio de lei. Porém, a Emenda Constitucional 
32/2001 modificou a Constituição (art. 84, VI, b) para permitir que o Presidente da 
República disponha, mediante decreto autônomo, sobre \u201corganização e funcionamento da 
administração federal\u201d. Portanto, a fixação da competência dos órgãos e agentes públicos é 
matéria reservada, hoje, não mais a lei, mas a decreto autônomo. 
 
A competência é intransferível e irrenunciável, mas a execução do ato pode ser delegada, 
para agentes ou órgãos de mesma ou de inferior hierarquia, ou mesmo avocada, para 
agentes ou órgãos subordinados (ver arts. 11 a 17 da Lei 9.784/99). 
 
Para ser válido, o ato administrativo deve estar incluído entre as atribuições do agente que o 
pratica. Caso contrário, o ato deve ser anulado e o agente responsabilizado por uma espécie 
de abuso de poder chamada de excesso de poder. 
 
Além disso, a competência implica, para o agente, um dever de agir sempre que for 
necessário o ato para o qual ele foi investido. A omissão no cumprimento desse dever 
também gera a responsabilização do agente público, que pode ser inclusive penal, no caso 
de abandono de função (Código Penal, art. 323). 
 
Caso o particular realize, de má-fé, ato administrativo para o qual não tem competência, 
poderá ser responsabilizado penalmente por crime de usurpação de função pública, previsto 
no art. 328 do Código Penal. O agente público também pode responder penalmente caso 
pratique ato administrativo antes de tomar posse do cargo ou em situações nas quais não o 
exerça mais, como aposentadoria, remoção e exoneração (Código Penal, art. 324). 
 
O ato praticado por agente incompetente pode ser convalidado (sanado) por aquele que tem 
a competência. Nesse caso, a convalidação é chamada de ratificação e somente não é 
possível no caso de competência exclusiva, ou seja, indelegável. A ratificação é ato 
discricionário da autoridade competente. 
 
Competência 
Conceito Conjunto das atribuições de um agente, 
órgão ou entidade pública. 
Determinada por Decreto autônomo 
Caracteres Irrenunciável, inderrogável e intransferível 
Quanto ao regramento Elemento vinculado 
Infração administrativa Executar ato para o qual não tem atribuição 
(excesso de poder) ou deixar de executar as 
atribuições (omissão). 
Crimes Abandono de função; exercício funcional 
ilegalmente antecipado ou prorrogado; e 
usurpação de função pública. 
Convalidação de ato com vício na 
competência 
Denominada ratificação. É possível se a 
competência não for exclusiva. 
 
 
3.1.2 Finalidade 
 
De acordo com di Pietro (2004, p. 202), \u201cfinalidade é o resultado que a Administração 
quer alcançar com a prática do ato. Enquanto objeto é o efeito jurídico imediato que o 
ato produz (aquisição, transformação ou extinção de direitos) a finalidade é o efeito 
mediato. Distingue-se do motivo, porque este antecede a prática do ato, correspondendo aos 
fatos, às circunstâncias, que levam a Administração a praticar o ato. Já