Atos administrativos - Alexandre Magno
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Atos administrativos - Alexandre Magno


DisciplinaDireito Administrativo I61.283 materiais1.085.058 seguidores
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MS 14670 / DF) 
28 \u201c1. A controvérsia essencial dos autos desvela-se por meio da submissão de ato administrativo ao controle 
judicial, em particular em relação à legalidade do ato, discricionário ou vinculado, sobretudo, no que diz 
respeito à competência, à forma e à finalidade legalmente previstas. 
2. Contravindo aos bem lançados argumentos recursais, a jurisprudência do STJ entende, em hipótese 
semelhante a destes autos, ser possível a intervenção do Poder Judiciário nos atos regulatórios (editais) que 
regem os concursos públicos.\u201d 
(STJ, AgRg no REsp 673461 / SC) 
29 \u201cAGRAVO REGIMENTAL. SUSPENSÃO DE LIMINAR E DE SENTENÇA. EXAME DE QUESTÃO 
DE MÉRITO. PRECATÓRIO JUDICIAL. DECISÃO DO PRESIDENTE. SEQUESTRO DE VERBA 
PÚBLICA. ATO ADMINISTRATIVO. ENUNCIADOS N. 311 E 733 DAS SÚMULAS DESTA CORTE E 
DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, RESPECTIVAMENTE. 
(...) 
\u2013 Cuidando-se de ato de natureza administrativa, a decisão de presidente de tribunal que, nos autos de 
precatório judicial, determina o sequestro de verba pública não se sujeita a recurso especial ou extraordinário 
e, por consequência, também não pode ser objeto de suspensão de liminar, de sentença ou de segurança.\u201d 
correção de prova de concurso público que, por não envolver questões de legalidade, não 
pode ser modificada pelo Judiciário 30, exceto se for demonstrada a ofensa a princípios da 
Administração.31 
 
Conceitos jurídicos indeterminados são expressões de significado vago, que devem ser 
definidas de acordo com critérios de oportunidade e conveniência administrativa. Ex.: 
\u201cinsubordinação grave\u201d e \u201cmanter conduta compatível com a moralidade pública\u201d. Nesses 
casos, a discricionariedade reside na interpretação da lei. 
 
A denominada \u201cdiscricionariedade técnica\u201d não é, na verdade, discricionariedade. 
Trata-se de simples vinculação da Administração Pública à melhor solução para 
determinado problema, manifestada por meio de um parecer (laudo) de um 
especialista. Ex.: um geólogo verifica que determinado morro, habitado por diversas 
pessoas, pode desabar a qualquer momento. Nesse caso, a Administração não tem opção: 
deve, simplesmente, determinar a evacuação imediata do local. 
 
O controle exercido pelo Judiciário sobre esses atos é bastante restrito, somente sendo 
possível anulá-los se o laudo técnico, que constituiu seu motivo, for derrubado por outro 
laudo ainda mais consistente. Somente nesse ponto é que reside a analogia com o ato 
verdadeiramente discricionário: em ambos os casos, existe um espaço vedado à 
interferência judicial \u2013 o mérito administrativo e o parecer técnico. 
 
Vinculação Relação obrigatória entre um dado motivo e 
 
(STJ, AgRg na SLS 1102 / RJ) 
30 \u201cOs critérios de correção de provas, atribuição de notas e avaliação de títulos adotados pela Comissão de 
Concursos, em regra, não podem ser revistos pelo Judiciário, cuja competência se restringe ao exame da 
legalidade, ou seja, à observância dos elementos objetivos contemplados no edital e na lei que regem o 
certame. A justiça ou injustiça da decisão da Comissão Permanente de Concursos é matéria de mérito do ato 
administrativo, sujeita à discricionariedade técnica da autoridade administrativa.\u201d 
(STJ, RMS 23878 / RS) 
31 \u201cADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. JUIZ SUBSTITUTO DA MAGISTRATURA DO 
ESTADO DO CEARÁ. CONTROLE JUDICIAL DO ATO ADMINISTRATIVO. LIMITAÇÃO. 
OPORTUNIDADE E CONVENIÊNCIA. EXIGÊNCIA DO ENUNCIADO DA QUESTÃO NÃO 
VALORADA NO ESPELHO DE CORREÇÃO DA PROVA DE SENTENÇA PENAL. AUSÊNCIA DE 
RAZOABILIDADE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA CONFIANÇA E DA MORALIDADE. INCLUSÃO 
DE NOVO ITEM NO ESPELHO DE CORREÇÃO. REDISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS. 
1. É cediço que o controle judicial do ato administrativo deve se limitar ao exame de sua compatibilidade com 
as disposições legais e constitucionais que lhe são aplicáveis, sob pena de restar configurada invasão indevida 
do Poder Judiciário na Administração Pública, em flagrante ofensa ao princípio da separação dos Poderes. 
2. Desborda do juízo de oportunidade e conveniência do ato administrativo, exercido privativamente 
pelo administrador público; a fixação de critérios de correção de prova de concurso público que se 
mostrem desarrazoados e desproporcionais, o que permite ao Poder Judiciário realizar o controle do 
ato, para adequá-lo aos princípios que norteiam a atividade administrativa, previstos no art. 37 da 
Carta Constitucional. 
3. Mostra-se desarrazoado e abusivo a Administração exigir do candidato, em prova de concurso público, a 
apreciação de determinado tema para, posteriormente, sequer levá-lo em consideração para a atribuição da 
nota no momento da correção da prova. Tal proceder inquina o ato administrativo de irregularidade, pois 
atenta contra a confiança do candidato na administração, atuando sobre as expectativas legítimas das partes e 
a boa-fé objetiva, em flagrante ofensa ao princípio constitucional da moralidade administrativa.\u201d (grifou-se) 
 (STJ, RMS 27566 / CE) 
o conteúdo de um ato. 
Discricionariedade Liberdade administrativa para definir o 
conteúdo do ato em razão de um 
determinado motivo. 
Controle judicial Possível tanto em atos vinculados quanto 
em discricionários. 
Elementos do ato administrativo Sujeito (competência), finalidade e forma \u2013 
elementos vinculados; motivo e conteúdo 
(objeto) \u2013 elementos discricionários. 
Mérito Espaço de liberdade decisória plena do 
administrador público \u2013 limitado pelas 
normas administrativas, leis, Constituição e 
princípios. 
Conceitos jurídicos indeterminados Expressões que comportam vários sentidos 
\u2013 presença da discricionariedade na 
interpretação. 
\u201cDiscricionariedade\u201d técnica Vinculação administrativa a um parecer 
técnico. 
 
 
7. Classificação dos atos administrativos 
 
7.1 Quanto ao alcance 
 
Internos: seus efeitos atingem apenas os agentes que pertencem à entidade que editou 
o ato. Ex: portaria que regulamenta o processo administrativo no âmbito do Banco Central. 
Geralmente, os atos praticados por entidades da Administração Indireta têm efeitos apenas 
internos. 
 
Externos: seus efeitos jurídicos afetam pessoas de fora da entidade que o produziu. 
Ex.: multa aplicada pelo INSS a empresa que deixou de repassar as contribuições 
previdenciárias. Uma das características das autarquias de regime especial, como as 
agências reguladoras, é o poder de editar normas técnicas, que têm efeitos externos. 
 
7.2 Quanto aos destinatários 
 
Gerais, abstratos, impróprios ou normativos: servem para regular determina situação, 
por isso têm destinatários indeterminados. Exemplo: decreto que regulamenta o imposto de 
renda. São chamados de impróprios porque, materialmente, são considerados como leis e 
não como atos administrativos. 
 
Individuais, concretos ou próprios: regulam situações concretas e destinam-se a pessoas 
específicas. Exemplo: portaria de nomeação para cargo em comissão. Em uma concepção 
estrita, somente esses atos são administrativos. Da mesma forma, se uma lei atingir pessoas 
determinadas, será considerada como tal apenas formalmente, sendo, materialmente, ato 
administrativo 32, não sendo passível de ação declaratória de inconstitucionalidade.33 
 
Os atos gerais também são distintos dos atos individuais nas seguintes situações: 
a) anulação: é necessário o contraditório e ampla defesa apenas no caso de anulação 
de ato individual; 
b) revogação: o ato individual que dê origem a direitos adquiridos torna-se 
irrevogável, o que não acontece com o ato geral. 
 
7.3 Quanto à intervenção da vontade administrativa 
 
Simples: tem apenas uma manifestação de vontade, mesmo que seja emitida por um 
órgão coletivo. Ex.: regimento interno de um tribunal, que é aprovado pela maioria 
absoluta dos