Biologia da Conservação e Manejo da Vida Silvestre_Cullen_Rudy_Rudran_e_Valladare -1
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numerosas técnicas específicas, para algumas determinadas ordens 
ou famílias de insetos, foram desenvolvidas (Merritt & Cummins 1996). Em 
geral, uma larva adulta ou pupa é colecionada e mantida em um ambiente 
seminatural até a emergência da fase adulta. O espécime adulto é, então, pre­
servado e identificado junto com o exoesqueleto liberado da larva e pupa. 
Junto com os espécimes adultos, deve-se coletar as fases aquáticas dos insetos 
não adultos para ajudar na identificação do exoesqueleto.
Finalmente, coletas de adultos devem ser feitas perto dos ambientes aquáticos, 
amostrados, sempre que possível. Pode-se usar redes de varredura ou'redes 
do tipo fole (beating nets) para capturar insetos pousados na vegetação próxi­
ma da água, e armadilhas luminosas e-armadilhas de M alaise, que são méto­
dos efetivos para obter espécimes de adultos (Martin 1977). Também podem 
ser usadas armadilhas emergentes flutuantes, as quais capturam insetos assim 
que eles deixam a água para iniciar a fase adulta voadora. Métodos de preser­
vação variam para os adultos pertencente a um determinado táxon de inseto, 
mas a maioria pode ser armazenada em etanol 95%.
Um microscópio estereoscópico (10X a 60X ampliação) com uma fonte lumi­
nosa incidente é necessário para separar e identificar a maioria de macroinver­
tebrados aquáticos. O microscópio deve ser provido de um micrômetro ocular 
(uma régua com uma escala visível pela lente ocular), caso seja necessário 
obter medidas de comprimento, largura da cápsula da cabeça etc. O micrôme­
tro é calibrado para cada ampliação comparando suas gradações com as da 
régua de cálculo colocada na base do microscópio (Pantin 1960). Para exami­
nar o menor detalhe das estruturas morfológicas e pequenos macroinvertebrà- 
dos - por exemplo, as cápsulas da cabeça das larvas da família quironomídeos 
(Diptera: Chironomidae) ou nematoides inteiros - é necessário um microscó­
MACROINVERTEBRADOS AQUÁTICOS COMO
INDICADORES AMBIENTAIS DA QUALIDADE DE ÁGUA-
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pio mais poderoso (40X a 400X ampliação) com um campo intenso de ilumi­
nação. Lâminas temporárias ou permanentes podem ser preparadas usando-se 
meios de suporte contendo glicerina ou meio de Hoyer (Martin 1977).
- i ' ,
Delineamento da amostragem, técnicas e análises
Algumas das melhores referências deste assunto são Elliot (1977), Morin (1985), 
e Merritt & Cummins (1996).
Medida de espaço e tempo para amostragem
A medição espacial e temporal do delineamento da amostragem dependerá 
dos objetivos do estudo (Elliot 1977). Frequentemente, avalia-se a história e o 
comportamento dos macroinvertebrados aquáticos em. uma única área rasa da 
lagoa ou ao longo de uma extensão curta do riacho (por exemplo, Smith 1979; 
Sweeney & Vannote 1982). Estudos também podem ser realizados nesta área, 
como, por exemplo, fazer uma comparação do crescimento dos perifiton em 
cima de áreas pequenas do substrato, na presença ou ausência de macroinver­
tebrados do tipo raspadores (McAuliffe 1983). Porém, se as amostras forem 
usadas para tirar conclusões sobre uma área geográfica maior, por exemplo, 
uma bacia de rio ou uma região grande de zòna aquática/pântanos, a área espa­
cial a ser amostrada precisará ser bem maior. As investigações sobre população 
e comunidade são geralmente realizadas nessa escala. Por exemplo, para docu­
mentar a densidade da população de uma espécie de inseto de um riacho 
localizado em uma região da floresta tropical sazonal, amostras devem ser co­
letadas de mais de um riacho e de vários pontos longitudinais (rio acima-a 
jusante) ao longo dos riachos. Os resultados desse tipo de estudo servirão 
para o cálculo de populações para a região, para bacias de fluxos individuais, 
e mostrarão as posições longitudinais ao longo de fluxos onde o inseto é mais 
abundante. Outros exemplos de estudos nessa escala incluem uma compara­
ção experimental da resposta de comunidades de macroinvertebrados para 
sedimentação em lagoas de fazenda, com e sem gado de pastagem, ou uma 
pesquisa sobre a biodiversidade de macroinvertebrados em uma bacia desco­
nhecida de um rio.
A escala temporal para realizar a amostragem também varia com as necessida­
des do estudo. Para documentar eventos da história natural, como o desenvol­
vimento das larvas, pupas ou períodos de acasalamento, amostras frequentes 
devem ser coletadas. Intervalos de amostragem, os quais variam de dias a 
meses, serão necessários dependendo das espécies de macroinvertebrados e
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MACROINVERTEBRADOS AQUÁTICOS COMO
INDICADORES AMBIENTAIS DA QUALIDADE DE ÁGUA
os fatores ambientais como temperatura e disponibilidade de comida. Para 
estudos regionais ou de grandes bacias, o tempo e os recursos limitados nor­
malmente restringem a frequência das coletas das amostras para mensais, sa­
zonais ou anuais.
Inventários qualitativos versus quantitativos
A amostragem quantitativa é usada para calcular a abundância absoluta ou 
relativa de macroinvertebrados aquáticos. Dados de abundância absoluta po­
dem ser expressos de vários modos: 1) número ou biomassa por área do subs­
trato aquático; 2) número ou biomassa por massa do substrato aquático (por 
exemplo, se o substrato consiste de partículas de detritps com massa/pesáveis, 
como folhas), ou 3) número ou biomassa por volume de água.
As duas primeiras medidas aplicam-se aos macroinvertebrados do tipo bênti- 
co, os quais passam as suas fases aquáticas presos ou se mudando de substra­
tos em ambientes aquáticos (por exemplo, pedras, sedimentos, as partículas 
de detritos, e plantas aquáticas). A terceira medida é usada para um número 
pequeno de macroinvertebrados que vivem principalmente em água aberta, por 
exemplo, camarões misidácèos (Crustacea: Mysidacea) e (Diptera: Chaoboridae) 
iThorp e Covich 1991). A abundância relativa é normalmente expressa como 
dados relativos de composição, por exemplo, por cento (%) ou proporção de 
desfibradores, grazers etc (Cummins & Klug 1979).
Amostragens quantitativas são requeridas para estudos sobre a história natu­
ral, populações, comunidades e produção secundária de macroinvertebrados 
aquáticos. Embora alguns tipos de amostras qualitativas possam ser usados 
para calcular as medidas das abundâncias relativas, eles são normalmente usa­
dos para coletar dados categóricos sobre os macroinvertebrados. Esses dados 
são usados para cálculos métricos ou índices discutidos abaixo. Exemplos 
comuns de dados coletados incluem:
1) composição'de porcentagem (por exemplo: % Trichoptera, % Plecoptera etc);
2) abundância semiquantitativa (por exemplo: raro, comum, ou abundante), ou
3) presença/ausência de táxons (por exemplo: espécies A - presente, espécies 
B - ausente, etc).
Essas medidas, juntamente com os cálculos métricos e os índices, são princi­
palmente usadas para pesquisas sobre fauna, isto é, lista de táxon de locais 
diferentes ou regiões (Elliot 1977), ou em uma avaliação biológica dos detritos 
na qualidade de água (por exemplo Barbour et al. 1996).
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Am o s t r a g e m qu an t i ta t iva e a n á l i s e
Análise preliminar: cálculo do número de réplicas necessárias para 
a amostragem quantitativa
Para inventários quantitativos de macroinvertebrados, é preciso fazer repeti­
ções ou réplicas da amostragem (Elliot 1977). As réplicas das amostras permi­
tem ao investigador fixar limites de confiança estatística das medidas de abun­
dância. Por exemplo, 95% de limite de confiança ao redor da densidade média 
de algumas espécies em um determinado local. O número ótimo de réplicas 
necessário para estimar a abundância pode ser determinado com a seguinte 
informação (Morin 1985): 1) a precisão necessária para as estimativas de abun­
dância (é determinado pelos objetivos do estudo); 2 ) o custo (tempo) de coletar 
e processar as amostras; 3) a variação das medidas da abundância, 4) a abun­
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