Biologia da Conservação e Manejo da Vida Silvestre_Cullen_Rudy_Rudran_e_Valladare -1
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Biologia da Conservação e Manejo da Vida Silvestre_Cullen_Rudy_Rudran_e_Valladare -1


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ser 
Utilizadas regressões publicadas de comprimento-peso (Benke et al. 1999). Ao 
usar as regressões publicadas, devem-se usar equações desenvolvidas para os 
táxons mais próximos às espécies em estudo, por exemplo, equações j)ara 
espécies do mesmo gênero.
Opções de análise para estudos quantitativos
As análises estatísticas apresentadas exploram padrões e tendências nos da­
dos quantitativos que foram coletados e também permitem testar as hipóteses 
de estudos experimentais. Dois textos excelentes em análise estatística são os 
de Sokal & Rohlf (1995) e Zar (1996). Para que as análises revelem diferenças 
estatísticas, é preciso uni número adequado de repetições das amostras e, para 
que estas análises sejam válidas, é necessário um esquema apropriado para 
amostragem aleatória. Outras suposições que devem ser satisfeitas para muitos 
dos testes estatísticos paramétricos usados, por exemplo, ANOVA ou análise 
de regressão, são: as abundâncias das amostras devem ser normalmente distri-
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DONALD P. EATON
buídas e as amostras comparadas devem apresentar variâncias iguais (Sokal & 
Rohlf 1995). A última suposição raramente é satisfeita para as amostras.de |
ipacroinvertebrados aquáticos (Elliot 1977). As distribuições das amostras são 
tipicamente deslocadas à direita (isto é, deslocadas positivamente), e as variân­
cias frequentemente aumentam com o aumento da média das abundâncias. 
Portanto, os dados precisam ser transformados antes dos testes paramétricos , 4
serem usados. Para os dados dos macroinvertebrados, uma das mais comuns 
conversões para satisfazer as suposições estatísticas é:
y' = log (y + í)
em que y' é a abundância estimada transformada e y é a abundância não trans­
formada. Ressalta-se, porém, que os dados transformados devem ser testados 
para "confirmar se eles satisfazem as suposições da análise estatística. Caso 
isso não ocorra, outras conversões devêm ser avaliadas ou outros testes, tais 
como os não paramétricos (Zar Í996), devem ser usados.
Estudos populacionais que comparam locais, períodos de tempo ou tratamen­
tos podem ser analisados com uma variedade de desenhos de ANOVÀ. Re­
gressão ou análise de correlação podem ser usadas para explorar as relações de 
variáveis ambientais e abundâncias de espécies (Sokal & Rohlf 1995; Zar 1996).
Os seguintes exemplos ilustram o uso de diferentes opções de análise:
1) um fator-único (ANOVA) para comparar as amostras das populações de 
uma espécie de mexilhão de água doce'(Bivalvia: Unionacea) coletadas de 
10 riachos regionais (se uma diferença entre as populações do riacho for 
estatisticamente significativa, comparações múltiplas emparelhadas serão 
usadas para mostrar quais foram as populações de mexilhão que diferiram 
umas das outras);
2) um fator-dois (ANOVA) que usa um bloco delineado ao acaso para com 
parar as populações de uma espécie de libélula (Odonata) em diferentes 
-zonas de planta aquáticas e em diferentes lagoas (lagoas são usadas como o 
critério para a formação dos blocos);
3) um fator-dois (ANOVA) que compara os efeitos da cobertura da vegeta­
ção de uma área ribeirinha e a intensidade de tráfico de barcaça em popula­
ções de uma espécie (Efemeróptera) que habita um rio longo (o efeito de 
interação da cobertura da vegetação ribeirinha e a intensidade de tráfico de 
barcaça também são testados);
4) uma análise de regressão que investiga o efeito de efluentes de uma 
destilaria de álcool em populações de camarões de água doce (Decapoda;
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MACROINVERTEBRADOS AQUÁTICOS COMO
INDICADORES AMBIENTAIS DA QUALIDADE DE ÁGUA
Palaemonidae) (amostras são obtidas de vários intervalos de distância a ju­
sante da destilaria, assim pode-se observar os efeitos de uma gama de con­
centrações de efluentesj.
Os conjuntos de dados dos estudos das comunidades de macroinvertebrados 
são muitos. Eles consistem de tabelas ou matrizes, de estimativas de abundân­
cias organizadas por táxon e local (Pielou 1984). Pode haver 200 ou mais táxons 
nas matrizes, e os locais podem ser organizados em dois ou mais-níveis hierár­
quicos, por exemplo, hábitat, trecho da correnteza e bacia do rio. Para inter-. 
pretar os dados de matrizes, vários métodos, como por exemplo o de Análises 
de Componentes Principais (PAC) e Análise de Correspondência (DAC) foram 
criados para agrupar ou classificar as espécies e locais, de forma a esclarecer a 
estrutura subjacente (se houver uma). Pode-se, por.exemplo,- agrupar locais de 
correnteza em vales arborizados e em vales desflorestados. Outros métodos 
correlacionam variáveis ambientais às comunidades classificadas, em uma ten­
tativa para explicar a estrutura da comunidade, por exemplo, Análise Discri­
minante Múltipla (AMD) (Marchant et al. 1997). O campo de classificação da 
comunidade está em constante evolução e, portanto, é vasta a literatura no 
assunto. Os textos introdutórios de Pielou (1984) e Ludwig & Reynolds (1988) 
são muito bons. O uso dessas técnicas para analisar as comunidades de ma­
croinvertebrados aquáticos é discutido por Jackson (1993), Norris & Georgfes 
(1993), dentre outros.
Os macroinvertebrados aquáticos também podem ser agrupados em um con­
junto funcional com mais de uma comunidade, dependendo dos mecanis­
mos morfológicos e de comportamento alimentar (Cummins & Klug 1979). 
Os conjuntos que são chamados de grupos funcionais de alimentação, por 
exemplo, foram descritos na introdução, ou seja, desfibradores, coletores, 
raspadores, predadores etc. Número e biomassa de cada grupo funcional 
podem ser determinados somando-se os dados de táxons individuais, e as 
comparações entre locais e estações podem ser analisadas através da ANOVA. 
índices de diversidade, como os descritos no capítulo que trata de vegetação 
(Capítulo 17, neste volume), também podem ser usados para comunidades 
de macroinvertebrados. Porém, esses índices foram criticados na literatura 
porque eles são relativamente insensíveis a mudanças em estrutura de comu­
nidade, e eles são difíceis de ser interpretados corretamente (Washington 
1984; Norris & Georges 1993).
DONALD P. EATON
Amostragem qualitativa e análise para avaliação biológica da 
qualidade de água
Os métodos qualitativos de amostragem são usados para economizar tempo e 
recursos. Por exemplo, um taxonomista pode se interessar pela distribuição 
geográfica de espécies de uma determinada família ou outra categoria taxonô- 
mica. O objetivo neste caso é compor listas de espécies de várias regiões. A 
avaliação da abundância neste caso é de importância secundária e pode não 
ser prática. Órgãos ambientais de fiscalização interessados em monitorar a 
qúàlidade da água precisam -usar métodos que lhes permitam visitar muitos 
locais regularmente (Rosenberg & Resh 1993). Vários dos métodos usados, os 
chamados "protocolos de avaliação biológica rápida (RAP)", minimizam o tem­
po e o custo da coleta, processamento e classificação das amostras.
Para as avaliações biológicas, amostras qualitativas de macroinvertebrados são 
coletadas normalmente através de redes de arremesso ou imersão. Dependen­
do do protocolo a ser usado, a coleta é feita durante um determinado período 
de tempo ou até que um número específico de macroinvertebrados (por exem­
plo, 200) seja coletado. Normalmente, em um único local, não há nenhuma 
réplica, e a área amostrada não é escolhida ao acaso. Para obter o maior número 
possível de taxa de um local, coletas de amostras são realizadas em diferentes 
hábitats e, em seguida, são agrupadas para formar uma única amostra.
O processamento da amostra pode ser realizado no local usando bandejas 
brancas e pinças. Redes com tamanhos de malha relativamente grandes são 
usadas, de forma a tornar possível a seleção de amostras sem o uso de um 
microscópio. Porém, exames microscópicos ainda são necessários para identi­
ficar espécies ou classificar os espécimes em categorias
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