Biologia da Conservação e Manejo da Vida Silvestre_Cullen_Rudy_Rudran_e_Valladare -1
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Biologia da Conservação e Manejo da Vida Silvestre_Cullen_Rudy_Rudran_e_Valladare -1


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forem os meios empregados, o sucesso do procedimento de mani­
pulação de animais silvestres em vida livre requer planejamento intenso. Esse
Segundo Pachaly (1992), a contenção pode ser realizada pelos seguintes' 
meios: 1) Meios físicos (\u201ccontenção física\u201d); 2 ) Meios químicos (\u201ccontenção 
farmacológica\u201d) e 3) Associação de ambos os meios. Segundo o mesmo autor,
, alguns requisitos fundamentais devem ser observados na escolha do método 
de contenção adequado. O método escolhido deve: 1) Permitir plena seguran­
ça para o animal; 2) Permitir plena segurança para a equipe envolvida; e 3) 
Permitir a realização adequada do procedimento médico ou de manejo que 
causou a necessidade de contenção (Figura. 2).
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PATRÍCIA AVELLO NICOLA
planejamento deve considerar principalmente:
1 . A espécie que se deseja manipular;
2 . A quantidade de indivíduos que serão manipulados durante cada captura; 
3 . 0 método de captura que será empregado;
4. Os equipamentos disponíveis para realizar o procedimento;
5. A necessidade ou não do uso de fármacos anestésicos;
6 . Quanto tempo será necessário conter os animais capturados;
7. Se há necessidade de translocar o animal do local de captura;
8 . A capacidade técnica das pessoas envolvidas;
9. As condições do ambiente onde serão realizadas as capturas, e
10 . Quais as eventualidades que podem ocorrer durante a captura, além dos 
procedimentos qué deverão ser tomados caso elas ocorram.
O equipamento de captura deve conferir segurança à equipe e evitar que o 
animal capturado sofra ferimentos durante a permanência no interior da jaula. 
Somente contemplando todos esses pontos pode-se minimizar o estresse de­
corrente de tais práticas., As consequências do estresse envolvido em um pro­
cesso de captura podem ser graves, ocasionando a morte do animal. A patofi- 
siologia do estresse e suas consequências médicas são. assuntos que poderiam 
ser abordados em um capítulo à parte, entretanto, tais temas são discutidos em 
detalhes por Pachaly et al. (1993) e Spraker (1993), textos fundamentais ao 
entendimento mais profundo do estresse. Como fator relevante, devemos con­
siderar que algumas espécies ou grupos taxonômicos são mais suscetíveis aos 
efeitos do estresse e devem ser manipulados com mais cuidados. Dessa forma, 
a metodologia de captura deve ser avaliada conforme as características da espé­
cie com que se trabalha. Deve-se ressaltar que o estresse é um dos fatores de 
maior importância durante qualquer procedimento que envolva manipulação 
de animais silvestres. Todo o manejo deve ser planejado de forma que esse 
seja reduzido. Contudo, silêncio durante os procedimentos é uma das medi­
das mais efetivas na redução do estresse, principalmente quando se manipu­
lam animais apenas sob contenção física. O excesso de ruídos e a movimenta­
ção desnecessária ao redor do animal são importantes fatores de estresse e po­
dem alterar os efeitos de determinados agentes anestésicos. Adicionalmente, 
essas situações de desordem alteram a capacidade de concentração da equipe.
Durante qualquer procedimento deve-se priorizar dois aspectos éticos funda-
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CAPTURA E MARCAÇÃO DE ANIMAIS SILVESTRES
mentais. Primeiramente, toda a manipulação deve ser planejada de forma que 
possa preservar a integridade física do animal capturado. Devem-se evitar sem­
pre quaisquer práticas que possam prejudicar o bem-estar futuro do animal ou 
pôr em risco sua vida. Em segundo, conforme as prioridades e objetivos do 
estudo, todo o processo deve ser planejado de forma que possa ser cumprido 
em etapas. Caso a execução de qualquer uma das etapas demonstre ser .perigo­
sa à sobrevivência do animal, as demais devem ser suspensas. Essa decisão 
deve vir em benefício da saúde do animal, mesmo que isso prejudique os 
resultados do estudo proposto.
Contenção física de animais silvestres
Segundo Pachaly (1992), a contenção física baseia-se no \u201cconfinamento\u201d do 
animal que se pretende conter, na \u201crestrição\u201d de seus movimentos defensivos 
e, finalmente, em sua subjugação, permitindo o acesso seguro a seu corpo. A 
contenção física pode ser realizada diretamente, sem o auxílio de equipamen­
tos de segurança, com as mãos nuas, ou utilizando-se alguns equipamentos 
especiais.
A metodologia de contenção ffsica deve impossibilitar a ocorrência de aciden­
tes que possam causar lesões, tanto ao animal quanto ao indivíduo que o 
manipula. O indivíduo que realiza a contenção física deve cumprir às exigên­
cias básicas, ressaltadas por Fowler (1983), onde um procedimento de restri­
ção física, para ser bem sucedido, requer o conhecimento da biologia da espé­
cie e a autoconfiança do pesquisador que realiza a contenção, o que demanda 
experiência.
Primeiramente, como citado acima, é preciso conhecer a biologia do animal em 
questão, atentando ao seu comportamento, anatomia e a maneira como este 
suporta ou responde às situações de estresse. Isto implica saber se a reação 
decorrente da contenção resulta numa postura de ataque, defesa ou fuga e 
quais estratégias o animal pode responder, seja usando unhas, dentes, chifres, 
bico, dentre outras. Importante também é estimar o possível ponto de fuga da 
espécie e reconhecer como essa distância pode influenciar de forma positiva 
ou negativa a contenção. Diante dessas características, intrínsecas ao animal, 
deve-se selecionar a técnica de contenção física mais apropriada. Muitas das 
técnicas de contenção comuns à rotina em zoológicos, detalhadas por Fowler 
(1978), podem ser perfeitamente aplicadas a animais.
A autoconfiança, experiência e disciplina da pessoa que subjuga o animal sâo 
fundamentais. A disciplina em cumprir todas as etapas do processo deve ser
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observada. Algumas vezes o operador demonstra tendência a relevar pontos 
importantes no processo de contenção, principalmente quando um método é 
executado repetidas vezes e cria-se familiaridade com os procedimentos. Essa 
negligência, decorrente da sensação de que o processo tornou-se extremamente 
seguro ou fácil, é responsável por muitos acidentes. Deve-se evitar a presença de 
obstáculos que possam impossibilitar o trabalho com o animal, ou a presença de 
extremidades agudas ou cortantes que possam causar lesões ao espécime captura­
do. No projeto das armadilhas, devem-se vislumbrar algumas formas de acesso 
eficiente áo corpo do animal, seja por meio de equipamentos especiais õu não.
Equipamentos para contenção física
A utilização de equipamentos especiais para contenção física de animais silves­
tres varia com a idade, o peso e o grupo taxonômico do animal capturado. A 
seguir descrevem-se alguns dos equipamentos mais utilizados e sua aplicação.
Gancho: Equipamento utilizado para contenção de serpentes. E composto de 
um cabo de madeira, plástico ou metal, que em uma de suas extremidades 
possui uma haste de metal resistente na forma de \u201cL\u201d. É utilizado para, além 
de permitir a imobilização do crânio numa superfície sólida, suspender pela 
porção medial do corpo, fazendo com que a serpente perca o equilíbrio dificul­
tando "a investida do animal contra o operador. Utilizado na manipulação de 
serpentes em geral. Algumas espécies da família Colubridae conseguem, com 
facilidade, progredir em movimento mesmo quando suspensas, esquivando- 
se do gancho. Grandes serpentes constritoras dificilmente podem ser suspen­
sas de forma satisfatória por ganchos.
Luvas de raspa de couro: Utilizadas para proteção das mãos na contenção 
direta de um animal ou em associação a outro equipamento de contenção físi­
ca. Utilizada como único equipamento de segurança, em situações que propor­
cionem maior aproximação do indivíduo que realiza a contenção. Podem ser 
empregadas em ampla variedade de espécies de aves, répteis e mamíferos de 
pequeno e médio porte.
Puçá: Equipamento
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