Biologia da Conservação e Manejo da Vida Silvestre_Cullen_Rudy_Rudran_e_Valladare -1
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utilizado para contenção de várias espécies de aves, mâ- 
míferos, anfíbios, répteis e peixes. Utilizado, principalmente, para animais 
pouco agressivos. É composto de um cabo de madeira ou ferro, possuindo, em 
uma de suas extremidades, um aro de metal que sustenta uma rede de cordas 
ou saco de pano. O aro de metal e a rede podem possuir diferentes tamanhos, 
apropriados às dimensões do animal em estudo.
Rede: Geralmente confeccionadas em cordas de fibras naturais ou sintéticas,
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CAPTURA E MARCAÇÃO DE ANIMAIS SILVESTRES
podem ser empregadas de diferentes formas na contenção e na captura de uma 
grande variedade de espécies de aves e mamíferos. Devem ser preferencial­
mente de cor negra, dificultando que os animais as vejam a longas distâncias. 
Redes de malha fina, chamadas redes de neblina ou mist nets, confeccionadas 
com fios muito delgados, são utilizadas como um dos principais métodos de 
captura de aves e morcegos (mais detalhes em Auricchio & Salomão 2002 ). 
Redes mais resistentes, com malhas maiores posicionadas em pontos estraté­
gicos, têm sido utilizadas com sucesso na captura de cervídeos (JDuarte 1992; 
Segundo 1999) e na contenção de taiassuídeos.
Cambão e corda: Os cambões são equipamentos utilizados para contenção de 
várias espécies, principalmente mamíferos e grandes répteis. Existem vários 
modelos de cambões, sendo que todos utilizam o princípio do laço para a 
contenção dos animais. São compostos por um cabo de madeira, ou outro 
material resistente, que serve de guia para um laço feito com tira de couro ou 
corda. Preferencialmente, deve-se laçar a região cervical e um dos membros 
torácicos do animal que está sendo manipulado. Quando se contém um ani­
mal apenas pela região do pescoço, deve-se ter cautela para não aplicar força 
excessiva, ou permitir que o animal capturado gire ao redor do seu eixo sagi- 
tal, o que pode causar lesões comprometendo as vértebras cervicais. Usuâl- 
mente, não se empregam cordas para contenção de animais silvestres, como se 
utilizam para animais domésticos, como bovinos e equinos. Em algumas si­
tuações, para maximizar a ^segurança de outros métodos de contenção, cordas 
podem ser empregadas, atando os membros locomotores ou a cabeça do ani­
mal para imobilização por via química.
Jaulas e caixas de contenção: São confeccionadas em madeira ou metal com 
um mecanismo de engrenagens e trilhos, que possibilitam o movimento de 
uma das laterais, comprimindo o animal contra uma grade ou tela. Esse equi­
pamento possibilita certa manipulação do animal, administração de medica­
mentos e outros procedimentos mais complexos. Apresenta vantagens, como 
imobilização completa e acesso fácil ao animal, além de baixa incidência de 
traumas durante o processo.
Tubos: Os tubos são usados na contenção, de aves, répteis e mamíferos, po­
dendo ser de diversos diâmetros, confeccionados em plástico rígido ou outro 
material leve e de fácil limpeza. São utilizados na manipulação de serpentes. 
Podem, também, facilitar o anilhamento de aves ou procedimentos rápidos em 
mamíferos de pequeno e médio porte. Proporcionam fácil manipulação da 
porção posterior do corpo do animal quando esses têm a região anterior conti­
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FAULO ROGÉRIO MANGINI
PATRÍCIA AVELLO NICÒLA
da no interior do tubo.. Outras informações sobre captura e contenção podem 
ser obtidas çle Auricchio & Salomão (2002 ).
Transporte de animais silvestres
O transporte pode ser necessário em situações como translocação de popula­
ções, introdução de indivíduos, translocação de animais-problema e retirada de 
animais da natureza para o\u2018 cativeiro. O sistema de transporte deve ser planejado 
com antecedência e ser adequado à espécie que será deslocada. Devem-se sem­
pre considerar as características de resposta ao estresse da espécie e, quando 
possível, do indivíduo em questão. E muito importante que o projeto tenha 
licença da autoridade local (no Brasil, do Ibama), além da licença de captura.
Deve-se planejar se o animal vai ser contido por meios físicos ou químicos ou 
vai ser induzido a entrar no transporte por meio de corredores de lona ou 
outro sistema. A caixa de transporte deve impossibilitar que o indivíduo obser­
ve o meio externo, conferindo condições de penumbra. Nessas condições, as 
respostas do animal aos agentes estressantes, como sons e odores vindos do 
meio externo, ficam atenuadas. Animais muito estressados podem ser tranqui­
lizados ou sedados para o transporte. Outro fator importante, que deve ser 
ponderado, refere-se às condições ambientais durante o período de transpor­
te. Deve-se evitar o transporte de animais nos dias de temperatura muito eleva­
da ou extremamente baixa. Deve-se evitar ainda a permanência prolongada 
desses animais em locais ensolarados. O transporte por terra deve ser feito 
preferencialmente durante a noite, pois, nesse período, as estradas apresen­
tam, em geral, menor tráfego e consequentemente menos ruídos.
As dimensões das caixas e recipientes de transporte devem ser compatíveis 
com o indivíduo transportado, respeitando a*estrutura corporal e a postura 
normal da espécie. A estrutura deve oferecer resistência ao peso normal do 
animal e a possíveis investidas contra as paredes da caixa. As dimensões 
devem possibilitar que o animal mantenha seu decúbito normal de descanso e 
estação, porém devem impossibilitar a mudança de direção do animal no inte- 
riqr da caixa. As condições de manutenção da caixa de transporte devem ser 
verificadas antes dos animais serem embarcados.
Em geral, os animais devem ser transportados individualmente, evitando con­
flitos agonísticos, comuns em decorrência da situação eistressante gerada pelo 
transporte. Espécies que apresentam forte vínculo social podem ser transpor­
tadas, por curtas distancias, em caixas com mais de um indivíduo. Contudo, 
a possibilidade da ocorrência de traumas fica aumentada. Animais de peque-
CAPTURA E MARCAÇÃO DE ANIMAIS SILVESTRES
no porte podem ser transportados, por curtos períodos de tempo, em sacos de 
pano. Estes devem ser preferencialmente confeccionados com tecido negro, 
impossibilitando que o animal transportado observe o meio externo. Quando 
pequenos animais são transportados em gaiolas, elas devem também ser reco­
bertas por algum tecido opaco.
Contenção química de animais silvestres
Nessa seção não se pretende elucidar questões referentes às características das 
drogas anestésicas ou às doses que poderiam ser empregadas em determina­
das espécies ou grupos taxonômicos. A anestesiologia de animais silvestres 
consiste dp um assunto extenso, permeado por inúmeros pontos de variação 
no que diz respeito às espécies que serão manipuladas, às drogas utilizadas e 
às suas associações. Dessa forma, aqui serão ressaltados apenas os pontos 
fundamentais na determinação dos protocolos de contenção química para tra­
balhos de campo. Considerações importantes sobre a imobilização, drogas anes­
tésicas, manipulação e anestesia de mamíferos silvestres cativos e em vida livre 
são apresentadas em Bush (1996), Nielsen (1996), Fowler (1993), Paçhaly (1992).
A contenção química consiste na administração de fármacos anestésicos ou 
tranquilizantes que possibilitem a manipulação do indivíduo. De maneira ge­
nérica, não se busca a anestesia geral, mas, sim, um estado^de imobilidade que 
permita a realização de um procedimento médico ou de manejo mais prolonga­
do, minimizando o estresse do animal e oferecendo segurança para o animal e 
para a equipe (Pachaly 1992). Em condições de campo, a via preferencial para 
administração de fármacos anestésicos é intramuscular, devido a maior facili­
dade de acesso e segurança nos resultados. Diversas drogas podem ser empre­
gadas com sucesso, isoladamente ou em combinação. A injeção das drogas 
pode ser realizada diretamente, mediante contenção física, ou a distância, com 
o auxílio equipamentos especiais,
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