Biologia da Conservação e Manejo da Vida Silvestre_Cullen_Rudy_Rudran_e_Valladare -1
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Biologia da Conservação e Manejo da Vida Silvestre_Cullen_Rudy_Rudran_e_Valladare -1


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em estudos populacionais 285 
Anael Aymoré Jacob
Rudy Rudran
13. Metodologias moleculares
utilizadas em genética da conservação 343 
Beatriz M. Perez-Sweeney 
Fernando P. Rodrigues 
Don J. Melnick
Vegetação e ecologia de paisagem
14. Restauração e conservação de e c o s s is t e m a s t r o p ic a is 383 
P au lo K a g ey a m a
F láv io Bertin G a n d a ra i
15. Fenologia, frugivoria e dispersão de s em e n te s 395 
M auro G aletti
M arco A u rélio P izo 
Patrícia C. M orellato
16. Estrutura da paisagem: o uso adequado de m étricas 423 
Jea n Paul M etzger
17. Métodos para análise de vegetação arbórea 455 
G iselda Durigan
18. Uso do sistema de informações geográficas em B iologia da C onservação 481 
A lexandre Uezu
A n á l i s e s e s t a t í s t i c a s
19. Estatística e interpretação de dados 501 
Paulo de Marco Junior
Adriano Pereira Paglia
2 0 . Delineamento de experimentos
numa perspectiva de ecologia da paisagem 525 
Jean Paul Metzger
E d u c a ç ã o a m b i e n ta l e c o n s e r v a ç ã o
2 1 . A abordagem participativa
na educação para a conservação da natureza 543 
Suzana M. Padua 
M arlene F. Tabanez 
Maria das Graças de Souza
2 2 . Análise da sustentabilidade de caça
em florestas tropicais no Peru - Estudo de caso 579 
Richard E. Bodm er 
John G. Robinson
23. Entrevistas e aplicação
de questionários em trabalhos de conservação 617
Eduardo Humberto Ditt
Waldir M antovani
Cláudio Valladares-Padua
Clarice Bassi
24. Manejo integrado de espécies ameaçadas 633 
Cláudio B. Valladares-Padua
Cristiana Saddy Martins 
Rudy Rudran
'.I
Est imat ivas de r iqueza em e s p é c i e s
Adalberto José dos Santos 
Departamento de Zoologia, Universidade de São Paulo 
Laboratório de Artrópodes, Instituto Butantan
In t rodução
O conhecimento atual sobre a diversidade biológica do planeta é extremamen­
te escasso (Wilson 1997). A despeito de todos os avanços da ciência no século 
XX, dizer quantas espécies de um determinado grupo taxonômico existem no 
mundo, ou ainda em um pequeno fragmento de floresta, é extremamente difí­
cil, se não impossível (May 1988). Isso é especiálmente preocupante quando 
se considera o ritmo atual de destruição de ecossistemas naturais, aliado a 
altas taxas de extinção de espécies (Wilson 1997). O desenvolvimento de pro­
gramas de conservação e uso sustentado de recursos biológicos, a única forma 
conhecida para desacelerar a perda de biodiversidade global, exige uma ampli­
ação urgente dos conhecimentos nessa área.
O estudo da diversidade biológica nunca foi tão importante quanto atualmen­
te, pois qualquer projeto ligado à conservação ou ao uso sustentado exige um 
mínimo de conhecimentos de ecologia e sistemática de organismos e ecossisté- *
mas (e.g. Scott et al. 1987). Entretanto, o tempo para obtenção desses dados, 
bem como os recursos logísticos e humanos disponíveis, são muito escassas, 
especialmente em países pobres e com grande diversidade (Cracraft 1995). 
Diante dessas dificuldades, é essencial desenvolver estratégias de inventário e 
monitoramento rápido da diversidade biológica, assim como criar a infraestru- 
tura necessária para gerar, armazenar e utilizar dados sobre biodiversidade.
Inventariar a fauna e flora de uma determinada porção de um ecossistema é o 
primeiro passo para sua conservação e uso racional. Sem um conhecimento 
mínimo sobre quais organismos ocorrem neste local, e sobre quantas espécies 
podem ser encontradas nele, é virtualmente impossível desenvolver qualquer 
projeto de preservação. Porém, devido à altíssima diversidade de plantas, ani­
mais e microrganismos que podem ser encontrados em qualquer ambiente, 
por pequeno e aparentemente simples que seja, é praticamente impossível
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ADALBERTO JOSÉ DOS SANTOS
determinar a sua riqueza total. A única opção factível neste caso é inventariar 
alguns grupos taxonômicos e algumas características físicas do ambiente, na 
tentativa de construir uma visão geral sobre toda a biota. O que se espera 
desses organismos selecionados para o inventário é que sua diversidade em 
um determinado local reflita a diversidade total, ou pelo menos de uma parte 
de seus componentes (Pearson 1994). Isso não significa que os táxons não 
selecionados não sejam importantes, mas apenas que, diante da urgência de se 
obter dados úteis para projetos de conservação, é necessário concentrar esfor­
ços em alguns grupos.
Mensurar a riqueza em espécies de um determinado grupo taxonômico em um 
determinado local não é uma tarefa simples. Embora inventários de fauna tra­
dicionais permitam acessar rapidamente este número, resultados de diferentes 
estudos dificilmente podem ser comparados. Isso porque estes inventários, 
além de utilizar diferentes métodos de coleta, em geral mostram grandes varia­
ções quanto ao esforço de amostragem (Walther et al. 1995). Em alguns casos, 
descrições claras dos métodos utilizados e medidas de esforço de coleta_(quan- 
tos coletores participaram do inventário? Por quanto tempo? Quantas horas 
foram gastas em coletas por dia?) nem sequer são informados.
Para que os inventários biológicos se tornem úteis para a tomada de decisões 
em conservação, é essencial que protocolos de coleta e análise de dados sejam 
desenvolvidos e testados (e.g. Coddington et al. 1991; Longino 1994). Um dos 
maiores desafios desses protocolos é obter dados de riqueza em espécies com­
paráveis, mesmo entre conjuntos de dados obtidos com métodos e esforço de 
coleta diferentes. Uma das maneiras para resolver esse problema é o uso de 
métodos de estimativa de riqueza a partir de dados amostrais.
Atualmente, há grande variedade de métodos de estimativa de riqueza, cada 
um com diferentes princípios de funcionamento (para uma revisão teórica, 
veja Bunge & Fitzpatrick 1J993). Embora a adequação desses métodos a estudos 
de estimativa de diversidade biológica seja ainda pouco conhecida (Colwell & 
Coddington 1994), seu uso pode ajudar a reduzir dificuldades de interpreta­
ção de resultados de inventários de espécies. Neste sentido, este capítulo apre­
senta descrições dos principais métodos utilizados em estudos de diversidade 
biológica. E importante mencionar que este capítulo não constitui uma revisão 
exaustiva, mas apenas uma introdução didática. Recomenda-se a qualquer lei­
tor interessado em empiregar algum destes métodos em projetos de pesquisa 
que procure.se aprofundar através de bibliografia especializada.
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ESTIMATIVAS DE RIQUEZA EM ESPÉCIES
Coleta de dados de riqueza em espécies
O primeiro passo na execução de projetos de inventário de biodiversidade é a 
seleção dos grupos a.serem amostrados, lima vez que, como apontado anterior­
mente, é impossível inventariar todos os táxons presentes em um ecossistema 
em um único estudo. Os grupos mais explorados em estudos deste tipo (rela­
tórios de impacto ambiental, planos de manejo de parques e reservas, por 
exemplo) são vertebrados (principalmente aves e mamíferos), plantas superio­
res e, em alguns casos, borboletas. Embora não haja problema algum na sele­
ção destes táxons, é lamentável que outros grupos de grande diversidade e 
muitas vezes de grande importância para o funcionamento dos ecossistemas 
sejam ignorados. A inclusão de grupos não tão populares como artrópodes 
(Brown 1997; Kim 1993; Kremem et al. 1993) e nematoides de solo (Bongers 
1990) pode gerar dados muito interessantes para estudos deste tipo, apesar 
das dificuldades envolvidas em se estudar grupos muito diversos e pouco 
conhecidos (Lawton et al. 1998).
Geralmente, inventários de fauna e flora são feitos por sistematas ou equipes 
de museus de história natural. Essas equipes normalmente utilizam estratégias 
de coleta intensiva, procurando obter o maior número possível de espécimes 
em uma dada localidade. Os resultados desses inventários em geral se restrin­
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