Biologia da Conservação e Manejo da Vida Silvestre_Cullen_Rudy_Rudran_e_Valladare -1
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técnicos de captura, que 
saltam do helicóptero. O primeiro contém o animal pela região escapular e o 
segundo pela região coxofemoral. Na sequência, o animal deve ser anestesiado 
por um terceiro técnico. O tempo de perseguição é um fator importante para a 
segurança do método. Esse não deve ser maior que cinco minutos, até que o 
animal esteja em local adequado para contenção. Cervídeos são animais extre­
mamente suscetíveis ao estresse, facilmente chegando à morte. O autor relata 
que essa técnica demonstrou-se mais eficiente na captura da espécie do que^o 
uso de net gun, a qual necessita de ambientes mais abertos para ser operada.
O uso de currais é um dos meios mais eficientes para captura de queixadas 
[Tayassu pecarí) (Margarido, T.C.C. 1996, comunicação pessoal). Quando cons­
truídos com medidas de dez por seis metros, em uma ceva de milho bastante 
frequentada, possibilitaram a captura de grupos de até 35 animais. Quando a 
ceva foi mantida em um mesmo local por períodos prolongados, foram realiza­
das recapturas, com sucesso. Todavia, para captura de catetos (Tayassu tajacu), 
tais currais mostraram-se insatisfatórios, principalmente quando frequentados 
pelos queixadas. A captura de catetos foi mais eficiente quando foram utiliza­
das caixas, com dimensões de 40,0 cm de largura, 60,0 cm de altura e 110,0 
cm de comprimento, dispostas em grupos de três ou quatro, em um mesmo 
ponto de ceva. Currais d e captura também foram utilizados com sucesso para 
Tayassu pecarí, por Karesh et al. (1998), na Bolívia. Os autores utilizaram salei­
ros frequentados pelos animais, construindo ao redor deles um grande cerca­
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CAPTURA E MARCAÇÃO DE ANIMAIS SILVESTRES
do com portões, acionados a distância. O método possibilitou captura e imobi­
lização química de 40 indivíduos.
Na captura de Tapirus spp, os métodos mais empregados têm sido as trinchei­
ras e a espera em plataformas, ambos com sucesso. Alguns pesquisadores têm 
utilizado também laços ou perseguição com cães treinados. Porém, recomen- 
da-se que o método só deve ser utilizado quando outras formas de captura 
como trincheiras, armadilhas de caixa e currais sofreram fracassos repetidos 
ou mostraram-se inviáveis devido a condições ambientais ou outros fatores. O 
método de perseguição, em geral, é estressante aos animais capturados. Con­
tudo, em determinadas situações, onde os animais não estão habituados a 
frequentar cevas e existe a necessidade de urgência na captura, a utilização de 
cães treinados pode ser a única alternativa eficiente.
Sistemas de marcação
Em estudos que envolvem fauna silvestre, muitas vezes é necessário que os 
indivíduos componentes das populações estudadas, sejam marcados. Tanto 
os propósitos do estudo, quanto à espécie em questão, determinam as formas 
de marcação e o tipo de marcas utilizadas. O ideal é que seja possível cumprir 
todos os propósitos do estudo com apenas um tipo de marcação em cada 
indivíduo e que as marcas não representem incômodo para o animal que as 
utiliza. O material utilizado deve ser inerte e de fácil aplicação. A utilização de 
marcas, como brincos e colares, grandes e de cores fortes, facilita a observação 
dos indivíduos. Porém, podem influenciar nas estratégias reprodutivas ou, 
ainda, alertar predadores ou suas presas, o que levaria à obtenção de dados 
alterados sobre algumas relações inter e intraespecíficas. Loomis (1993) ressal­
ta, ainda, que a identificação do animal deve ser capaz de individualizá-lo dos 
demais e não deve causar estresse ou dor ou, ainda, alterar sua sobrevivência ou 
comportamento. Adicionalmente' é interessante que a marca utilizada seja facil­
mente identificada a distância. Muitas vezes todos esses requisitos não podem 
ser cumpridos e dois ou mais tipos de marcas precisam ser aplicados. As mar­
cas podem ser diferenciadas em permanentes ou de longa e curta durabilidade.
Marcas permanentes
Diversos métodos podem promover uma marcação eficiente e definitiva nos 
animais envolvidos em estudos ambientais. Como característica comum, algu­
mas delas causam lesão aos indivíduos marcados, geralmente no tecido cutâ­
neo. A utilização de anestésicos pode ser necessária à aplicação dessas marcas 
na grande maioria das espécies.
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PAULO ROGÉRIO MANGINI
PATRÍCIA AVELLO NICOLA
T ra n sp o n d ers
Um dos equipamentos mais modernos para identificação de animais é conhe­
cido como Transponder ou M icrochip. O m icrochip está disponível em tama­
nhos variados, desde um grão de arroz, e é colocado no tecido subcutâneo do 
animal. Para isso, utiliza-se um aplicador semelhante a uma seringa. A aplica­
ção é rápida e pouco dolorosa. Em diversas espécies, a colocação pode ser 
realizada apenas mediante contenção física. O revestimento destes componen­
tes eletrônicos é biocompatível e não migra no tecido subcutâneo. Os trans­
ponders são reyestidos por sílica e polipropileno, possuem um código gravado 
a laser, que é interpretado por um decodificador ou scanner, e que confere 
uma sequência numérica, diferente para cada animal. A distância de leitura 
varia de poucos centímetros a até alguns metros, conforme o modeló e o fabri­
cante. O local de implantação deve ser padronizado e escolhido conforme o 
porte da espécie em estudo, devendo ser de fácil acesso para aplicação e leitu­
ra., Loomis (1993) apresenta os locais àe implantação mais indiçados segundo 
os grupos taxonômicos.
Mamíferos - Caudal ao pavilhão auditivo direito ou esquerdo.
- Região dorsal entre as escápulas.
- Região maxilar direita ou esquerda.
Aves - Área peitoral direita ou esquerda.
- Musculatura da, coxa direita ou esquerda.
Répteis - Quelônios - Região umeral direita ou esquerda.
- Serpentes e lacertídeos - Porção.dorsal da base da cauda.
Anfíbios - Cavidade celomática.
Peixes - Base direita ou esquerda da nadadeira dorsal.
Usualmente nos trabalhos de campo, a utilização de m icrochips fica limitada 
pela necessidade de estar muito próximo ao animal para realizar a identificação.
Tatuagem
Método tradicional na marcação de animais, a tatuagem depende de equipamen- 
tb especializado. Em geral, é necessário anestesiar o animal. O método é doloro­
so e necessita de depilação. Ademais, assim como o uso de transponders, é 
necessário conter o indivíduo em estudo pará verificar o seu registro. E muito 
utilizado em zoológicos, assim com o método anterior.
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CAPTURA E MARCAÇÃO DE ANIMAIS SILVESTRES
Marcas dérmicas
Consistem em marcas feitas na derme dos animais. Essas marcas podem ser 
realizadas com substâncias de pH ácido ou básico, metal quente e por congela­
mento da pele e folículos pilosos. Tais técnicas causam cicatrizes que alteram 
o padrão de crescimento dos pelos, evitando seu crescimento ou mudando 
sua coloração. Como característica comum, todas são dolorosas e requerem 
anestesia para aplicação.
Picotes
São pequenos cortes realizados, em geral, no pavilhão auditivo de mamíferos, 
escamas marginais da carapaça de quelônios, cauda dos crocodilianos e esca­
mas ventrais de serpentes. Em geral, quando aplicadas em indivíduos jovens, 
podem desaparecer ou apresentar deformações com o crescimento do animal. 
As marcas no pavilhão auditivo, geralmente, são utilizadas em ungulados e 
roedores de médio e grande porte. Esses picotes podem compor um sistema 
com formatos diferentes em regiões distintas do pavilhão auditivo, sendo atri­
buídos a cada combinação, valores numéricos diferenciados. O modelo de 
códigos pode ser copiado do sistema denominado M ossa Australiana, utiliza­
do em suínos domésticos (Figura 6). Para a realização das marcas, não são
Figura 6. Padrão de marcação denominado Mossa Australiana. As linhas pontilhadas repre­
sentam os locais de corte. A soma dos valores indicados ao lado das linhas de corte, na 
figura superior, confere o número da marca, como indicado na figura inferior. O sistema
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