Biologia da Conservação e Manejo da Vida Silvestre_Cullen_Rudy_Rudran_e_Valladare -1
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tem 
sido empregado em grandes roedores e outros mamíferos silvestres, muit.as vezes com 
algumas modificações. (Ilustração de Paula Beatriz Mangini).
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PAULO ROGÉRIO MANGINI
PATRÍCIA AVELLO NICOLA
necessários equipamentos específicos, porém, existem alicates especiais para 
marcação de suínos domésticos, os quais podem ser utilizados çm mamíferos 
silvestres. A natureza traumática desse sistema de marcação requer que o ani­
mal seja anestesiado para realizar os picotes.
Mutilações
Quando o sistema de marcação não necessita de muitos números ou sequências 
elaboradas, é possível marcar indivíduos por cortes das falanges ou extremi­
dade da cauda dos animais em estudo. Geralmente esse método só se aplica a 
pequenos mamíferos, anfíbios e répteis, e requer anestesia. Como desvanta­
gens, as lesões causadas possibilitam infecção bacteriana e podem causar incô­
modo aos animais. Alguns anfíbios podem apresentar regeneração dos dígitos 
amputados, o que pode resultar em erros no sistema de numeração. Adicio­
nalmente, mesmo em condições naturais, muitos dos animais em que é possí­
vel aplicar essa método, podem apresentar lesões como a perda de dígitos, 
geralmente ocasionadas por traumas.
Resenha
Algumas espécies de mamíferos possuem, na coloração natural,/ padrões que 
nunca se repetem em indivíduos diferentes. O mesmo acontece com algumas 
espécies de quelônios. A anotação de tais marcas, por desenhos e fotografias, 
é uma forma de identificação simples e econômica (Figura 7). Muitas vezes não 
requer captura ou anestesia dos animais em estudo. Tal método pode ser em­
pregado em grande variedade de espécies de répteis, além de mamíferos, como 
felinos de pequeno e grande porte. Em levantamentos fotográficos também é 
possível identificar diferentes indivíduos, mesmo nas espécies que não apre­
sentam padrões de cores, através da identificação de cicatrizes, comuns em 
animais em vida livre.
Figura 7. A e B) Padrão de manchas, evidenciando ambos os lados do indivíduo, em uma 
fêmea livre de Leopardus pardalis. (Fotos de Laury Cullen Jr.)
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CAPTURA E MARCAÇÃO DE ANIMAIS SILVESTRES
Marcas de longa durabilidade 
Brincos, colares e anilhas
Brincos, anilhas e colares, em geral, são confeccionados em variedades resis­
tentes de plástico, metal ou outros materiais inertes ao organismo animal (Fi­
gura 8-A). Podem possuir diferentes cores e sequências alfanuméricas. Os brin­
cos plásticos, muito comuns na marcação de animais domésticos, são de fácil 
aquisição e aplicação, representando a alternativa mais viável na maioria das 
situações de campo, sendo muito apropriados para marcação de ungulados e 
roedores. Em geral, permanecem por longos períodos presos ao pavilhão audi­
tivo de mamíferos de porte médio e grande. Apesar de resistentes, muitas 
vezes são arrancados enquanto o animal se locomove entre a vegetação.
Figura 8: A) Alicate aplicador e brincos plásticos numerados. A aplicação desse tipo de 
marca requer contenção química em algumas espécies. B) Exemplar de Puma concotor com 
radio colar instalado. O equipamento também serve como forma de individualizar o animal 
em estudo. (Fotos A e B, de Paulo Rogério Mangini.)
No caso da aplicação de anilhas e colares, deve-se tomar cuidado quanto à 
idade do indivíduo marcado e flexibilidade do equipamento de marcação. Deve- 
se evitar que, com o passar do tempo, o equipamento se torne apertado, cau­
sando lesões ou desconforto ao animal. Usualmente, as anilhas são aplicadas 
nos membros pélvicos em aves. Anilhas e grampos especiais podem ser fixa­
dos nas asas de aves e morcegos.
Os colares geralmente são confeccionados em material maleável e cores varia­
das. Quando fixados ao corpo do animal, não devem ser extremamente justos. 
O contato direto do colar com a pele do animal pode proporcionar irritação 
local ou acúmulo de umidade, predispondo a infecções bacterianas, fúngicas 
ou a infestação por ectoparasitos. Em algumas espécies de cervídeos, que apre-.
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sentam sazonalidade reprodutiva bem definida, os indivíduos de sexo mascu- 
lino apresentam aumento do diâmetro cervical durante o período de acasala­
mento. Quando são fixados colares nesses animais, devem-se observar essas 
peculiaridades, evitando que os colares tornem-se extremamente apertados 
nessas fases.
Radiotransmissores
Diversos modelos de radiotransmissores podem ser fixados nos animais por 
meio de colares que, por si, representam uma forma de marcação (Figura 8-B). 
Adicionalmente, cada transmissor possui uma frequência específica, identifi­
cando o animal em estudo. Em serpentes, os radiotransmissores são implanta­
dos por meio de cirurgia, na cavidade celomáticà, não demonstrando marcas 
identificáveis externamente.
Marcas de curta durabilidade 
Pinturas, colares e anilhas
Colares e anilhas também podem ser confeccionados em material pouco resis­
tente, com a intenção de que o animal os perca após um curto período de 
tempo. Podem possuir cores variadas ou sequências alfanuméricas. A utiliza­
ção de tinta, diretamente sobre a pelagem ou plumagem dos indivíduos estu­
dados, pode representar uma alternativa rápida de marcação. Podem ser utili­
zadas cores distinguindo animais de grupos diferentes ou sequências alfanu­
méricas conforme os objetivos dos estudos. O material utilizado não deve ser 
tóxico ao organismo. Tintas que utilizem chumbo na sua composição devem 
ser evitadas. As marcas com tinta podem ser aplicadas a distância, utilizando- 
se equipamentos especiais, como armas do tipo paint-ball, ou através da con­
tenção dos animais.
B i b l i o g r a f i a
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