Biologia da Conservação e Manejo da Vida Silvestre_Cullen_Rudy_Rudran_e_Valladare -1
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fenológico no sub- 
bosque pode ser realizado através de transectos aleatórios na área de estudo 
(Gentry & Emmons 1987) ou, no caso de trabalhos que utilizem redes de nebli­
na para amostragem das aves frugívoras, podem ser realizados transectos loca­
lizados ao longo de cada linha de rede (Levey 1988, Loiselle & Blake 1991).
Censos de frutos de dossel podem ser realizados por meio de três metodolo­
gias básicas: armadilhas de frutos (Terborgh 1983), acompanhamento fenológi­
co de árvores marcadas (Sun & Moermond 1997) e transectos (Develey & Peres 
1999). O método de armadilha de frutos estima sua disponibilidade de manei-
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ra indireta com base na biomassa dos frutos caídos (kg/ha) nas armadilhas. O 
método apresenta algumas limitações como o grande consumo de tempo para a 
construção, manutenção e monitoramento das armadilhas, o que acaba fazen­
do com que apenas uma pequena porção do hábitat seja amostrada. Outro 
problema está relacionado ao fato de que as armadilhas medem a queda de 
frutos e não a produção de frutos, assim, os frutos mais consumidos pelos 
frugívoros acabam sendo menos representados nas armadilhas do que aqueles 
menos consumidos.
Transectos e trilhas seguindo árvores marcadas apresentam vantagens em 
comparação ao método de armadilha de frutos. Esses métodos são estimati­
vas diretas da produção,de frutos e amostram uma maior porção do hábitat. 
Para o cálculo dos índices de produção de frutos na copa, pode-se usar a 
medida do diâmetro à altura do peito (DAP), uma vez que esta medida é 
proporcional à capacidade da árvore em produzir frutos (McDiarmid et al. 
1977, Peters et al. 1988). Também se pode estimar a quantidade de frutos 
através de um \u201crank\u201d de produtividade, geralmente de zero a quatro, obser­
vando-se diretamente a copa (Fournier 1974). Chapman et al. (1994) utilizou 
essas três metodologias em uma mesma área de floresta e mostrou que as 
estimativas de abundância obtidas através de transectos e trilhas de frutos 
estavam correlacionadas, ao contrário da abundância medida através de ar­
madilhas de frutos. Zhang & Wang (1995) utilizaram plataformas é passare-
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las construídas no dossel da floresta para contagem de frutos. Este método é 
eficiente, porém muito trabalhoso devido, à necessidade da construção das 
plataformas e uso de técnicas de escalada para acessar o dossel. Revisões 
sobre métodos de estimativa de produção de frutos em árvores tropicais po­
dem ser encontradas em Chapman et al. (1992, 1994) e Zhang & Wang (1995). 
Mais informações sobre métodos de fenologia são encontradas no Capítulò 
15, neste volume:
Estimativas da abundância de artrópodos são ainda mais complicadas. Muitas 
vezes o número de espécies e indivíduos amostrados não corresponde, neces­
sariamente, às presas que realmente são consumidas por uma determinada ave 
insetívora. As diferentes técnicas existentes para amostragem de artrópodos 
utilizam diferentes tipos de armadilha ou mesmo observação direta. Cooper & 
Whitmore (1990) fazem uma ampla revisão da^ diferentes técnicas de amostra­
gem de artrópodos, para ornitologia, mostrando as vantagens e desvantagens 
de cada uma. Devido à enorme diversidade do grupo, somente um método não 
irá amostrar da mesma maneira as diferentes ordens de artrópodos. No entan­
to, a utilização de mais de um método implica mais tempo de campo e, depen­
dendo da técnica, o trabalho'de laboratório pode tornar a execução do projeto 
inviável. Definir o objetivo da amostragem, por exemplo, variação sazonal ou 
comparação de diferentes hábitats, e o grupo de artrópodos a ser amostrado, 
facilita na escolha e no ajuste do método. Se o objetivo do estudo são aves 
especialistas em forragear em folhas mortas suspensas na vegetação, a escolha 
do método deve considerar a biologia dos artrópodos que se abrigam nessas 
folhas, Rosenberg (1990) estudou esse grupo de aves e para amostragem de 
artrópodos coletou agregados de folhas secas, colocou essas folhas dentro de 
sacos plásticos, pulverizou com inseticida e identificou e mediu os artrópodos 
em laboratório. Poulsen (1996) utilizou redes de inseto para capturar artrópo­
dos voadores, padronizando o número de golpes de rede. Essas redes de inse­
to também são comumente usadas para capturar insetos na superfície das fo­
lhas. Censos mensais de artrópodos, através da observação direta, foram reali­
zados por Develey & Peres (1999) para medir a variação sazonal na disponibi­
lidade de artrópodos. Este método certamente subamostra alguns grupos de 
artrópodos, porém uma vez que essas limitações são homogêneas durante os 
censos, o método se mostrou eficiente.
Uma maneira de viabilizar projetos envolvendo quantificação de recursos ali­
mentares é a realização de projetos de pesquisa integrados, envolvendo orni- 
tólogos, entomólogos e botânicos. A participação de diferentes profissionais
MÉTODOS PARA ESTUDOS COM AVES
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PEDRO FERREIRA DEVELEY
trabalhando num mesmo projeto facilita muito a coleta e interpretação dos 
dados e gera discussões enriquecedoras que melhorarão muito a qualidade 
dos resultados.
C o n c l u s ã o
A definição da metodologia é uma das etapas mais importantes na realização 
de um projeto e também uma das mais complicadas. É sempre importante que 
se conheça claramente quais são as limitações do método utilizado para que, 
na hora da análise dos dados, seja possível discernir até onde os resultados 
encontrados refletem a realidade ou são artefatos da amostragem, principal­
mente em situações onde tanto o tempo disponível quanto o número de inves­
tigadores é limitado. Muitas vezes, esse discernimento é extremamente com­
plicado, mas, se as prpmissas e limitações do método são bem conhecidas, a 
chance de se chegar a conclusões errôneas devido à metodologia usada é bem 
menor. O conhecimento prévio dá biologia das espécies a ser estudadas tam­
bém é importante para a determinação do método e interpretação dos resulta­
dos. A realização de um estudo piloto antes de se iniciar o projeto em si é a 
melhor maneira de se testar e definir a metodologia, calcular o tempo e o 
esforço amostrai e treinar a identificação das espécies de aves a ser estudadas.
As dificuldades mostradas nesse capítulo não devem, de modo algum, desen­
corajar a realização de um projeto. Maior do que a limitação dos métodos é a 
falta de conhecimento sobre a biologia das aves neotropicais, existindo uma 
quantidade enorme de questões a ser respondidas. Mesmo com as limitações, 
foi por meio desses métodos que se tornou possível conhecer diferentes as­
pectos da biologia de muitas espécies de aves, informações valiosas e funda­
mentais para se propor planos de conservação.
B i b l i o g r a f i a
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MÉTODOS PARA ESTUDOS COM AVES
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