Biologia da Conservação e Manejo da Vida Silvestre_Cullen_Rudy_Rudran_e_Valladare -1
634 pág.

Biologia da Conservação e Manejo da Vida Silvestre_Cullen_Rudy_Rudran_e_Valladare -1


DisciplinaBiologia36.662 materiais1.213.935 seguidores
Pré-visualização50 páginas
área da biologia da conservação, como, por 
exemplo, levantamento da biodiversidade, análises da história natural local, 
ou comparações de abetas aquáticos primitivos e perturbados.
Identificação de espécies
Um dos maiores problemas que os investigadores enfrentam quando estudam 
invertebrados aquáticos nos neotrópicos é a falta geral de uma chave de classi­
ficação para a identificação de espécies em categorias taxonômicas como or­
dens ou famílias. Publicações sobre "Sistema de Classificação para os Insetos 
Aquáticos da América do Sul", ou "Efemerópteros do Mato Grosso do Sul" etc, 
infelizmente, não existem. A maioria da literatura sobre taxonomia consiste 
em descrições de espécies individuais ou grupos de espécies dentro de gêne­
ros (veja os volumes de Hurlbert, Rodriquesz, & Santos (1981 a é b) para 
referências de taxonomia para organismos aquáticos neotropicais publicados 
antes de 1981). Um problema adicional - e um desafio excitante - é que, apesar 
do progresso considerável feito em anos recentes (Lugo-Ortiz & McCafferty 
1995; Froehlich 1998), o conhecimento taxonômico ainda se encontra incom­
pleto para muitos grupos de macroinvertebrados aquáticos na região Neotropi­
cal (Epler 1988). Em regiões relativamente desconhecidas, como o Pantanal, é 
muito provável que espécies não classificadas sejam coletadas durante inven­
tários de macroinvertebrados (AquaRAP 1998). Assim, ecólogos especialistas 
em água doce e biólogos conservacionistas terão dificuldades em identificar 
estas espécies.
O primeiro e mais importante passo seria colaborar com museus e especialis­
tas de taxonomia. Todos os biólogos de campo que coletam invertebrados de
MACROINVERTEBRADOS AQUÁTICOS COMO
INDICADORES AMBIENTAIS DA QUALIDADE DE ÁGUA
água doce no Neotrópico deveriam reservar espécimes para ser depositadas 
em museus. Essas coleções servem como documentos sobre biodiversidade e 
podem ser estudadas por futuras gerações de biólogos, uma vez que identifica­
ções de espécies são necessárias para interpretar com precisão os resultados 
de um estudo ecológico (Resh & Unzicker 1975). Por exemplo, em uma inves­
tigação sobre a história da vida de um inseto aquático, é importante saber se os 
padrões avaliados são referentes a uma única espécie ou a um grupo morfolo­
gicamente semelhante, mas com espécies distintas ecologicamente (Adler 1987). 
Assim, o taxonomista, em troca, benéficiar-se-á da colaboração; obtendo infor­
mação sobre a distribuição geográfica de espécies conhecidas e da possível 
descoberta de espécies novas.
Outro procedimento útil para os não especialistas seria o de conhecer bem a 
literatura sobre a taxonomia do grupo a ser estudado, e identificar taxonomica- 
mente os espécimes, se possível, até o nível de espécie. A maioria dos especi­
alistas em taxonomia não tem tempo ou interesse para separar invertebrados 
não identificados quando analisam frascos cheios de lama. Já os não especia­
listas podem começar o processo de identificação consultando chaves gerais 
de regiões biogeográficas citadas por Pennak (1989), Thorp & Covich (1991), e 
Merritt & Cummins (1996). Pox meio destas referências, podem-se frequente­
mente identificar espécimes e classificá-los até Ordem ou Família. Porém, as 
identificações devem ser confirmadas através de consultas sobre descrições 
dos táxons e listas de confirmação (checklists) da região Neotropical, quando 
disponível (Hurlbert et al. 1981a, 1981b). Para aqueles grupos aquáticos bem 
estudados, como o da família Simuliidae (Diptera), identificações no nível de 
gênero e de espécies são possíveis através de descrições atuais na literatura. 
Porém, para grupos menos desconhecidos, como o da família Chi,ronomidae 
(Diptera), identificações ao nível de gênero são difíceis.
Grupos de espécies não identificados dentro de um gênero ou de uma catego­
ria taxonômica mais ampla podem ser separados pelo não especialista em gru­
pos morfologicamente semelhantes, chamados de "morfoespécies". Mesmo que 
o significado biológico dos grupos de morfoespécies precise ser avaliado atra­
vés de comparação com espécimes de referência de museus, estes grupos po­
dem apresentar uma estimativa inicial da riqueza do táxon e ajudar os taxono- 
mistas no processo de separação dos espécimes. Na colaboração com os mu­
seus, o especialista em taxonomia deve ter o cuidado de apresentar espécimes 
em bom estado de conservação, devidamente etiquetados. Também deve se 
preocupar em coletar espécimes em vários estágios do ciclo biológico.
45
DONALD P. EATON
Preservação, etiquetagem e preparo dos espécimes
Para que as amostras se tornem úteis, os espécimes devem ser preservados e 
etiquetados corretamente. Trabalhos desenvolvidos por Thorp & Covich (1991) 
descrevem uma variedade de métodos utilizados para preservação e identifica­
ção, particularmente de um determinado táxon de invertebrados aquáticos. 
Estudos realizados por Martin (1977) apresentam métodos gerais para preser­
vação, montagem e etiquetagem de insetos e aracnídeos. Invertebrados com 
corpo do tipo macio, como vermes chatos e moluscos, requerem frequente­
mente técnicas especiais de preservação (Thorp & Covich 1991). Por exemplo, 
os vermes chatos são mais bem observados, quando vivos, em montagens 
úmidas, sob microscópio. No caso dos caracóis pertencentes a família dos 
hidrobiídeos (Prosobranchia: Hydrobiidae) é preciso utilizar um agente de re­
laxamento antes da preservação. Agentes como etanol (70-90%) e formaldeído 
(5%) são bons conservantes para as fases aquáticas da maioria dos outros 
grupos. A solução de 5% formaldeído é preparada misturando-se aproximada­
mente 1 parte de formalina concentrada (uma solução líquida que contém 40% 
formaldeído) para 9 partes de água. Devido à propriedade carcinogênica do 
formaldeído, deve-se usar luvas de borracha e trabalhar em uma área bem 
ventilada. Sacos plásticos do tipo Ziplock são excelentes recipientes temporá­
rios para armazenar amostras de invertebradas, em 5% formaldeído, coletadas 
do campo. Uma vez limpos dá sujeira da amostra (procedimentos descritos 
abaixo), os espécimes são transferidos para frascos de vidro contendo 70-90% 
etanol para um armazenamento em longo prazo.
As etiquetas dos espécimes devem ser feitas de papel resistente com um alto 
teor de algodão (aproximadamente 100%). Essas etiquetas são colocadas dentro 
dos frascos junto com os espécimes, portanto, elas devem ser escritas à máquina 
ou à mão com tinta ou lápis que não borrem na presença do líquido conservan­
te. As etiquetas devem sempre incluir as seguintes informações (Martin 1977):
1) local:
* município, estado, país (coordenadas geográficas, se possível);
* especificar o local em ambiente aquático (litoral norte, 200 m da fonte);
* hábitat (zona de planta aquática emergente, tronco submergido etc).
2) data:
* da coleta ou do aparecimento (veja "Desenvolvimento de Métodos" abaixo);
* 3 de agosto de 1999 deve ser escrito como 3-agosto-99 ou 3-VIII-99
(abreviações ou números romanos são usados para meses para evitar uma
possível confusão entre dias e meses);
46
3) tipo de amostragem: (por exemplo: Hess, Surber, rede etc);
4) fluido usado para conservar (por exemplo 5% formaldeído, 90% etanol etc);
5) nome do coletor.
% J
Embora haja muitas exceções, a maioria dos insetos aquáticos passa as fases 
imaturas do ciclo biológico (ovo, larva e pupa) na água e a fase adulta voadora 
em terra (Merritt & Cummins 1996). Muitos dos trabalhos clássicos de taxono- 
mia sobre insetos aquáticos e até mesmo algumas publicações recentes são 
principalmente baseadas em descrições de adultos (por exemplo, Lutz 1910; 
Roback 1971). Porém, durante uma pesquisa típica de macroinvertebrados, 
somente as fases imaturas aquáticas são coletadas. Portanto, para fazer identi­
ficações de espécies, é necessário associar as fases imaturas e fases de adulto. 
Para tal,
Talita
Talita fez um comentário
Valeu pelo compartilhamento!
0 aprovações
Carregar mais