Biologia da Conservação e Manejo da Vida Silvestre_Cullen_Rudy_Rudran_e_Valladare -1
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a abundância absoluta é calculada e pode ser 
expressa como número ou biomassa por área.
Cilindro e amostragem de bomba são ideais para o substrato de sedimento fino 
de hábitats lênticos. Com esse método, a abertura de um plástico ou tubo de 
metal, de área conhecida, é empurrado no substrato. Uma bomba de mão com 
uma mangueira de extensão é usada para bombear os sedimentos, detritos e 
invertebrados para uma rede. Os invertebrados capturados são transferidos 
para sacos de z ip lock rotulados ou outros recipientes. Esse método também 
provê estimativas de abundância absolutas. Para lagos fundos, recomenda-se o 
uso de garras tipo Ekman ou um instrumento .cilíndrico próprio para ser usa­
do nesta situação (Merritt & Cummins 1996).
O acúmulo de detritos, como maços de folha e plantas aquáticas vivas, podé ser 
amostrado para macroinvertebrados por uma coleta rápida, usando-se redes de 
mergulho grandes ou bolsas de rede. As amostras são transferidas para bande­
jas de plástico brancas e lavadas levemente para desalojar os invertebrados
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MACROINVERTEBRADOS AQUÁTICOS COMO
INDICADORES AMBIENTAIS DA QUALIDADE DE ÁGUA
presos nos detritos e superfícies de plantas. A água da bandeja deve ser, en­
tão, vértida por uma rede para concentrar e coletar os invertebrados. Os detri­
tos ou as plantas das amostras são secados e convertidos em cinzas à tempera­
tura de 550°C, para determinar o peso seco livre de cinza (método descrito em 
APHA 1995). Usando essa técnica, as densidades dos invertebrados são ex­
pressas como números ou bipmassa pór peso seco livre de cinza, de detrito ou 
material de planta.
Os maiores e mais móveis dos macroinvertebrados, como as ninfas de libélula, 
camarões e caranguejos são frequentemente sub-representados quando se usam 
os amostradores descritos acima. Eles ficam visualmente atentos ao amostra- 
dor e podem algumas vezes escapar antes que o instrumento se fixe no subs­
trato. Para evitar esse problema, um segundo tipo mais ativo de coletor pode 
ser usado para cobrir uma área maior e amostrar somente macroinvertebrados 
grandes. Em hábitats lóticos, a amostragem pode ser feita através de arremes­
sos utilizando-se uma malha de 1 mm. Para usar esse método, uma rede em 
formato de D ou com uma armação triangular e manivela é apoiada e levada 
contra o substrato, com a boca da rede perpendicular para o fluxo de água. O 
substrato imediatamente acima da rede é revolvido completamente, enquanto, 
move-se rio acima por uma distância conhecida. Consequentemente, a corren­
teza levará os invertebrados desalojados na rede. A área amostrada é calculada 
multiplicando-se a distância arremessada (normalmente 1 a 2 metros) pela 
largura da boca da rede.
Em hábitats lênticos, uma rede de arremesso pode ser usada para amostrar os 
macroinvertebrados grandes móveis, associados com os sedimentos ou plan­
tas aquáticas (Turner & Trexler 1997). Uma rede de arremesso consiste em uma 
armação cuboamoldada, de 0,5 a 1 metro comprimento de tubo de plástico. Os 
quatro lados do cubo são envoltos por uma rede com tela de 1 mm, enquanto 
o topo e o fundo são mantidos abertos. O fundo aberto da rede é derrubado 
rapidamente em cima da área (lote) a ser amostrada e introduzido no substrato 
para apanhar os invertebrados dentro do espaço da rede. O uso de uma tela de 
mergulho de 1 mm permite que os sedimentos e as plantas dentro da rede de 
gota sejam varridos repetidamente até que nenhum macroinvertebrado seja 
capturado. A profundidade de dentro da rede de lanço é medida e as abun- 
dâncias são expressas sob uma variedade de modos. Estes dependem do lote 
e dos hábitos dos macroinvertebrados amostrados, por exemplo, o número ou 
a biomassa por área de substrato, por número de plantas aquáticas ou por 
volume de água.
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DONALD P. EATON
O uso de amostradores de substratos artificiais para macroinvertebrados é dis­
cutido por Rosenberg & Resh (1982). Os substratos são feitos de uma varieda­
de de materiais, como tijolos, azulejos, discos de madeira e tira de plástico, 
cuja finalidade é imitar substratos naturais. Várias réplicas de amostradores 
são colocadas, normalmente, em um ambiente aquático por um período de 
tempo para, posteriormente, serem coletados. Os invertebrados que colonizam 
os amostradores são retirados dos substratos artificiais e analisados. Embora 
sejam úteis para estudos de impacto ambiental e estudos sobre colonização de
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substratos, substratos artificiais permitem estimativas parciais de abundâncias 
de macroinvertebrados (Morin 1987). Isso porque eles não podem se igualar 
em todas as características aos substratos naturais.
Processamento da amostra
O processamento das amostras começa logo após a coleta, seguido da preser­
vação e da etiquetagem. Como previamente mencionado, uma quantia consi­
derável de detritos é coletada normalmente com amostras aquáticas. Os inver­
tebrados devem ser separados dos detritos, de forma a que possam ser identi­
ficados e contados. Este processo é conhecido popularmente como "escolha de 
bicho". Para facilitar esse processo, os escombros e os invertebrados podem 
ser subdivididos em frações de pequenos tamanhos por meio de várias lava­
gens, vertendo as amostras gentilmente através de uma série de peneiras com 
tamanhos decrescentes de malhas, por exemplo, 1, 0.4, e 0.1 mm, respectiva­
mente. Isso faz com que seja mais fácil ver e escolher os macroinvertebrados. 
As frações maiores podem ser escolhidas em uma bandeja de plástico branca, 
a olho nu; porém, um microscópio binocular com pelo menos 10X de amplia­
ção é necessário para observar as frações menores. Como é de se esperar, a 
fração menor sempre contém o maior número de invertebrados e leva a maior ? 
parte do tempo para escolher. Se necessário, pode-se fazer subamostras das 
frações menores (Elliot 1977).
Para se obter a abundância quantitativa, todos os macroinvertebrados das amos­
tras ou das subamostras devem ser identificados e contados. Isso envolve 
exame microscópico de cada espécime como descrito na seção de identificação 
de espécies. Uma única amostra pode ter milhares de indivíduos e mais de 50 
táxons, assim, um contador mecânico é muito útil para espécies mais abun­
dantes.
O uso de biomassa para estimar a abundância é frequentemente o método mais 
escolhido, em vez do número de indivíduos. Isso porque, na perspectiva eco-
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MACROINVERTEBRADOS AQUÁTICOS COMO
INDICADORES AMBIENTAIS DA QUALIDADE DE ÁGUA
lógica, a biomassa pode ser mais significativa (Benke et al. 1999). Além disso, 
dados da biomassa são essenciais para estimar produções secundárias. 
Um exemplo das diferenças que podem ser obtidas usando-se biomassa ver­
sus número pode ser observado com as larvas de quironomídeos (Diptera: 
Chironomidae). Numericamente, mais de 50% dos macroinvertebrados em uma 
amostra são documentados como quironomídeos, mas a biomassa total deles é 
normalmente inferior a 20%.
As medidas de peso dos macroinvertebrados são obtidas após secagem indivi­
dual de cada espécime (logo após coleta ou preservação em formalina), seguida 
de pesagem em uma balança analítica precisa para 0.1 a 10 /xg, dependendo do 
tamanho a ser avaliado (Benke 1999). Alguns investigadores usam peso seco 
livre de cinza no lugar de peso seco simples. Como esse processo é demorado 
e a medida de comprimento é relativamente fácil, uma função quantitativa que 
converte comprimento em peso é frequentemente determinada. Para cada es­
pécie analisada, uma regressão linear é usada com as medidas de peso e com­
primento da amostra, sendo convertidas para logaritmo, para calcular as cons­
tantes da equação:
log W = log a + b log L
em que W é o peso, L é o comprimento e a e b são as constantes. O termo log 
a é a intersecção Y e b é o declive da equação de regressão. Esta equação pode 
ser determinada diretamente por medidas de espécimes. Também podem
Talita
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