Biologia da Conservação e Manejo da Vida Silvestre_Cullen_Rudy_Rudran_e_Valladare -1
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Biologia da Conservação e Manejo da Vida Silvestre_Cullen_Rudy_Rudran_e_Valladare -1


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devem-se apro­
veitar todas as informações possíveis (pele, esqueleto, amostra de tecido, san­
gue, conteúdo estomacal, ecto e endoparasitas). Instruções de um bom apro­
veitamento na coleta de aves podem ser vistas em Auricchio & Salomão (2 002 ).
O resultado de um levantamento qualitativo é uma listagem com o número de 
espécies que ocorrem na área de estudo. A comparação dessa lista corii lista­
gens obtidas em outras áreas é uma prática bastánte comum para se determinar 
padrões de riqueza de espécies. Quando listas de avifauna são comparadas, 
alguns aspectos devem ser levados em consideração, como a diferença tio es­
forço de coleta e qualidade das amostragens, a heterogeneidade dos hábitats 
nas áreas a ser comparadas e a distinção entre a avifauna característica do 
hábitat com espécies vagantes ou ocasionais registradas (Remsen 1994). A des­
crição bem detalhada dos métodos, explicando como as espécies foram identi­
ficadas, e a caracterização da área de estudo ajudam a evitar comparações in­
consistentes que levem a conclusões errôneas.
Levantamentos quantitativos
Em um levantamento quantitativo o pesquisador não está interessado apenas 
no número de espécies presentes na área, mas também no tamanho popula­
cional das espécies. Os principais métodos usados para censos de aves são: 
pontos fixos ou amostragem por pontos, transecto, redes de neblina e \u201cspot 
mapping\u201d. Cada um desses métodos apresenta vantagens e desvantagens, 
sendo que a escolha de qual será utilizado vai depender, basicamente, da 
questão proposta no estudo. No momento da seleção do método de censo, 
deve-se se ter em mente p fato de que não existe uma metodologia perfeita, 
sendo que algumas espécies ou grupos certamente serão sub ou superamos- 
trados. Por essa razão, quando se consideram estudos enfocando toda a
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PEDRO FERREIRA DEVELEY
comunidade, um conjunto de métodos deve ser utilizado para se obter esti­
mativas de abundância ou densidade de todas as espécies em um mesmo 
período (Karr 1981). O trabalho de Terborgh et al. (1990) sobre estrutura e 
organização de uma comunidade de aves amazônicas é um dos melhores 
exemplos de um estudo em que foram empregados diferentes métodos. Esse 
trabalho usou re^es de neblina, \u201cspot m ap p in g \u201d, transectos e outros métodos 
específicos para grupos de espécies como icterídeos coloniais, bandos mis­
tos de sub-bosque e aquelas que ocorrem em grupos monoespecíficos (araras 
e papagaios). Porém, para trabalhos que empregam várias metodologias, é 
necessário que haja um grupo de pesquisadores envolvidos ou um longo 
período de amostragem. A utilização de dois métodos diferentes, o que é 
bem mais viável, minimiza problemas relacionados à sub ou superamostra- 
gem de algumas espécies.
Pontos fixos
No método do ponto fixo o observador permanece parado por um tempo pre­
determinado, anotando todas as aves registradas por observação ou vocaliza­
ção. Por ser um método menos seletivo, é indicado para estudos envolvendo 
toda a comunidade. Uma vez que o observador fica imóvel e em silêncio, a 
identificação de espécies pouco conspícuas ou ariscas é mais fácil. Para flores­
tas tropicais, onde a maior parte dos registros é auditiva, o método do ponto 
fixo também é mais indicado. De acordo com Bibby et al. (1993), algumas 
premissas devem ser consideradas quando se utiliza o método: 1) a presença 
do observador não altera o comportamento das aves, 2) o observador é capaz 
de detectar e identifiqar, com a mesma eficiência, todas as espécies presentes 
na área, 3) as estimativas de distâncias entre o observador e a ave identificada 
estão corretas, 4) as aves não se movimentam muito durante o período de 
amostragem, 5) o comportamento de uma espécie ou indivíduo não influencia 
o comportamento de outro. Todas estas premissas são importantes, porém, a 
experiência do pesquisador na identificação das espécies é, sem dúvida, fun­
damental para que o método possa ser aplicado.
A determinação do número de pontos ou repetições dos mesmos pontos a ser 
amostrados vai depender do objetivo do trabalho, das espécies amostradas, da 
precisão desejada e dó tipo de hábitat, sendo que não existe uma \u201cfórmula 
mágica\u201d para essa determinação (Hamel et al. 1996). A disponibilidade de 
tempo do pesquisador é uma questão prática que também deve ser considera­
da na definição do esforço amostrai. A partir de dados obtidos num estudo
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MÉTODOS PARA ESTUDOS COM AVES
piloto, é possível estimar o tamanho amostrai necessário. A definição de um 
esforço amostrai adequado é importante para que se tenha certeza que o núme­
ro de dados a ser coletado será suficiente para responder às questões propos­
tas e que não haverá tempo perdido coletando-se dados além do necessário»
O tempo de amostragem em cada ponto também deve-ser definido. Na maioria 
dos trabalhos realizados em regiões temperadas, o pesquisador permanece entre
5 e 10 minutos em cada ponto. Para áreas de florestas neotropicais Vielliard & 
Silva (1990) sugere-se a permanência de 20 minutos. Quanto mais tempo o * 
observador permanecer no pgnto, aumenta a chance de detecção de espécies 
mais raras, mas também aumenta a chance de contar o mesmo indivíduo mais 
de uma vez. Um gráfico com o número de espécies acumulado por tempo de 
amostragem, obtido no estudo piloto, pode determinar e justificar a duração 
da contagem por pontos. Em relação à posição dos pontos, estes devem estar 
distantes o suficiente para garantir uma independência estatística entre as de­
tecções. Bibby et al. (1993) determinam uma distância mínima de 200 metros 
entre os pontos. Nos pontos amostrados nas primeiras horas do dia, o número 
de aves registradas será maior, já que as aves estão mais ativas durante este 
período. Por isso é importante que se altere a sequência de amostragem dos 
pontos em dias diferentes.
A amostragem por pontos pode ser realizada eonsiderando-se todas as de­
tecções com uma distância ilimitada, na qual são anotadas todas as espécies 
vistas ou ouvidas, independentemente da distância (Blondel et al. 1991). Se a 
área estudada apresentar uma heterogeneidade de hábitats, por exemplo, no 
caso de fragmentos florestais em meio a pastagens, dependendo do objetivo, 
pode-se anotar apenas as espécies registradas no hábitat de interesse. No Bra­
sil, a maior parte dos trabalhos utiliza pontos fixos com distância ilimitada, 
que permite o cálculo do índice Pontual de Abundância (IPA) que correspon­
de ao númeco de contatos com uma determinada espécie, dividido pelo núme-' 
ro total de amostras. Aleixo (1999) utilizou essa metodologia numa área de 
Mata Atlântica e mostrou que algumas espécies eram menos abundantes em 
florestas que sofreram retirada seletiva de madeira, comparando-se com flores­
tas primárias.
Para o cálculo da densidade das espécies, devem ser utilizadas amostragens 
por pontos, considerando um raio fixo (Reynolds et al. 1980). Nessas amos­
tragens são consideradas bandas circulares imaginárias ao redor do ponto, 
geralmente variando de 5 em 5 metros. Cada ave registrada é anotada dentro de 
sua respectiva banda de acordo com a distância do observador, permitindo
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PEDRO FERREIRA DEVELEY
que seja calculado para cada espécie, o número de indivíduos registrados em 
virtude dessa distância. A representação gráfica dessa função (número de in­
divíduos / distância do observador) permite que seja obtida uma curva de 
detecção para cada espécie. Por meio dessa curva será determinada a distância 
considerada para o cálculo da densidade de cada espécie. Uma discussão de­
talhada de como se obter as curvas de detecção de cada espécie, além de cuida­
dos e problemas na análise dessas curvas, pode ser encontrada em Bibby et al. 
(1998), e um exemplo prático da utilização do métòdo, em Blair (1996). Alguns 
pesquisadores optam em determinar apenas um raio fixo de detecção, por 
exemplo:
Talita
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