Biologia da Conservação e Manejo da Vida Silvestre_Cullen_Rudy_Rudran_e_Valladare -1
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Biologia da Conservação e Manejo da Vida Silvestre_Cullen_Rudy_Rudran_e_Valladare -1


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da presença em observações indiretas);'(í) as distâncias per­
pendiculares são medidas corretamente e (4) as detecções devem ser eventos 
independentes, ou seja, o mesmo animal, ou grupo de animais, não pode ser 
observado durante o mesmo esforço amostrai. Portanto, durante os trabalhos 
.d e campo, é extremamente importante ter essas premissas em mente para evi­
tar tendências e erros amostrais. Os censos devem ser evitados durante dias 
chuvosos e com muito vento. Os barulhos provocados pela chuva e pelo vento 
muitas vezes impedem a detecção de uma vocalização ou algum outro sinal 
sonoro que pode levar a observações diretas e indiretas equivocadas.
A coleta de dados em cada transecto deve ser realizada preferencialmente por 
um único observador. O barulho provocado pelas passadas de um observador 
atrapalha a audição do outro observador. Isso ocorre principalmente em ambi­
entes de floresta semidecidual onde se forma uma camada de folhas secas que 
produz muito barulho durante as caminhadas. O melhor horário para percor­
rer os transectos é das 6:00^10:00 pela manhã e, novamente, das 14:00-18:00 
pela tarde. Paradas breves a cada 50 metros são recomendáveis para uma me­
lhor observação e audição do ambiente. A velocidade média utilizada durante 
as caminhadas deve ser de aproximadamente 1.000 m/h. Em se tratando de
trilhas de 4 km, o período das quatro primeiras horas da manhã deve ser 
suficiente para a realização de cada esforço amostrai. O período subsequente, 
da tarde, deve ser novamente usado para o segundo esforço amostrai, retor­
nando pela mesma trilha. O período das 10:00 às 14:00 horas, no fim da 
trilha, deve ser utilizado para o descanso do observador e da trilha, para um 
lanche, para conferência dos dados e outras anotações que se fizerem necessá­
rias. E importante enfatizar que todos os animais observados durante o retor­
no na trilha também devem ser considerados para as análises, por se tratarem 
de observações realizadas em um outro esforço amostrai.
Coletando os dados
Uma boa ficha de campo deve ser preparada antes do início da coleta de dados. 
A seguir temos um exemplo de ficha utilizada nas experiências dos autores:
TRANSECTOS LINEARES NA ESTIMATIVA DE
DENSIDADE DE MAMÍFEROS E AVES
DE MÉDIO E GRANDE PORTE
Nome do Observador: Local ou região da coleta:
Data: Condições do tempo:
Horário de Início: Horário Final:
Nome ou n° do Transecto: Distância total caminhada:
Horário da 
Observação
Posição 
na Trilha
Espécie
Observada
Tamanho 
do Grupo
Distância
Perpendicular
3Observações
Associadas
7:30 Entre fita 
04-05
Cebus
apella
16 23 1 Contagem 
total
8:04 Entre fita 
16-17
Cebus
apella
6 09 Contagem
parcial
9:11 Fita 48 2Mazama 1 0
sp.
Macho
(1) O observador tem certeza que contou todos os indivíduos do grupo. Isso ocorre muitas vezes 
quando os animais estão bastante agrupados ou em ocasiões em que os animais cruzam a 
trilha ou estrada sendo possíve l contar a sequência completa de indivíduos. Os dados das 
contagens parciais devem ser utilizados para as estimativas de densidade de grupos. Entretan­
to, para a estimativa de tamanho médio dos grupos observados, o pesquisador só deve utilizar 
os dados dp contagens totais.
(2) Na incerteza quanto à espécie observada, anota-se o gênero e mais tarde obtém-se uma 
estimativa de densidade para aquele gênero especifico.
(3) Observações associadas e ou oportunísticas devem ser sem pre anotadas (por exemplo: 
comportamento, alimentação, idade aproximada, hábitat etc).
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Uma vez detectado o animal, o observador marca a posição exata da detecção, 
caminha na trilha até a posição perpendicular em relação à observação (90°) e, 
com o uso de uma trena, mede exatamente (pelo menos na precisão do metro) 
a distância perpendicular do animal à trilha. Os observadores só devem sair 
da trilha para medir a distância perpendicular e para facilitar a contagem com­
pleta de alguns grupos de animais observados. Quando a espécie observada 
estiver em grupo, toma-se a distância perpendicular do primeiro animal obser­
vado. Recomenda-se que, quando necessário, para animais de hábito social e 
que vivem em grupos, calcule-se primeiro a densidade de grupos e, depois, 
anote-se a informação do tamanho médio dos grupos, para cálculo da densida­
de dá população.*
As distancias nunca devem ser estimadas em classes de 5 metros (10, 15\u201e 20, 
25...). Esse agrupamento tendencioso pode dificultar mais tarde o perfeito 
ajuste da função de detecção nas distâncias .observadas. Cuidado específico 
deve ser tomado com a medida das distâncias mais próximas das trilhas, pois 
são estas que mais pesam na hora do perfeito ajuste da função. Erros ou esti­
mativas de distâncias perpendiculares, de observações mais distantes das tri­
lhas, são menos problemáticos, uma vez que essas distâncias têm menos influ­
ência na escolha do melhor modelo para ajuste nas distâncias perpendiculares 
(Buckland et al. 1993).
Esforço amostrai e tamanho da amostra
Recomenda-se que, em cada transecto pré-determinado, seja caminhada uma 
distância mínima de 80 km, incluindo idas e voltas no mesmo transecto. Para 
transectos de 4 km, isso significa aproximadamente 10 dias de trabalho de 
campo na área de estudo e 320 km caminhados em todos os transectos, quan­
do observadores independentes caminharem transectos diferentes simultanea­
mente. Na prática, mesmo todo esse esforço amostrai pode não ser suficiente 
para coletar o número de observações suficientes para estimativas confiáveis. 
Muito embora o número mínimo de detecções independentes recomendável 
seja 40, tamanhos amostrais menores também podem gerar estimativas robus­
tas quando analisadas com cuidado. Isso porque a meia largura efetiva da 
trilha (i) é intimamente dependente da distribuição das distâncias de detecção 
e, em algumas situações, até 20 observações podem ser necessárias, quando a 
distribuição dos dados facilita o ajuste da função de detecção (S. Buckland, 
pers. comm. In: Peres 1999). Porém, em todas as .situações, é recomendável 
que, na publicação dos resultados, o pesquisador apresente os dados do nú­
LAURY CULLEN JR.
RUDY RUDRAN
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TRANSECTOS LINEARES NA ESTIMATIVA DE
DENSIDADE DE MAMÍFEROS E AVES
DE MÉDIO E GRANDE PORTE
mero de observações (N), o esforço amostrai (L), o intervalo de confiança (Cl) e 
a estimativa pontual de densidade (D).
Análise dos dados
Muito embora, durante os transectos, o pesquisador colete dados para várias 
espécies simultaneamente, a análise é feita individualmente para cada espécie 
em estudo. Conforme foi ressaltado anteriormente, a questão se resume em 
encontrar a F unção d e D e te c ç ã o , ou o modelo que melhor se ajuste às distân­
cias perpendiculares observadas para uma determinada espécie. São várias as 
possibilidades de distribuição das distâncias perpendiculares. Por exemplo, a 
figura 4, a seguir, mostra algumas das funções que podem ser escolhidas para 
ajuste na distribuição das distâncias perpendiculares.
Distância y
Figura 4. Funções mais comuns na modelagem dos dados durante a análise no programa 
DISTANCE (Fonte! www.ruwpa.st-and.ac.uk/distance).
Até meados de 1995, os programas TRANSECT, TRANSAN, LINETRAN, 
SIZETRAN, entre outros, eram os mais utilizados nas estimativas de densida­
des populàcionais. Todos estes programas foram praticamente abandonados a 
partir do lançamento do programa DISTANCE, principalmente as versões 3.5 
e 4.0 disponíveis na plataforma Windows (Buckland et al. 2001). O programa 
pode ser obtido sem custo no endereço da In stitu içã o m antenedora 
(www.ruwpa.st-and.ac.uk/distance). Este endereço também oferece vários cursos 
e publicações associadas à metodologia de uso do programa, bem como todos 
os capítulos do seu principal manual. O software DISTANCE, de fácil utiliza­
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LAURY CULLEN
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