Aula_02

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DisciplinaEconomia da Educação74 materiais150 seguidores
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naturais. O Estado deveria apenas incentivar o progresso econômico, eliminando os obstáculos ao livre jogo das forças do mercado.
Liberalismo
Doutrina elaborada para justificar a nova ordem jurídico-política proposta pela burguesia revolucionária. 
Essa mesma doutrina, após a constituição do Estado burguês, contribui para manutenção das relações de produção capitalistas, justificando a dominação burguesa e a desigualdade social.
Liberalismo: princípios
a) Individualismo: 
O Estado deve assegurar a cada indivíduo o direito ao desenvolvimento de seus talentos e capacidades. Os direitos dos indivíduos são naturais
Locke parte da idéia de que os homens vivem em um estado de natureza e saem dele por um contrato para fundar a sociedade civil. O Estado de natureza era um estado de liberdade e igualdade, onde reinava a paz e a harmonia. No estado de natureza os homens desfrutavam do direito à vida, à liberdade e à propriedade. Eles sentem necessidade de abandonar esse estado de natureza porque a fruição de seus direitos naturais fica incerta e perigosa. É sempre possível que sua vida, liberdade e propriedades, sejam violados pelos outros homens. Para preservar a propriedade e proteger a comunidade dos perigos internos e externos, os homens se unem e estabelecem, livremente e por unanimidade, um contrato social, por meio do qual é formado um único corpo político. O contrato social é um pacto de consentimento, onde os homens concordam livremente em formar a sociedade civil para preservar seus direitos naturais. Nesta sociedade os direitos inalienáveis do ser humano (vida, liberdade e bens) estariam melhor protegidos e amparados pela lei, pelo árbitro e a força do Estado.
Se o Estado não coloca impedimentos ao desenvolvimento individual, o fracasso ou sucesso social passam a ser de responsabilidade individual.
Liberalismo: princípios
b) Liberdade
Associada ao indivíduo. A todos deve ser assegurada a liberdade para o exercício de seus talentos individuais.
Da liberdade individual decorrem todas as outras: econômica, religiosa, política
Qualquer um deve ser tão livre quanto os outros para atingir a posição social compatível com seus talentos
c)Propriedade
Direito natural do indivíduo (que o Estado não pode alienar, sob pena de ferir o princípio da liberdade individual). O Estado deve proteger o homem que pelo seu próprio esforço acumulou bens, foi industrioso e racional
A propriedade é um prêmio ao esforço e talento individual
Liberalismo: princípios
d) Igualdade
Todos são iguais perante a lei. Trata-se de uma igualdade formal, não de igualdade de condições materiais. 
A igualdade de condições materiais seria absurda, já que os homens são diferentes em relação ao talento e a riqueza é um prêmio ao talento. Se os homens são desiguais em talento, serão desiguais materialmente. A igualdade política e jurídica se mede pela desigualdade social.
A igualdade legal se completa na igualdade de oportunidades, isto é, pela abolição das restrições legais à livre competição dos indivíduos. Ninguém deve ser impedido pelo poder político de desenvolver suas potencialidades
e) Segurança
É a condição para o exercício dos outros princípios. 
O Estado garante a conservação dos direitos de cada um perseguir seus interesses.
O Estado é o agente da ordem e da paz
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Liberalismo e educação
A educação está a serviço do indivíduo, desenvolvendo suas aptidões.
Oferece a todos iguais oportunidades sociais.
Através da escola, todos os indivíduos (sem distinção social, de raça, credo religioso) ocupariam uma posição social de acordo com seus talentos e aptidões
A ascensão social do indivíduo assim, estará condicionada à sua educação, e não aos seus privilégios de sangue. 
\u201c A realização destes princípios liberais garantiria uma sociedade aberta, onde todos teriam iguais oportunidades, onde os talentos individuais assegurariam a aquisição da riqueza e a ascensão social\u201d
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O Liberalismo econômico
Adam Smith se destaca como o principal defensor do liberalismo econômico. É possível afirmar que suas formulações teóricas acabam configurar uma teoria sobre a sociedade capitalista
O liberalismo clássico conviva com duas proposições conflitantes. 
De um lado, Hobbes afirmava que o egoísmo era inato ao homem e que, sem mecanismos coercitivos, esse egoísmo levaria a um \u201cestado natural\u201d de guerra. A solução para isso seria a presença de um poder absoluto, governo central forte, ao qual todos os homens se submeteriam em troca à proteção da ameaça representada pelos outros homens.
De outro lado, um dos princípios fundamentais do liberalismo era que os homens (sobretudo os de negócio) deveriam ter liberdade para dar vazão a seus impulsos egoístas, o que supunha a supressão de todos os mecanismos de coerção impostos pela sociedade.
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A mão invisível
A \u201cmão invisível\u201d do mercado conduz as pessoas no sentido de promover o bem social de forma involuntária.
O mercado, sem intervenção estatal, se auto-regularia baseado na lei da oferta e da procura. Com isso haveria um equilíbrio dos preços, beneficiando a todos, o capitalista e o consumidor.
Em um mercado livre, os produtores, movidos pelo desejo egoísta de obter mais lucros, empregariam seu capital da forma mais produtiva, e concorreriam entre si para oferecer no mercado produtos com a qualidade e o preço compatível com a necessidade dos consumidores, que eles estariam dispostos a adquirir. Os produtos de melhor qualidade e preço atrairiam mais consumidores, levando os demais produtores a aprimorar seus preços e a qualidade de seus produtos, de modo a permanecer no mercado. Isso levaria necessariamente à maior satisfação dos consumidores.
Assim, o mercado livre, com sua mão invisível, garantiria o bem social. Todos estariam com suas necessidades econômicas satisfeitas. Agindo todos de forma egoísta, isto é, pensando em seus interesses e procurando maximizar seu lucro (ofertadores) e satisfação (consumidores) garantiriam um equilíbrio perfeito pelo livre jogo das forças da oferta e da procura.
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Criticando o liberalismo econômico
Smith acredita que a intervenção estatal não é bem vinda. Para ele, a regulamentação do governo aloca mal o capital, o que restringe o \u201cgrande\u201d papel do capitalismo, o bem social. 
Esse discurso não é verdadeiro. Porque quanto mais o capitalista aumenta a sua produção e consequentemente o seu lucro, mais o trabalhador é explorado, desvalorizado. 
A lógica de Smith somente beneficia um seleto grupo de proprietários dos meios de produção. 
O liberalismo econômico retira do cenário de análise a oposição de classe: a burguesia versus o proletariado. 
O conflito entre as classes sociais do capitalismo não se resolve pela \u201cmão invisível\u201d do mercado, e não proporciona a harmonia social. 
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A divisão do trabalho e o progresso social 
Para Smith, um mercado livre e sem entraves, possibilitaria um progresso econômico contínuo. Para o autor, a acumulação do capital e a divisão do trabalho levariam ao aumento da capacidade produtiva da economia que, por sua vez, possibilitaria a prosperidade, o progresso.
Se um homem produzisse tudo que ele e sua família necessitavam, a produtividade seria baixa. Se os homens produzissem apenas a mercadoria para a qual estivessem melhor capacitados, vendendo seus produtos e comprando os demais no mercado, a produtividade da economia aumentaria. A produtividade seria ainda maior se o processo de produção de cada mercadoria fosse segmentado em estágios, cada pessoa realizando apenas uma etapa do processo, como nas fábricas.
Essa divisão do trabalho mais complexa levaria à acumulação de capital (ferramentas, equipamentos, etc) em função dos lucros da produção. Os capitalistas continuariam a investir na produção, expandindo seu capital, enquanto a procura pelas mercadorias fosse superior às quantidades produzidas, gerando por sua vez, maior divisão do trabalho. 
Maior divisão do trabalho \u2192 maior produtividade \u2192maior lucro \u2192maior acumulação