Aula_06

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DisciplinaEconomia da Educação74 materiais150 seguidores
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ambientais, etc).
Assim, de acordo com Frigotto temos uma análise circular. Sob a ótica do capital humano a educação é vista como fator de aumento de renda e mobilidade social. A escolarização é posta pela teoria do capital humano como determinante da renda. Mas por sua vez, o acesso à escola, a permanência nela e o desempenho escolar são determinados fundamentalmente pela renda dos indivíduos e outros indicadores que descrevem a situação econômica familiar. 
O determinante vira determinado! 
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O CARÁTER IDEOLÓGICO DA 
TEORIA DO CAPITAL HUMANO
Para alguns autores, como Frigotto, essa circularidade decorre do caráter ideológico da teoria do capital humano. 
É também o caráter ideológico da teoria do capital humano que faz com que ela sobreviva a tantas críticas e embates. 
Certamente a teoria foi bem sucedida na sua intenção de justificar a ordem capitalista, de fazer uma apologia da ordem burguesa. É fácil mesmo perceber que já faz parte do senso comum acreditar que a educação é fundamental para o desenvolvimento econômico de um país.
A teoria do capital humano conferiu à ideologia liberal uma roupagem científica, técnica, e por isso mesmo mais difícil de questionar. Era a legitimidade \u201ccientífica\u201d que lhe faltava...
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EXPLICANDO O CARÁTER IDEOLÓGICO \u2013 
ponto de vista macro
A teoria do capital humano revela-se como uma ideologia que busca o desenvolvimento do capitalismo e que tem como objetivo manter a hegemonia na recomposição do imperialismo capitalista. Uma ideologia que busca manter cada pais no lugar que ocupa na ordem internacional, afirmando que o subdesenvolvimento de alguns países da periferia do capitalismo não é uma realidade histórica, associada aos interesses de domínio dos países do capitalismo central e da divisão internacional do trabalho, mas uma questão de escolha. O caminho do desenvolvimento é visto como um processo gradual, fruto dos investimentos em educação. Assim, a teoria passa a idéia de que o subdesenvolvimento nada tem a ver com as relações de poder, mas se trata de um problema de mudança ou modernização de alguns fatores, ente os quais se destaca a presença de recursos humanos qualificados: de capital humano. Não se discutem as relações de poder econômico internacionais. 
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EXPLICANDO O CARÁTER IDEOLÓGICO \u2013
ponto de vista micro 
Na medida em que a teoria do capital humano afirma que uma despesa em educação garante maior produtividade no trabalho e maior renda individual, a teoria acaba por fazer acreditar que a decisão de aumentar a renda é uma escolha individual. Os sujeitos podem escolher livremente aumentar sua renda: basta investir em educação. Ser rico ou pobre é uma decisão de cada indivíduo, só depende de cada um. Se não se é bem sucedido, a responsabilidade é do indivíduo. 
O fato do indivíduo não ser proprietário de capital, ou não ser um burguês pouco importa, uma vez que investindo em capital humano o indivíduo poderá aumentar sua renda. É dele a decisão. A idéia que se passa é que a médio e longo prazo, este investimento lhe permitirá ter acesso ao capital físico ou aos privilégios dos que o possuem.
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O QUE A TEORIA DO CAPITAL HUMANO OCULTA : 
A DESIGUALDADE SOCIAL E A LUTA DE CLASSES
A teoria do capital oculta a desigualdade social determinada pelas relações de produção capitalistas que separam as classes sociais. Escamoteia a relação de dominação e exploração, que se concretiza na mais valia, definindo interesses antagônicos e irreconciliáveis para as duas classes sociais fundamentais: burguesia e classe trabalhadora.
Encobre com um véu a luta entre essas duas classes, mostrando que o que existe é a divisão da sociedade em estratos diferentes. As pessoas que tem capital, se esforçaram mais, pouparam mais, sacrificaram suas horas de lazer e tiveram uma maior escolaridade. Os demais trabalharam apenas o tempo necessário para a sua sobrevivência e não demonstram real interesse pela escola. 
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O QUE A TEORIA DO CAPITAL HUMANO OCULTA : 
A DESIGUALDADE SOCIAL E A LUTA DE CLASSES
A questão da desigualdade e dos antagonismos de classe fica encoberta pela crença na meritocracia. A sociedade capitalista se reveste de uma igualdade de oportunidades. A todos é dado o poder de conseguir, através da educação, ascender socialmente e aqueles que não conseguem não podem reclamar, já que se não a alcançam é por falta de mérito próprio. O problema da desigualdade tende a reduzir-se a um problema de qualificação.
Culpar cada um pelo \u201cfracasso\u201d e pela posição social retira do debate a responsabilidade do Estado e da classe dominante sobre as trajetórias de vida dos sujeitos da classe trabalhadora. As relações de poder e de dominação cedem lugar à ideologia do mérito, do dom, do esforço individual.
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O QUE A TEORIA DO CAPITAL HUMANO OCULTA: 
O PAPEL DA ESCOLA CAPITALISTA
A teoria do capital humano faz o investimento em educação parecer uma escolha pessoal, ocultando a real função da escola capitalista. Oculta que a escola capitalista contribui para manter a ordem social desigual, na medida em que ela difunde a ideologia (constrói o consenso em torno da ordem burguesa) e que \u201cnega\u201d o acesso ao saber acumulado às classes trabalhadores, alvo de uma educação desqualificante. Os sujeitos das diferentes classes sociais chegam à escola em condições distintas. A escola, em trajetórias escolares diferenciadas, forma os profissionais que ficarão a cargo das funções intelectuais e instrumentais da sociedade, reproduzindo a desigualdade social, reproduzindo as diferenças sociais.
A escola fica reduzida a uma dimensão asséptica, separada do político e do social. Sua função passa a ser formar recursos humanos, produzir capital humano.
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O QUE A TEORIA DO CAPITAL HUMANO OCULTA: 
O PAPEL DA ESCOLA CAPITALISTA
A teoria do capital humano faz do elemento determinado (educação), o elemento determinante (da renda), invertendo a lógica da análise crítica sobre a relação escola/sociedade e reafirmando a visão liberal da escola
A teoria do capital humano faz da escola uma instituição a serviço do indivíduo e promotora da construção de uma sociedade aberta (mobilidade social), já que oferece iguais oportunidades a todos e permite o desenvolvimento dos talentos individuais.
Essa teoria surge em resposta às necessidades de expansão do capitalismo, já que com o início da sua mundialização, é necessário algum tipo de qualificação para os trabalhadores dos países subdesenvolvidos. A proposta é oferecer uma escola que garanta um mínimo de qualificação para o trabalhador do chão da fábrica, mas fazendo todos acreditarem que o aumento dos níveis de escolarização, o esforço individual e o sacrifício viabilizam uma ascensão profissional e um aumento de renda. 
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RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO: VISÃO CRÍTICA
Alguns economistas e educadores brasileiros vão buscar compreender, ao longo das décadas de 80 e 90, as relações entre a prática educativa escolar e a estrutura social e econômica capitalista sob uma perspectiva crítica. Foram três as leituras realizadas:
1) A ESCOLA É PRODUTIVA PARA O CAPITAL
Alguns autores acreditam, da mesma forma que a teoria do capital humano, que a educação potencia trabalho, gerando maior produtividade. Essa maior produtividade, entretanto, não geraria aumento da renda individual, mas uma ampliação da mais valia. O trabalhador, mais escolarizado seria mais produtivo, diminuindo o tempo de trabalho necessário para que produzisse um valor igual ao valor de sua força de trabalho.
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RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO: VISÃO CRÍTICA
2) A ESCOLA É IMPRODUTIVA PARA O CAPITAL
Um segundo grupo de autores critica a primeira leitura dizendo que ela não na consegue ir além da teoria do capital humano, já que ela vê a escola apenas como um departamento produtor de mão de obra qualificada. Ambos, teoria do capital humano e o primeiro grupo de autores acreditam, erroneamente, que a escola consegue gerar maior produtividade do