Aula_06

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DisciplinaEconomia da Educação74 materiais150 seguidores
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trabalho, permitindo a criação do excedente. Enquanto a teoria do capital humano chama esse excedente de taxa de retorno, o primeiro grupo de autores chama isso de mais valia relativa.
Observando o agigantamento do sistema educacional e a desqualificação crescente da classe trabalhadora, esse segundo grupo de autores acredita que é no seio da produção que o capital forma os trabalhadores com as qualificações requeridas. O capital não precisa da escola para preparar os trabalhadores. Eles são treinados no próprio local de trabalho.
Não existe, portanto, vínculo entre a educação escolar e a estrutura produtiva. A escola desempenharia no interior do processo capitalista de produção apenas uma função política e ideológica. 
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RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO: VISÃO CRÍTICA
3) A PRODUTIVIDADE DA ESCOLA IMPRODUTIVA - Frigotto
Esse autor concorda em parte com a segunda interpretação: de fato, a escola não gera mais valia relativa. De fato, a escola tem uma função política e ideológica na sociedade capitalista. Entretanto, discorda do segundo grupo, acusando-o de realizar uma análise mecanicista, por negar a existência de um vínculo entre educação e estrutura produtiva. 
Frigotto defende a tese de que a prática educativa se relaciona com a estrutura produtiva não de forma imediata, direta, mas de forma MEDIATA. Afirma que a prática educativa realiza diferentes mediações com a estrutura produtiva. 
a) a mediação da escola com o processo produtivo se dá, em primeiro lugar, pelo fornecimento de um saber geral, com traços ideológicos, que se articula ao saber prático que se desenvolve no interior do processo produtivo. Esse saber geral é fundamental para criar os trabalhadores com o perfil desejado pelo capital
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RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO: VISÃO CRÍTICA
3) A PRODUTIVIDADE DA ESCOLA IMPRODUTIVA - Frigotto
b) em segundo lugar, a escola, mediante a criação de centros de excelência, prepara os intelectuais que atuam como trabalhadores improdutivos, mas necessários à realização da mais valia, já que são eles que organizam, planejam, gerenciam e supervisionam a produção. Sua atuação é voltada para maximizar as condições de produção da mais valia e, nessa tarefa, o domínio dos saberes transmitidos pela escola é fundamental.
c) Por fim, a escola cumpre também uma função mediadora mediante sua INEFICIÊNCIA. Na medida em que a escola oferecida para as classes trabalhadoras é de péssima qualidade, isto é, na medida em que os trabalhadores não têm acesso ao saber acumulado, a escola acaba cumprindo uma dupla função na reprodução das relações de produção: 1) justifica a situação de exploração; 2) limita a luta da classe trabalhadora contra o capital.
Por sua improdutividade, a escola torna-se produtiva ao capital. 
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A TEORIA DO CAPITAL HUMANO NO BRASIL
Após a Segunda Grande Guerra, a divisão internacional do trabalho penetra na economia brasileira. Nessa época, o Brasil implementou um processo de reestruturação produtiva, voltado para a realização da grande indústria taylorista-fordista. O capitalismo brasileiro se subordinou aos países dominantes e às suas multinacionais. As multinacionais buscam em países de capitalismo dependente mão de obra barata e a consolidação industrial que possibilite um aumento na acumulação de capital dos países centrais. Porém, nesses países periféricos, o desenvolvimento da indústria deve estar atrelado aos objetivos dos \u201cmandatários\u201d, que não tem interesse em permitir uma indústria que concorra com as suas e nem que esses países tenham um desenvolvimento tecnológico além do permitido. É, então, essencial para atingir esta meta, a formação de um trabalhador urbano e industrial adequado às regras da fábrica. Ou seja, um trabalhador que tenha disciplina e uma qualificação mínima para o trabalho e para o consumo. 
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A TEORIA DO CAPITAL HUMANO E AS POLÍTICAS PÚBLICAS DE EDUCAÇÃO NO BRASIL
O governo militar buscava atrelar o modelo de desenvolvimento econômico brasileiro aos interesses do grande capital (internacionalizado). É nesse contexto que a teoria do capital humano passa a fundamentar as políticas educacionais do período. Ela esteve \u201cpresente\u201d nos discursos do governo militar e nas diretrizes de organismos internacionais. Entre as medidas adotadas podemos citar a Lei 5692/71, que estabeleceu o aumento dos anos de escolarização obrigatória de quatro para oito anos. A justificativa oficial para isso foi a necessidade de democratização do acesso à escola, vista como preparação da mão de obra para o desenvolvimento econômico.
É a teoria do capital humano que fundamenta a profissionalização compulsória do segundo grau. Essa medida, embora tenha sido percebida na visão de muitos analistas como uma estratégia de contenção ao acesso ao ensino superior, foi apresentada como uma medida de preparação de profissionais de nível técnico para dar conta do projeto de desenvolvimento do país.
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A TEORIA DO CAPITAL HUMANO E 
A EDUCAÇÃO NO BRASIL 
A escola passa a ser compreendida em uma perspectiva econômica, isto é, como instância formadora de mão-de-obra e produtora de conhecimento técnico, atendendo às necessidades do capital.
A escola passa a ser organizada como uma empresa, e a lógica industrial penetra nos espaços escolares, difundindo-se uma visão economicista da educação, além da idéia de que a qualidade do ensino é sinônimo de maior eficácia e rentabilidade financeira.
Desenvolve-se uma concepção reducionista da educação e do ensino e a escola passa a ter uma organização semelhante a uma empresa, com separação entre especialistas da educação e simples docentes. 
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A PEDAGOGIA TECNICISTA
O conceito de capital humano reduz a prática educativa a um fator técnico de produção, direcionando a organização da escola e outros programas educativos para as necessidades e interesses do capital. Esse direcionamento e organização se baseiam na pedagogia tecnicista, que tem como objetivo uma reordenação do processo educativo para torná-lo mais \u201cobjetivo e racional\u201d, e condizente com as idéias provenientes da teoria do capital humano.
A pedagogia tecnicista desloca as preocupações para os aspectos internos da escola, para os \u201cmeios\u201d destinados a \u201cmodernizar\u201d a prática docente, para \u201coperacionalização\u201d dos objetivos \u2013 instrucionais e comportamentais -, para o \u201cplanejamento e coordenação e o controle\u201d das atividades, para os \u201cmétodos e técnicas\u201d de avaliação (...). Busca tornar a escola \u201ceficiente e produtiva. A formação privilegia as técnicas e os métodos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, em detrimento de uma pedagogia emancipatória.
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A TEORIA DO CAPITAL HUMANO E 
A EDUCAÇÃO NO BRASIL
É a partir dessa nova realidade que a teoria do capital humano se dissemina. A escola e consequentemente a educação assumem um novo papel na qualificação do trabalhador. A escola passa a ter a função de adestrar o trabalhador para o trabalho no chão da fábrica e para o consumo. Anteriormente a escola era o espaço das classes médias e dominantes, a partir de agora, ela é franqueada às classes trabalhadoras, e se torna uma política de Estado. É imperioso ter um espaço formal de educação que objetiva atender aos anseios das classes dirigentes na formação da mão de obra necessária a ampliação do capital. 
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