Ponto 3 - Processo Civil
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Ponto 3 - Processo Civil

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cabendo ao juiz exercer a jurisdição na conformidade com a norma (DECLARATÓRIA) 
Teoria Unitária: o juiz por meio da jurisdição cria o direito antes inexistente. (CONSTITUTIVA)
d) Princípios da jurisdição:
Princípio da aderência ao território: a jurisdição só é exercida nos limites territoriais do Estado, sendo considerados ligados ao território nacional os conflitos civis: a. em que o réu tenha domicílio no Brasil; b. em que se verse sobre obrigação a ser cumprida no Brasil; c. cuja origem seja fato aqui ocorrido; d. em que o objeto da pretensão seja imóvel situado no Brasil; e. em que os bens que constituam objeto de inventário ou partilha se situem no Brasil (arts. 88 e 89, CPC). Obs.: d e e: são as hipóteses de jurisdição exclusiva.
Princípio da investidura \u2013 só exerce jurisdição quem foi investido no cargo de Juiz. Ato praticado sem investidura é ato inexistente.
Princípio da Impessoalidade \u2212 titular da jurisdição é o Estado, não o Juiz. Obs.: Juiz presenta o estado (Teoria do Órgão \u2212 Otto Von Gierke).
Princípio da indelegabilidade \u2013 juiz não pode delegar atribuições decisórias. Exceção: art. 102, I, m, CF \u2013 delegação, pelo STF, da atribuição para prática de atos processuais para execução de seus julgados. Isto é, carta de ordem (\u2260 da carta rogatória, que é mero pedido de cooperação \u2212 e não é exceção à indelegabilidade)
Princípio da inevitabilidade \u2013 poder estatal submete o particular independente/e de sua vontade. Exceção: regramento da nomeação à autoria.
Princípio da inafastabilidade \u2013 ligado ao direito fundamental de acesso à Justiça (q impede criação de óbices à busca, ante lesão ou ameaça de lesão a direito, da tutela jurisdicional).
Princípio do juiz natural \u2013 proíbe-se juízo ou tribunal de exceção, ninguém será processado senão pela autoridade competente previamente estabelecida (art. 5º, XXXVII e LIII, CF).
Princípio da inércia \u2013 Ne procedat iudex ex officio - A jurisdição não é prestada de ofício. Protege-se a imparcialidade do Juízo.
Limites à jurisdição.
Internacionais \u2212 relacionados à coexistência dos Estados. 
Objetivos: Quem dita os limites internacionais da jurisdição de cada Estado são as normas internas desse mesmo Estado, mas, em princípio, cada Estado tem poder jurisdicional nos limites de seu território, tendo em vista a necessidade de coexistência com outros Estados soberanos, além da conveniência (excluem-se os conflitos irrelevantes para o Estado) e viabilidade (excluem-se os casos que não será possível a imposição autoritativa do cumprimento da sentença). Análise da COMPETÊNCIA INTERNACIONAL (art. 88 e 89 do CP), para verificar que o Brasil terá JURISDIÇÃO sobre a lide. Para efeito de jurisdição, não importa a lei aplicável (se brasileira ou não), mas, apenas, se o Brasil tem competência internacional
Subjetivos : São imunes à jurisdição de um país: 
* os Estados estrangeiros;
* os chefes de Estados estrangeiros; e
* os agentes diplomáticos;
* organismos internacionais, como a ONU, que obtiveram a imunidade em decorrência de tratados e convenções.
Internos \u2212 exceções ao princ. da inafastabilidade (limites, excepcionais). Ligados ao preenchimento das condições da ação, em especial à possibilidade jurídica do pedido. Ex.: situações em que o Estado-administração é o único a decidir a respeito de eventuais conflitos, sem intervenção do Judiciário, como nos casos de impossibilidade da censura judicial dos atos administrativos, do ponto de vista da oportunidade ou conveniência; lei veda da apreciação judiciária as pretensões fundadas em dívidas de jogo (art. 814, CC); Justiça desportiva
3.11.2 Competência. Critérios Determinadores. Competência Internacional e Interna. Competência Absoluta e Relativa. Modificações. Meios de Declaração de Incompetência. Conflitos de Competência. Perpetuação da Jurisdição. Competência da Justiça Federal e dos Juizados Especiais Federais.
A) Critérios
Na fixação da competência, devem ser feitos os 8 questionamentos:
a Justiça Brasileira é competente? (competência de jurisdição)
A competência é de Tribunais de Superposição? (STF e STJ - competência originária)
A competência é da Justiça Especial? (Eleitoral, Trabalho ou Militar - competência de matéria)
Sendo a competência comum, é federal ou estadual? (competência de matéria)
A competência é originária do Tribunal respectivo? (competência originária)
Qual a comarca ou seção judiciária competente? (competência de foro)
Qual a vara competente? (competência de juízo)
A jurisdição é una, mas tal unicidade não impede a especialização de setores da função jurisdicional. A competência é o resultado de critérios que visam a distribuir entre os vários órgãos as atribuições relativas ao desempenho da jurisdição. Ou seja, é a medida da jurisdição. A competência pode se classificar em: a) Competência do foro e do juízo: Foro é a unidade territorial sobre a qual se exerce o poder jurisdicional. Já o juízo é a vara, cartório, unidade administrativa na qual o magistrado exerce suas funções. A competência do juízo é matéria afeta às leis de organização judiciária. A competência de foro é regulada pelo CPC; b) Competência originária e derivada: É originária a competência atribuída ao órgão jurisdicional diretamente, para conhecer da causa em primeiro lugar. Será derivada a competência recursal, que atribui ao órgão jurisdicional a revisão de decisão já proferida; Princípio Kompetenzkompetenz: O juiz tem sempre competência para examinar a sua competência. A decisão proferida por um juiz incompetente não é uma não-decisão, como entendia Calmon de Passos. Trata-se, a rigor, de sentença inválida, e não de sentença inexistente. Ademais, como se trata de desrespeito a comando constitucional, o vício que dele decorre pode ser arguido a qualquer tempo, inclusive após o prazo para ação rescisória (\u201cvício transrescisório\u201d, na dicção de TESHEINER), por meio de querela nulittatis. Critérios para divisão de competência: a) Objetivo: Toma por base a natureza da relação jurídica substancial deduzida em juízo, pelo que é relevante conhecer os elementos da demanda, que são utilizados como critérios de divisão da competência (partes, causa de pedir e pedido); b) territorial: é o critério que distribui a competência em razão do lugar. Ver arts. 94 e seguintes do CPC; c) funcional: relaciona-se com a distribuição das funções que devem ser exercidas em um mesmo processo. Com base nisso a competência funcional pode se dividir (i) por graus de jurisdição - originária ou recursal -, (ii) por fases do processo \u2013 cognição e execução -, (iii) por objeto do juízo \u2013 uniformização de competência, declaração de inconstitucionalidade, etc.
B) Competência internacional e interna
Competência internacional: É decorrência da própria noção de soberania e do princípio de efetividade, pelo qual o Estado deve se abster de julgar uma causa se a sentença não puder ser reconhecida onde deve exclusivamente produzir seus efeitos. Logo, por se constituir verdadeira limitação da jurisdição de um Estado em face dos outros, a competência internacional brasileira diz quais as causas que deverão ser conhecidas e decididas por nossa justiça. A competência internacional será concorrente ou cumulativa, nos casos do art. 88\ufffd, CPC, e exclusiva, nos casos do art. 89\ufffd, CPC. Atenção para o disposto no art. 90, CPC, segundo o qual a ação intentada perante tribunal estrangeiro não induz litispendência no Brasil, previsão esta que se aplica, por óbvio, à competência internacional concorrente. Nesse caso, terá prevalência a sentença que transitar em julgado em primeiro lugar, sabendo-se que a homologação da sentença estrangeira implica seu trânsito em julgado no Brasil (STF, Pleno, SE 4.509/AO, Rel. Min. Marco Aurélio). Todavia, entende-se que, proferida liminar no Brasil, esta prevalece sobre a sentença estrangeira, pena de violação da soberania nacional (STF, Pleno, SEC 5.526/NO, Rel. Min. Ellen Gracie).
Homologação de sentença estrangeira: Trata-se de instrumento que