Ponto 3 - Processo Civil
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Ponto 3 - Processo Civil

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e 109 (1ª instância) do Texto Constitucional. 
***S. 150 STJ Compete à Justiça Federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que justifique a presença, no processo, da União, suas autarquias ou empresas públicas. 
*** 224 STJ  Excluído do feito o ente federal, cuja presença levara o Juiz Estadual a declinar da competência, deve o Juiz Federal restituir os autos e não suscitar conflito.
** No âmbito cível, a competência da Justiça Federal é constitucional e taxativa (DIDIER, 2013, p.193. Na matéria penal, art. 109, VI : nos crimes contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira, a legislação ordinária irá determinar as hipóteses em que a competência para julgamento será federal.
** É absoluta: prevista expressamente na Constituição.
( 109, I: \u201cas causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho;\u201d
ratione personae
\u201cEntidade autárquica\u201d - expressão genérica (autarquias + fundações). Agências reguladoras - natureza jurídica de \u201cautarquias sob regime especial\u201d. 
OBS: agência reguladora como amicus curiae : não haverá deslocamento da competência para a Justiça Federal, considerando que o amicus não é parte. 
OBS 2: Súmula vinculante 27-STF: Compete à Justiça Estadual julgar causas entre consumidor e concessionária de serviço público de telefonia, quando a Anatel não seja litisconsorte passiva necessária, assistente nem opoente.
OBS 3: Os Conselhos de Fiscalização Profissional (exs: CREA, CRM, COREN, CRO, CRC etc.) = autarquias federais. S 66 do STJ: \u201cCompete à Justiça Federal processar e julgar execução fiscal promovida por Conselho de fiscalização profissional.\u201d
OBS 4: OAB
A OAB, por ser um Conselho Profissional, era classificada pela doutrina como autarquia federal. Mas - STF, ao julgar a ADI 3026/DF (08/06/2006): OAB não é uma entidade da Administração Indireta da União (não é uma autarquia federal), mas sim um \u201cserviço público independente\u201d. Com base nesta decisão, surgiram opiniões defendendo que a competência não deveria mais ser da Justiça Federal. Para o STJ ( em um caso no qual foi impetrado mandado de segurança contra o Presidente da subseção da OAB/AP) - 2ª Turma - continua sendo competência da Justiça Federal (AgRg no REsp 1.255.052-AP, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 6/11/2012). O Min. Rel. Humberto Martins considerou que, de fato, a OAB não pode ser classificada como autarquia federal por conta da decisão do STF, mas as funções desempenhadas pela OAB possuem natureza federal, uma vez que foram delegadas pela União, por meio da Lei, para serem exercidas pela Ordem. As finalidades da OAB estão previstas no art. 44 da Lei n.\uf0b0 8.906/94. Segundo o Min. Humberto Martins, \u201c(...) as funções desempenhadas pela OAB possuem natureza federal. Não há como conceber que a defesa do Estado Democrático de Direito, dos Direitos Fundamentais etc. e a regulação profissional dos advogados constituam atribuições delegadas pelos Estados Membros. Portanto, o presidente da seccional da OAB exerce função delegada federal, motivo pelo qual, a competência para o julgamento do mandado de segurança contra ele impetrado é da Justiça Federal.\u201d (STJ. AgRg no REsp 1.255.052-AP). Desse modo, para o STJ, as causas envolvendo a OAB continuam sendo de competência da Justiça Federal. O STF ainda não se debruçou sobre a definição da competência para julgar causas envolvendo a OAB. O tema, no entanto, será em breve submetido ao Plenário da Corte, tendo em vista que já foi considerado como de repercussão geral (RE 595332 RG, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 18/03/2010).
OBS. 4: Sociedades de economia mista não estão incluídas no inciso I !! 
Súmula 508-STF: Compete à justiça estadual, em ambas as instâncias, processar e julgar as causas em que for parte o Banco do Brasil, S.A.
Súmula 517-STF: As sociedades de economia mista só tem foro na justiça federal, quando a União intervém como assistente ou opoente.
Súmula 556-STF: É competente a justiça comum para julgar as causas em que é parte sociedade de economia mista.
OBS 5: Ministério Público Federal
A simples presença do MPF na lide faz com que a causa seja da Justiça Federal? Em outras palavras, todas as ações propostas pelo Parquet federal serão, obrigatoriamente, julgadas pela Justiça Federal? 
( Demandas contra o CNJ e CNMP
Art. 102, I, r, CF: compete ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar originariamente: \u201cas ações contra o Conselho Nacional de Justiça e contra o Conselho Nacional do Ministério Público\u201d.
A jurisprudência do STF, no entanto, confere interpretação estrita a esse dispositivo, de forma que somente compete ao STF as demandas em que o próprio CNJ ou CNMP \u2013 que não possuem personalidade jurídica própria \u2013 figurarem no polo passivo. É o caso de mandados de segurança, habeas corpus e habeas data contra os Conselhos. No caso de serem propostas ações ordinárias para impugnar atos do CNJ e CNMP, quem irá figurar como ré no processo é a União, já que os Conselhos são órgãos federais. Logo, tais demandas serão julgadas pela Justiça Federal de 1ª instância, com base no art. 109, I, da CF/88.
Resumindo:
** MS, HS e habeas data - STF
** Ações ordinárias - Juiz federal (1ª instância)
OBS 6: Ação de pensão por morte na qual haverá reconhecimento de união estável 
A definição da competência se estabelece de acordo com os termos da demanda, e não a partir de considerações a respeito de sua procedência, da legitimidade das partes ou de qualquer juízo acerca da própria demanda. Se a pretensão deduzida na inicial não diz respeito ao reconhecimento de união estável, mas apenas à concessão de benefício previdenciário, deve ser reconhecida a competência da Justiça Federal. Ainda que o juízo federal tenha de enfrentar o tema referente à caracterização da união estável, não haverá usurpação da competência da Justiça Estadual, pois esse ponto somente será apreciado como questão prejudicial, possuindo a demanda natureza nitidamente previdenciária. Vale ressaltar que a decisão da Justiça Federal sobre a existência ou não da união estável terá efeitos apenas para a concessão da pensão por morte, não valendo para fins de direito de família e sucessórios. Assim, esse tema, decidido como questão prejudicial, não fará coisa julgada, conforme determina expressamente o art. 469, III do CPC: Art. 469. Não fazem coisa julgada: III - a apreciação da questão prejudicial, decidida incidentemente no processo
OBS 7: Causas que são de interesse mediato das agências reguladoras: Justiça Estadual. O interesse da União na causa é mediato e indireto, o que não justifica a atração do feito para Justiça Federal. Exemplos: a) Restituição de indébito relacionada com tarifa de energia elétrica: Justiça Estadual. b) Ação de usuário de telefonia contra a concessionária: Justiça Estadual (Súmula vinculante 27-STF: Compete à Justiça Estadual julgar causas entre consumidor e concessionária de serviço público de telefonia, quando a Anatel não seja litisconsorte passiva necessária, assistente nem opoente).
Desse modo, salvo as hipóteses de demandas coletivas, nas ações individuais que tramitam entre o usuário e a concessionária de telefonia a ANATEL não é parte legítima para figurar na lide, sendo tais feitos de competência da Justiça Estadual.
OBS 8: Causas que são excluídas da Justiça Federal mesmo envolvendo entes federais:
a) Falência, recuperação judicial ou insolvência civil
b) Acidentes de trabalho: se a ação por acidente de trabalho for proposta contra o INSS, a competência será da Justiça Estadual. Se for intentada contra o empregador, será julgada pela Justiça do Trabalho;
c) Lides eleitorais;
d) Lides trabalhistas
OBS 9: S. 365 STJ   : A intervenção da União como sucessora da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA) desloca a competência para a Justiça