Ponto 3 - Processo Civil
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Ponto 3 - Processo Civil

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execuções fiscais, era obrigatória, porque o autor é o Estado.
OBS2: Criação de Vara Federal na localidade: não há perpetuatio, sendo remetidos, de imediato, todos os processos pendentes de sentença.
**** COMPETÊNCIAS JUIZADO ESPECIAL FEDERAL 
60 salários mínimos: Enunciado FONAJEF 15: Na aferição do valor da causa, deve-se levar em conta o valor do salário mínimo em vigor na data da propositura de ação.
Complexidade da causa (critério implícito): 98, I C	
A competência do JEF para julgamento de causas que, a despeito de ostentarem valor inferior a 60 s.m., exijam produção probatória complexa é tema controvertido na jurisprudência. Atualmente, o entendimento do STJ é no sentido de que para definição da competência dos JEF, ao contrário dos JE estaduais, é desinfluente a maior ou menor complexidade probatória.
Em sentido contrário:
Enunciado nº 91 \u2013 FONAJEF: Os Juizados Especiais Federais são incompetentes para julgar causas que demandem perícias complexas ou onerosas que não se enquadrem no conceito de exame técnico (art. 12 da lei n. 10.259/2001).
Quando a pretensão versar sobre obrigações vincendas, para fins de competência do Juizado Especial, a soma de 12 (doze) parcelas não poderá exceder o valor de 60 salários-mínimos (art. 3º, §2º). Se houverem parcelas vencidas, seu valor deve ser somado às vincendas.
Enunciado FONAJEF 17: Não cabe renúncia sobre parcelas vincendas para fins de fixação de competência nos Juizados Especiais Federais.
Na hipótese do valor da causa ultrapassar os 60 salários-mínimos, deve o Juiz reconhecer a incompetência do JEF e determinar a extinção do processo, pois não é admitida a renúncia tácita ao valor excedente, ao contrário do que ocorre nos Juizados Especiais Estaduais (art. 15 c/c art. 39 da Lei 9.099/95).
Enunciado FONAJEF 48: Havendo prestação vencida, o conceito de valor da causa para fins de competência do JEF é estabelecido pelo art. 260 do CPC.
Enunciado FONAJEF 49: O controle do valor da causa, para fins de competência do JEF, pode ser feito pelo juiz a qualquer tempo.
No litisconsórcio ativo, o valor da causa deve ser calculado por autor, sob pena de burla ao sistema dos JEF, especialmente na hipótese de litisconsórcio ativo facultativo. Caso o número de autores dificulte a solução da lide, é possível a sua limitação pelo Juiz.
Enunciado FONAJEF 18: No caso de litisconsorte ativo, o valor da causa, para fins de fixação de competência deve ser calculado por autor.
Enunciado nº 65 FONAJEF: Não cabe a prévia limitação do valor da multa coercitiva (astreintes), que também não se sujeita ao limite de alçada dos Juizados Especiais Federais, ficando sempre assegurada a possibilidade de reavaliação do montante final a ser exigido na forma do parágrafo 6º do artigo 461 do CPC.
No foro onde estiver instalada Vara do Juizado especial, a sua competência é absoluta (art. 3º, §3º). Nos Juizados Especiais Estaduais, a competência é relativa, cabendo o autor da demanda optar por ajuizar a ação perante a justiça comum ou perante os juizados. Diferentemente, a competência dos juizados especiais cíveis federais é absoluta, razão pela qual não pode ser alterada pela vontade das partes.
Não se incluem na competência do Juizado Especial Cível (art. 3º, §1º):
Inciso I \u2013 As demandas que envolvam Estado estrangeiro ou organismo internacional e Município ou pessoa domiciliada ou residente no País (art. 109, II, CF), ou as causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado estrangeiro ou organismo internacional (art. 109, III, CF) e aqueles que dizem respeito a disputa sobre direitos indígenas (art. 109, XI, CF), os mandados de segurança, as ações de desapropriação, de divisão, demarcação, populares, execuções fiscais, as demandas por improbidade administrativa e sobre direitos ou interesses difusos, coletivos e individuais homogêneos. 
Enunciado FONAJEF 9: Além das exceções constantes do § 1º do artigo 3º da Lei n. 10.259, não se incluem na competência dos Juizados Especiais Federais, os procedimentos especiais previstos no Código de Processo Civil, salvo quando possível a adequação ao rito da Lei n. 10.259/2001.
Enunciado FONAJEF 22: A exclusão da competência dos Juizados Especiais Federais quanto às demandas sobre direitos ou interesses difusos, coletivos ou individuais homogêneos somente se aplica quanto a ações coletivas.
Inciso II \u2013 As demandas sobre bens imóveis da União, autarquias e fundações públicas federais.
Inciso III \u2013 para anulação ou cancelamento de ato administrativo federal, salvo o de natureza previdenciária e o de lançamento fiscal.
Inciso IV \u2013 que tenham como objeto a impugnação de pena de demissão imposta a servidores públicos civis ou sanções disciplinares aplicadas a militares. 
Não há unanimidade na doutrina se as demais sanções (como a advertência e a suspensão) podem ser questionadas nos JEF\u2019s. Contudo, sendo certo que o inciso III afasta dos JEF\u2019s a competência para anulação ou cancelamento de ato administrativo, as ações que objetivarem a anulação de tais sanções estarão excluídas da competência dos JEF\u2019s.
Finalmente, no que tange à real natureza da competência dos JEF e a discussão sobre possível descompasso entre o critério constitucional, entende-se que a questão trata da divergência entre a norma constitucional \u2013 que prevê a competência dos Juizados Especiais para causas de menor complexidade \u2013 e a norma legal dos JEF \u2013 que atribui competência com base unicamente no critério quantitativo (60 s.m.). Referida divergência, ao que parece, não vem sendo contornada pela jurisprudência, notadamente em face do atual entendimento do STJ, relativo aos JEF, no sentido de ser desinfluente, para a definição da competência dos JEF, a complexidade probatória. 
	Quanto à competência territorial, a Lei 10.259/01 também é omissa. Apesar da omissão legislativa na Lei 10.259/01, para o JEF não se aplicará subsidiariamente a regra do art. 4º da Lei 9.099 porque há disposição expressa na CF (art. 109, §2º), norma de maior hierarquia, sobre a competência para as ações intentadas contra a União e afins. As causas contra a União, autarquias federais e fundações de direito público federal podem ser ajuizadas: - domicílio do autor; - lugar onde ocorreu o ato ou fato ou onde situada a coisa;
	Exceção: existe uma hipótese em que eu não aplico o art. 109, §2º da CF e aplico no lugar dele o art. 4º da Lei 9.099: É a hipótese de empresa pública federal ré (ex.: CEF e Correios), pois nesse caso a regra de competência não é a da CF e sim a do sistema (a CF não menciona a empresa pública federal, ela só se preocupa depois da União, com autarquias e fundações federais).
	A ação contra a CEF e Correios segue a regra do art. 4º: pode ser ajuizada no domicílio do réu, no local onde ele tem agência; no local onde a obrigação deve ser cumprida; ou no domicílio do autor.
Art. 20: Onde não houver Vara Federal, a causa poderá ser proposta no Juizado Especial Federal mais próximo do foro definido no art. 4º da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, vedada a aplicação desta Lei no juízo estadual.
	Se na comarca não tem Justiça Federal, você pode ajuizar a ação na comarca do lado, onde houver Justiça Federal, ou no Juizado Especial Federal mais próximo.
	Cuidado: o juiz estadual não pode aplicar as regras do Juizado Especial Federal na comarca onde não tem Justiça Federal (embora, por delegação de competência, possa ser ajuizada ação previdenciária na Justiça Estadual, na forma do art. 109, § 3º, CF), devendo a causa ser processada pelo procedimento comum \u2013 ordinário ou sumário \u2013 disciplinado no CPC.
Em resumo: A ação pode ser ajuizada na capital ou subseção; Se não for sede de Vara Federal, capital, subseção que abranja a cidade de domicílio e foro federal mais próximo, além da estadual. Tudo competência relativa, indeclinável de ofício.
De qualquer forma, se ajuizar em outra é competência relativa, não podendo ser declinada de ofício.
Enunciado 24, FONAJEF: Reconhecida a incompetência do Juizado