Ponto 4 - Processo Civil
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Ponto 4 - Processo Civil

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e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta. (Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 4, de 1994)
Artigo 15, V
Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de: 
V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º. 
Artigo 85, V
Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra:
V - a probidade na administração;
6.3 Competência Legislativa
O Constituinte não disse quem era competente para legislar, mas a doutrina fez uma correlação entre as medidas aplicáveis e a competência para legislar. Assim, é competente para legislar o ente político que é competente para legislar sobre as medidas cabíveis. 
Por esse entendimento, a UNIÃO é ente político para legislar, com base no artigo 22, I.
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho;
Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias relacionadas neste artigo.
A lei de improbidade administrativa é uma lei federal, mas é nacional como regras gerais. Todavia, a lei 8429 quando fala de DECLARAÇÃO DE BENS é somente de aplicação federal (União), porque trata de uma regra de direito administrativo, porque todos os entes políticos podem legislar sobre direito administrativo. 
Entende-se que o art. 37, §4º da CRF é norma de eficácia limitada, estando hoje regulamentada pela Lei 8429/99.
6.4. Natureza Jurídica do Ilícito de Improbidade
É um ilícito penal, civil ou administrativo? Há várias correntes. Vejamos:
a) Ilícito penal: Por muito tempo pensou-se que se tratava de um ilícito penal. Para o ato de improbidade praticado pelo Presidente da República é crime. Mas pelo entendimento da lei NÃO se trata de um ilícito penal, porque as suas sanções são totalmente distintas das penas criminais. A própria CF demonstra que não se trata de crime, em decorrência do dispositivo abaixo:
§ 4º - Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.
Todo crime funcional é ato de improbidade, mas nem toda improbidade é crime contra a administração, o sendo somente quando houver previsão legal.
Também não são tipos penais, porque a descrição dos atos de improbidade é muito aberta afastando o princípio de que a lei penal deve ser legal, escrita e certa, como expressão do princípio da legalidade. No caput, do artigo 12 da Lei 8429 tem-se: Independentemente das sanções penais, civis e administrativas, previstas na legislação específica, está o responsável pelo ato de improbidade sujeito às seguintes cominações.
b) Ilícito administrativo: É preciso identificar se se trata de uma infração administrativa, porque o ilícito administrativo é uma infração funcional. 
As sanções têm natureza totalmente diferente e a infração funcional é punida na via administrativa, por meio de processo administrativo.
Normalmente, os Estatutos prevêem que será infração funcional a improbidade administrativa. Assim a lista da Lei 8429 está configurada como um ilícito administrativo, somente se ocorrer essa previsão no estatuto, se não o fizer, a improbidade NÃO será um ilícito administrativo. 
c) Ilícito civil: Essa é natureza jurídica dos atos de improbidade administrativa. 
Maria Sylvia Di Pietro: a improbidade administrativa caracteriza um ilícito de natureza civil e política, porque pode implicar a suspensão dos direitos políticos, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento dos danos causados ao erário.
d) Ilícito de ato de improbidade: Há quem afirme que diante do caput do artigo 12, há uma natureza autônoma de ilícito de ato de improbidade do qual decorre uma RESPONSABILIDADE POLÍTICO-ADMINISTRATIVA, apurada por meio de um processo civil, sem natureza criminal. 
Há acórdão publicado em 01/07/05 (RMS 24699, Rel. Min. EROS GRAU), no qual se tratava do seguinte caso: servidor que foi punido administrativamente (demissão) por ter cometido um ato de improbidade, esse foi o fundamento constitucional. À unanimidade, o STF julgou que se imputado ao servidor a prática de um ato de improbidade administrativa, não é cabível à própria administração o seu reconhecimento, há uma cláusula de reserva de jurisdição, o servidor tem a garantia de apreciação judicial. 
Independência das instâncias 
Uma mesma conduta pode gerar um processo penal, um processo administrativo e uma ação civil, ou seja, os 03 processos podem ser instaurados. Há independência das instâncias como regra geral, mas excepcionalmente uma decisão pode comprometer a outra.
ABSOLVIÇÃO PENAL: se o agente foi absolvido no processo penal, por negativa de autoria ou inexistência do fato, será também absolvido no cível e no administrativo, na forma do artigo 66, CPP. O mesmo não ocorrera se a absolvição se der por falta de provas.
6.5. Elementos do Ato de Improbidade.
O ato de improbidade administrativa, para acarretar a aplicação das sanções previstas no art. 37 da CF/88, exige a presença dos seguintes elementos:
sujeito ativo
sujeito passivo
ato danoso
elemento subjetivo: dolo e culpa
a) Sujeito Passivo: é aquele que sofre os efeitos do ato de improbidade, ou seja, contra quem se pratica o ato de improbidade. É uma das entidades mencionadas no art. 1o da LIA. Não se restringe às entendidas da AP Direta e Indireta. 
Art. 1° Os atos de improbidade praticados por qualquer agente público, servidor ou não, contra a administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, de Território, de empresa incorporada ao patrimônio público ou de entidade para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com mais de cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita anual, serão punidos na forma desta lei.
Parágrafo único. Estão também sujeitos às penalidades desta lei os atos de improbidade praticados contra o patrimônio de entidade que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de órgão público bem como daquelas para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com menos de cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita anual, limitando-se, nestes casos, a sanção patrimonial à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos.
- PESSOA JURIDICA DE DIREITO PUBLICO: toda qualquer pessoa jurídica de direito público, consistentes nas seguintes pessoas: os entes da administração direta: União, Estados, Municípios e Distrito Federal; autarquias (incluindo as autarquias territoriais: Territórios, para não haver dúvidas); fundações públicas de direito público.
- PESSOA JURIDICA DE DIREITO PRIVADO: que serão as seguintes:
todas que compõem à administração indireta: empresas públicas, as sociedades de economia mista e as fundações públicas de direito privado;
pessoas em que o poder público participe com MAIS DE 50%: submetem-se a TODAS as regras da Lei 8429/92, exatamente como as pessoas previstas acima e no item 3.1.2. Pode-se aplicar o artigo 9o. (ENRIQUECIMENTO ILÍCITO), no artigo 10 (DANO AO ERÁRIO) e no artigo 11 (VIOLAÇÃO À PRINCÍPIO).
pessoas em que o poder público com MENOS DE 50%: submetem-se somente às previsões referentes a DANOS PATRIMONIAIS; somente haverá a responsabilidade por ato de improbidade até o limite do patrimônio que for público, o que ultrapassar a pessoa jurídica irá discutir