ResponsabilidadeCivil
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OAB 2ª FASE 2010.3 
Responsabilidade Civil 
Prof. Cristiano Sobral 
professorcristianosobral@gmail.com 
 
 
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RESPONSABILIDADE CIVIL 
 
 
1. TEORIA GERAL DA RESPONSABILIDADE CIVIL 
1. Conceito 
A responsabilidade civil está ligada à 
conduta que provoca dano às outras pessoas. 
Devemos nos conduzir na vida sem causar 
prejuízos às outras pessoas, pois se isso 
acontecer ficamos sujeitos a reparar os danos. 
Por outro lado, as pessoas têm o direito de não 
serem injustamente invadidas em suas esferas de 
interesses, por força de nossa conduta, pois caso 
isso aconteça têm elas o direito de serem 
indenizadas na proporção do dano sofrido. 
 
2. Generalidades 
Direito e Moral são capítulos da Ética: o 
estudo dos comportamentos possíveis dos 
sujeitos enquanto uns se põem perante os 
demais. Na Moral, é o próprio sujeito quem 
determina a sua obrigatoriedade da sua conduta; 
no Direito, o dever de conduta decorre da lei, é 
coercível. A responsabilidade civil é o dever 
jurídico, pois a conduta exigida não fica a critério 
do agente, mas é imposta pela lei. 
Às vezes, lei especifica a conduta exigida; 
outras vezes, enuncia um padrão de conduta; ou, 
então, autoriza que as pessoas estabeleçam 
deveres de conduta. Neste caso, cuida-se de 
responsabilidade contratual. 
Podemos falar em dever jurídico, quando 
se trata de prestar determinada conduta prevista 
na lei ou no contrato. Mas falamos em obrigação 
de indenizar como conseqüência da violação 
daquele dever. Há o dever jurídico de não causar 
danos às outras pessoas e a violação desse dever 
gera a obrigação de indenizar. 
A responsabilidade civil está atrelada à 
conduta humana que produz danos, de modo que 
somente os fatos jurídicos voluntários, isto é, os 
atos jurídicos lato sensu, são abrangidos pelo 
instituto. Os atos jurídicos lato sensu podem ser 
comissivos ou omissivos, lícitos ou ilícitos. Os atos 
ilícitos são os que mais interessam à 
responsabilidade civil, mas os atos lícitos também 
podem produzir dever de indenizar. 
 
3. Pressupostos 
A doutrina também diverge quanto aos 
pressupostos da responsabilidade civil. Parece 
correto afirmar que os pressupostos da 
responsabilidade civil são aqueles apresentados 
por Maria Helena Diniz, acrescidos do nexo de 
imputação mencionado por Fernando Noronha. 
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Portanto, são pressupostos: a ação, o nexo de 
imputação, o dano e o nexo de causalidade. 
A ação é o primeiro pressuposto, visto que 
a responsabilidade civil está ligada à conduta que 
provoca dano nas outras pessoas. Os animais são 
capazes de comportamento, mas só os seres 
humanos são capazes de conduta, que é a ação 
direcionada a alguma finalidade. Sempre que 
cuidamos de alguma ação imposta pelo 
ordenamento jurídico, cujo inadimplemento 
implique na obrigação de reparar os danos, 
estamos cuidando de responsabilidade civil. A 
ação pode ser comissiva ou omissiva, própria ou 
de terceiros, por culpa ou risco. 
O nexo de imputação é o critério pelo qual 
se liga o fato danoso ao agente, isto é, a culpa ou 
o risco. Tradicionalmente, o evento danoso se 
ligava à pessoa pelo fator culpa, mas, com o 
surgimento da responsabilidade objetiva, o fato 
danoso pode se ligar ao agente pelo fator risco. 
Em resumo, a conduta que causa danos e que 
gera responsabilidade civil pode ter por 
fundamento tanto a culpa quanto o risco. 
Culpa em sentido amplo é sinônima de 
erro de conduta, isto é, toda conduta contrária ao 
dever de cuidado imposto pelo Direito. 
Subdivide-se em dolo, quando a conduta é 
qualificada pela intenção de lesionar; e culpa em 
sentido estrito, quando a conduta é destituída 
dessa intenção. A ação é sempre voluntária, 
direcionada a alguma finalidade; porém, no dolo 
o agente quer a ação e o resultado; na culpa em 
sentido estrito ele quer apenas a ação, mas não 
quer aquele resultado. 
Na conduta culposa, o resultado era 
previsto, ou ao menos previsível. 
A culpa se exterioriza pela negligência, 
pela imprudência e pela imperícia: na 
imprudência há conduta comissiva; na 
negligência a conduta é omissiva; imperícia é a 
falta de habilidade no exercício de atividade 
técnica. 
A culpa grave, a culpa leve e a culpa 
levíssima levam igualmente ao dever de 
indenizar. Todavia, o juiz possa reduzir 
eqüitativamente o valor da indenização, se 
houver excessiva desproporção entre a gravidade 
da culpa e o dano (CC, art. 944, parágrafo único). 
A culpa pode ser contratual ou 
extracontratual, conforme a natureza do dever 
jurídico violado. Mas essa distinção é um tanto 
imprópria, pois culpa em sentido amplo é 
sinônimo de violação a um dever de conduta, não 
importando se este dever é imposto pela lei ou 
pelo contrato. 
Já se falou em culpa in eligendo, culpa in 
vigilando e culpa in custodiando, nos casos de 
responsabilidade por atos de terceiros e por fatos 
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das coisas e animais. Essa classificação perdeu a 
razão de ser, diante do art. 933 do Código Civil, 
que considera essas hipóteses como de 
responsabilidade objetiva. 
A culpa presumida é um estágio na 
evolução da responsabilidade subjetiva para a 
objetiva, no qual a lei criou uma presunção 
relativa de culpa, invertendo o ônus da prova. Na 
vigência do Código Civil de 1916, aplicavase à 
responsabilidade por fato de terceiros e de 
responsabilidade por fato das coisas e animais. O 
art. 933 do Código Civil de 2002 diz que nessas 
hipóteses não mais se cogita de culpa; há 
responsabilidade objetiva. 
Fala-se também em culpa concorrente, 
nas hipóteses em que mais de um evento 
concorrem para a produção do resultado.A 
doutrina recomenda que a indenização seja 
repartida proporcionalmente aos graus de culpa 
do agente e da vítima. 
O nexo de imputação pode se dar pela 
culpa, como já vimos, ou pelo risco. O risco se 
apresenta em suas várias modalidades: 
risco-proveito, risco profissional, risco 
excepcional, risco criado, risco integral. 
Risco proveito: \u201cquem colhe os bônus, 
deve suportar os ônus\u201d. 
Risco profissional: relacionado às relações 
de trabalho. 
Risco excepcional: atividades que 
representam um elevado grau de perigo. 
Risco integral: grau mais elevado de 
responsabilidade objetiva, não admite exclusão. 
A definição de dano está estreitamente 
relacionada à de patrimônio uma vez que o dano 
significa uma lesão ou diminuição do patrimônio 
de determinada pessoa. 
A doutrina tradicional concebia o 
patrimônio como o conjunto dos bens materiais, 
de conteúdo econômico, excluídos os bens e 
interesses que nãc tivessem conteúdo 
econômico. Os danos morais, por não terem 
conteúdo econômico, não cabem no conceito 
tradicional de patrimônio, razão pela qual os 
autores passaram a denominá-los danos 
extrapatrimoniais. 
Pode-se dizer, hoje em dia, que 
patrimônio é o complexo de bens, direitos e 
interesses que se prende a uma determinada 
pessoa. E dano é a lesão injusta que provoque 
abalo ou diminuição nesse patrimônio. 
Sendo assim, conquanto permaneça na 
doutrina e tenha seu valor didático, é imprópria a 
distinção entre dano patrimonial e dano