Processo de Conhecimento
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Processo de Conhecimento


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geral dos documentos.
No que tange a autoria os documentos podem ser: públicos ou privados; autógrafos e heterógrafos; assinados ou não assinados; autênticos e autenticados. 
Quanto ao meio de sua formação podem ser: escritos, gráficos e diretos (ou estampados).
Quanto ao seu conteúdo, os documentos podem ser narrativos ou constitutivos.
Documento e instrumento
O documento, quando especialmente preparado para a prova de um ato ou negócio jurídico, denomina-se instrumento. 
Instrumento é, destarte, espécie do gênero documento, sendo mencionado no Código Civil nos artigos 215 e 221; tem por finalidade criar, extinguir ou modificar uma relação jurídica, servindo-lhe de prova. Presta-se, portanto, a tornar exequível um ato.
 Os instrumentos podem ser públicos ou particulares, conforme sejam formados por oficial público no exercício de suas funções ou por particulares. 
Instrumentos Públicos: testamento público, instrumento público de mandato, escritura pública de compra e venda de imóvel, ato de nomeação de funcionário, sentença judicial, auto de penhora, etc. 
Instrumentos Particulares: títulos cambiais, instrumento particular de mandato, compromisso de compra e venda, etc. 
Documentos, em sentido estrito, são escritos que, não sendo prova preconstituída do ato, oferecem, contudo, elementos para prová-lo (definição de João Mendes Júnior). Podem ser públicos (mensagens do Chefe do Executivo, publicações de atos administrativos, etc.) ou particulares (missivas, convites, avisos de estabelecimentos bancários, etc.). 
Força probante dos documentos
Eficácia do documento público, em sentido genérico
Formado por oficial público, o documento público, desde que mantida sua integridade, é considerado autêntico. 
Carrega uma presunção de autenticidade entre as partes e perante terceiros, isto em decorrência da fé pública conferida aos agentes públicos. 
Essa presunção de autenticidade alcança apenas os elementos da formação do ato (data, local, nome e qualificação das partes etc.), as declarações de vontade que o oficial ouvir das partes e os fatos ocorridos na sua presença (pagamento feito, entrega de um objeto, etc.); não incide sobre o conteúdo dessas declarações, ou seja, o oficial público atesta que ouviu as declarações, mas não que sejam elas verdadeiras. 
Julgados do Superior Tribunal de Justiça assentam justamente que o documento público, contendo declarações de um particular, faz certo, em princípio, que elas foram prestadas. Não se firma a presunção, entretanto, de que seu conteúdo corresponde à verdade (v. RSTJ 74/292). 
Os documentos públicos, de acordo com o artigo 364 do CPC, podem ser: 
- judiciais: elaborados por escrivão, com base em atos processuais e peças dos autos, ou emanados do juiz; 
- notariais: provenientes de notários e registradores, sendo extraídos de seus livros e assentamentos; 
- administrativos: oriundos de outras repartições públicas. 
Todos gozam da mesma presunção de autenticidade. 
Essa presunção, no entanto, é \u201cjuris tantum\u201d, podendo ser desconstituída por declaração judicial da falsidade do documento, que pode ser obtida em ação autônoma ou incidentalmente no processo em que foi produzido (v. arts. 390 a 395 do CPC). 
Importante: 
O juiz não pode formar sua convicção contra o teor de documento público, louvando-se em outra prova. 
Só pode ser desconsiderada a eficácia probante do documento público se for declarada a sua falsidade ou reconhecida a presença de vícios sociais (simulação e fraude) ou do consentimento (erro, dolo e coação). 
OBS.: quando a lei exige, como da substância do ato, o instrumento público, nenhuma outra prova, por mais especial que seja, pode suprir-lhe a ausência (v. art. 366 do CPC). Nem mesmo a confissão da outra parte supre essa ausência.
Para certos atos a forma especial e substancial é a escritura pública, sendo nulos se constituídos por outra forma. Exemplos: pactos antenupciais, contratos constitutivos ou translativos de direitos reais sobre imóveis, salvo o penhor agrícola (v. artigos 108 e 109 do Código Civil). 
Nem sempre é possível a exibição dos documentos públicos em original; daí a possibilidade de usar cópias ou outras reproduções para juntada aos autos (v. artigo 365 do CPC).
O documento público, quando elaborado por oficial incompetente ou sem as formalidades legais perde a força probatória dos instrumentos oficiais. Goza, no entanto, se assinado pelas partes, da mesma eficácia probatória do documento particular (v. art. 367 do CPC).
Valor probante do documento particular 
Documentos particulares são aqueles formados sem a interferência de oficial público. 
Os documentos particulares, a princípio, não gozam da presunção legal de autenticidade. 
Desse modo, diante da simples impugnação da assinatura em juízo, aquele que produziu o documento passa a ter o ônus de provar a sua autenticidade (v. art. 388, I e 389, II, CPC).
No entanto, se o notário reconhecer a firma do signatário, atestando que foi aposta em sua presença, o documento particular ganha presunção de autenticidade (v. art. 369 do CPC). A presunção é \u201cjuris tantum\u201d, prevalecendo até prova em contrário. 
A mesma presunção de autenticidade ocorre quando, embora não reconhecida a firma na forma prevista no artigo 369 do CPC, a parte contrária não argüir dúvida quanto a autenticidade do documento após sua juntada aos autos de um processo (v. art. 372 do CPC).
O documento particular, destarte, é autenticado em juízo; ocorre o que se chama ato de reconhecimento do documento. 
No documento é importante distinguir a sua autenticidade da sua veracidade; a autenticidade refere-se à integridade formal do documento, à sua materialidade; a veracidade refere-se ao conteúdo, à sua conformidade com a verdade. 
Importante: ultrapassado o prazo do art. 372 do CPC sem impugnação, não mais poderá a parte alegar a falta de autenticidade do documento particular ou a inveracidade do seu contexto. 
A eficácia da presunção cessa, contudo, se a parte provar posteriormente que o documento foi obtido por erro, dolo ou coação (v. art. 372, parágrafo único, do CPC).
Desde que não haja dúvida quanto à autenticidade do documento (ou seja, não haja dúvida de que proveio do autor nele indicado) faz ele prova de que o autor fez as declarações que lhe são atribuídas (v. art. 373 do CPC).
Surgindo controvérsia quanto à época em que foram manifestadas as declarações de vontade contidas no documento particular, aplica-se o disposto no art. 370 do CPC. 
Perante terceiros, a data lançada no documento particular é ineficaz, inoperante; a eficácia é limitada às partes. 
Para aqueles que não participaram do negócio jurídico documentado, a eficácia do instrumento particular só se inicia a partir de sua transcrição em registro público.
Mas o citado artigo 370 do CPC apresenta outras quatro situações em que se considera datado o documento particular em relação a terceiros. Esses fatos tornam inequívoco que a partir dos eventos citados não poderia o documento mais ser assinado, de modo que pode ser considerado formado pelo menos nesses momentos (v. incisos II a V do art. 370 do CPC). É comum providenciar o reconhecimento de firmas, ainda que por semelhança, apenas para tornar certa a data da assinatura. 
O documento particular é considerado indivisível, segundo a norma do art. 373, parágrafo único, do CPC. 
Nós temos regras no CPC sobre documentos especiais (v. arts. 374 a 376 do CPC). 
OBS.: registros domésticos são apontamentos escritos pela parte, mas não assinados; representam anotações, memórias, diários, agendas, relacionados com a vida profissional ou privada do autor; fazem prova apenas contra quem os escreveu. 
Vale em benefício do devedor, independentemente de assinatura, a nota escrita pelo credor em qualquer parte do documento representativo da obrigação (v. art. 377 do CPC). Tem eficácia apenas anotações favoráveis ao devedor. 
Livros comerciais provam contra