Processo de Conhecimento
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Processo de Conhecimento


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A apresentação do rol é indispensável, ainda que a parte se comprometa a levar as testemunhas à audiência independentemente de intimação. Tal apresentação presta-se a permitir que a parte contrária possa conhecer previamente as testemunhas arroladas e preparar a contradita. 
- Substituição de testemunhas arroladas: v. art. 408 do CPC.
No rito sumário, o rol deve ser apresentado com a inicial e com a contestação (v. arts. 276 e 278 do CPC). 
ADMISSÃO DA PROVA TESTEMUNHAL 
No processo de conhecimento de rito ordinário a admissão da prova testemunhal se dá normalmente quando do saneamento do feito (decisão saneadora). No rito sumário a admissão se dá na audiência prévia de conciliação.
Produção
O depoimento da testemunha é prestado, em princípio, na audiência de instrução e julgamento, perante o juiz da causa. 
As testemunhas são inquiridas após os esclarecimentos orais dos peritos e dos depoimentos pessoais das partes (v. art. 452 do CPC).
Essa regra comporta exceções:
admite-se a produção antecipada de prova testemunhal \u2013 arts. 846 e 847 CPC;
produção de prova de fora da terra (mediante expedição de carta precatória ou rogatória); há coleta da prova por outro órgão jurisdicional; testemunha residente em comarca diversa não está obrigada a se deslocar até a sede do juízo no qual tramita o feito;
as autoridades relacionadas no art. 411 podem ser ouvidas em sua residência ou onde exercem suas funções;
pessoas enfermas, com idade avançada ou defeito físico podem ser inquiridas no lugar onde se encontram (art. 336, parágrafo único, do CPC). 
Número máximo de testemunhas, seja qual for o procedimento no Juízo Comum: 10 (art. 407, parágrafo único); no JEC podem ser apresentadas três testemunhas pela parte.
Contradita: arguição de impedimento, suspeição ou incapacidade da testemunha - art. 414, § 1º, do CPC. 
Cabe exclusivamente ao juiz a função de inquirir a testemunha. O advogado da parte pode dirigir outras perguntas, por intermédio do juiz, objetivando completar ou esclarecer o depoimento prestado (art. 416 do CPC).
O juiz pode indeferir perguntas impertinentes; as perguntas que o juiz indeferir serão obrigatoriamente transcritas no termo, se a parte o requerer (v. art. 416, §§ 1º e 2º, do CPC).
OBS.: o juiz pode determinar a inquirição de testemunhas referidas e acareação (v. art. 418 do CPC). 
Acareação consiste em promover confronto pessoal das pessoas que prestaram depoimentos conflitantes; é cabível entre testemunhas e entre as partes e testemunhas; não é cabível acareação entre as partes.
O depoimento prestado em juízo é considerado serviço público; a testemunha sujeita ao regime trabalhista não pode sofrer, por comparecer à audiência, perda de salário ou desconto do tempo de serviço (art. 419, parágrafo único, do CPC).
Prova pericial 
O processo de verificação dos fatos por perito recebe a denominação de perícia. 
A perícia deve ser deferida quando a perquirição do fato depender de conhecimento técnico especial. 
Consiste então no meio pelo qual, no processo, pessoas entendidas verificam fatos interessantes à causa, transmitindo ao juiz o respectivo parecer. 
O perito é considerado auxiliar da justiça, pois colabora na formação do material probatório (v. arts. 145 a 147 do CPC). 
No sistema do CPC, ao lado do perito, foi instituída a figura do assistente técnico da parte. Esse representa perito indicado pelo litigante. 
Toda pessoa capaz para os atos da vida civil pode ser perito. 
Além da capacidade jurídica, o perito deve ter capacidade técnica, ou seja, deve ter conhecimentos suficientes para exercer a função pericial. 
Ao perito também se aplicam os motivos de impedimento e suspeição previstos nos artigos 134 e 135 do CPC (v. art. 138, III). 
Já o assistente técnico da parte não pode ser recusado por tais motivos.
Deveres do perito: 
- aceitar o encargo, podendo escusar-se apenas se alegar justo motivo (arts. 146 e 339 CPC);
- respeitar os prazos (art. 146 do CPC); pode ser substituído se deixar de cumprir o encargo no prazo assinalado (v. art. 424, caput, do CPC); além disso, o juiz deverá comunicar o ocorrido à corporação profissional competente, podendo ainda impor multa conforme o valor da causa e o prejuízo ocasionado ao andamento do feito (v. art. 424, parágrafo único, do CPC);
- comparecer à audiência quando convocado com a antecedência mínima de 05 dias (art. 435, parágrafo único, do CPC);
- dever de lealdade (v. art. 147 do CPC): incide no crime de falsidade se prestar informações inverídicas, podendo ainda responder pelos prejuízos causados à parte e ficar inabilitado por dois anos para funcionar em outras perícias. 
Direitos dos peritos 
- escusar-se do encargo, alegando motivo legítimo (inabilitação técnica, ocupação com outros trabalhos, etc.);
- pedir prorrogação de prazo (v. art. 432);
- recorrer às fontes de informação (art. 429); 
- indenização pelas despesas suportadas com o exercício do encargo e honorários fixados pelo juiz (v. art. 33 do CPC, que cuida da antecipação e pagamento).
Espécies de perícia
A prova pericial, segundo o artigo 420 do CPC, pode consistir em exame, vistoria e avaliação.
Exame pericial, em sentido estrito, corresponde à inspeção, por meio de perito, de pessoas, coisas e semoventes, para a verificação de fatos e circunstâncias que interessam à causa. 
Vistoria: inspeção realizada sobre bens imóveis.
Avaliação: exame destinado a estimação do valor, em moeda, de coisas, direitos e obrigações; corresponde a estimação do justo preço de alguma coisa ou de algum direito. 
ADMISSIBILIDADE
Só é admissível a perícia quando da prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico (art. 145). 
O juiz deve indeferir a perícia quando:
- a prova do fato não depender do concurso de técnico; 
- for desnecessária em vista de outras provas produzidas; 
- a verificação for impraticável (o fato é de natureza transitória e não pode mais ser verificado);
(v. art. 420, parágrafo único, do CPC). 
Rege a matéria o princípio da utilidade da prova. 
Para que se admita a perícia é indispensável que o fato exista ou tenha existido, de modo que possa ser examinado direta ou indiretamente. 
Se o fato for de natureza transitória e não puder mais ser examinado, porque não deixou vestígios, a perícia é impraticável, devendo ser indeferida. 
Muitas vezes, no entanto, se o fato estiver fixado no processo por meio idôneo (testemunhas ou documentos), sobre ele poderão incidir as observações do técnico, procedendo-se à chamada perícia indireta (v. perícias médicas indiretas realizadas em prontuários, exames de imagem, fotografias, etc.).
Exemplo de perícia indireta: uma mulher se submeteu à cirurgia estética, colocando próteses de silicone; diante do insucesso do procedimento, realizou nova cirurgia, que corrigiu as sequelas originadas da primeira intervenção; após, moveu ação de indenização contra o médico que realizou a primeira cirurgia, socorrendo-se da perícia indireta para demonstrar os danos que suportou; o perito nomeado, para constatar eventual erro médico, examinou os prontuários, exames de imagem, fotografias etc., produzindo laudo.
Proposição da perícia 
Normalmente é feita pela parte (autor propõe na petição inicial; réu na contestação ou na reconvenção; autor-reconvindo na contestação desta).
No rito sumário devem as partes indicar desde logo assistentes técnicos e formular quesitos (autor na petição inicial e réu na contestação).
ADMISSÃO
Rito ordinário: na decisão saneadora o juiz admitirá ou não a perícia.
Rito sumário: deliberação se dá na audiência prévia de conciliação. 
PRODUÇÃO
Normalmente na fase instrutória da ação de conhecimento.
Pode, no entanto, ser produzida antecipadamente, na hipótese prevista no artigo 849 do CPC. 
PROCEDIMENTO
Nomeação de perito:
- rito ordinário: normalmente na decisão saneadora (v. art. 331, § 2º, do CPC);