Processo de Conhecimento
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Processo de Conhecimento


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condições exigidos para a propositura de qualquer ação. 
Existem, ainda, pressupostos específicos a serem observados:
1 \u2013 só o réu ou qualquer dos réus tem legitimidade para reconvir e só o autor ou autores tem legitimação passiva para a reconvenção;
não se admite reconvenção deduzida ao mesmo tempo contra o autor e contra quem não é parte no processo;
2 \u2013 existência de conexão entre a causa reconvencional e a ação principal ou entre aquela e o fundamento da defesa;
A conexão pode se verificar por identidade de objeto ou da causa de pedir.
Identidade de objeto: os pedidos das partes visam o mesmo fim (autor pede rescisão contratual por culpa do réu; este, na reconvenção, faz idêntico pedido, apontando culpa do autor);
Identidade de causa petendi: ação e reconvenção se baseiam no mesmo ato ou negócio jurídico \u2013 o autor pede que o réu entregue o objeto do contrato \u2013 o réu, na reconvenção, pede o pagamento do saldo do preço.
A conexão pode ainda ocorrer entre a contestação oferecida e o pedido reconvencional: 
O fato jurídico invocado na defesa serve também para fundamentar pedido próprio do réu. Ex.: na contestação alega-se a invalidade do negócio jurídico por ter sido fruto de erro; na reconvenção o réu pede a anulação do contrato e a condenação do autor ao pagamento de perdas e danos, com base no mesmo vício (erro). 
3 \u2013 não ter decorrido o prazo para a resposta na ação originária; a resposta, no rito ordinário, deve ser apresentada no prazo de 15 dias contados na forma do artigo 241 do CPC;
4 \u2013 o juízo da ação originária não pode ser absolutamente incompetente para a reconvenção; nesse caso não pode haver prorrogação da competência para julgamento conjunto das pretensões;
5 \u2013 compatibilidade de procedimentos \u2013 ação e reconvenção devem ter procedimentos compatíveis; 
a ação originária não pode ser de rito sumário; 
se a ação originária é de rito especial, é possível a reconvenção se esse procedimento segue o rito ordinário após a resposta (ex.: ação de consignação em pagamento);
Não se admite reconvenção em processo de execução ou processo cautelar.
Também não se admite reconvenção em ações de natureza dúplice: nestas, por sua natureza, a proteção de eventual direito do réu já se acha inserida, independentemente de reconvenção- o réu na própria contestação pode formular pedido em seu favor (v. ações possessórias- art. 922; de prestação de contas: saldo credor a apurar pode ser favorável ao autor ou ao réu e ser cobrado em execução forçada; desapropriação; ações de rito sumário etc.).
A reconvenção é autônoma em relação a ação originária \u2013 v. art. 317 do CPC.
A petição da reconvenção deve observar os requisitos dos arts. 282 e 283 do CPC.
Não há autuação em separado.
Admitida a reconvenção, o autor é intimado na pessoa de seu procurador para contestá-la, em 15 dias. Essa intimação tem a natureza e os efeitos de uma citação. 
A reconvenção, conforme o artigo 299 do CPC, deve ser oferecida simultaneamente com a contestação, em peças autônomas.
O advérbio simultaneamente dá a entender que apresentada contestação sem a reconvenção, preclui o direito de reconvir e vice-versa.
Essa interpretação tem sido considerada rigorosa em alguns julgados do STJ, assentando-se que inocorre preclusão consumativa se o réu apresenta reconvenção depois da contestação, mas no prazo legal. 
Normalmente a reconvenção enseja o recolhimento de taxa judiciária. 
A petição da reconvenção pode ser indeferida liminarmente, caso não emendada ou complementada na forma do art. 284 do CPC. 
Inadmitida a reconvenção, o recurso cabível é o de agravo de instrumento e não de apelação, visto que a decisão a respeito não põe fim ao processo na fase de conhecimento.
A ação e a reconvenção são julgadas na mesma sentença, que se desdobra em dois capítulos. 
Nem sempre o acolhimento da ação acarreta a improcedência da reconvenção. Ex.: na ação originária o autor pede que o réu seja condenado a entregar o bem objeto do contrato; na reconvenção o réu pede que o autor seja condenado a pagar o saldo do preço avençado; esses pedidos não se excluem, podendo ambos ser acolhidos na sentença.
Julgamento conforme o estado do processo
Encerrada a fase postulatória, segue-se a fase intermediária, de ordenamento e saneamento do feito.
Apresentada a resposta pelo réu ou escoado o prazo para tanto, os autos são conclusos ao juiz para eventualmente deliberar certas medidas, designadas pelo CPC como providências preliminares (v. art. 323 do CPC). 
Temos o que se chama de fase de pré-saneamento- constitui a primeira etapa da fase de saneamento. 
O juiz, se for o caso, pode determinar: 
especificação de provas a produzir \u2013 v. art. 324 do CPC;
admitir pedido de declaração incidental de questão prejudicial (v. Ação Declaratória Incidental \u2013 arts. 5º e 325 do CPC); 
facultar a réplica do autor em 10 dias \u2013 hipóteses previstas nos artigos 326 e 327 do CPC \u2013 se o réu, na contestação, arguir preliminares previstas no art. 301 ou alegar fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito do autor, tem lugar a réplica;
citação de litisconsortes necessários \u2013 art. 47 do CPC;
renovação da citação, diante da presença de vício e do não comparecimento do réu;
facultar prazo não superior a 30 dias para suprir nulidades sanáveis ou irregularidades (art. 327); v. art. 13 do CPC.
Cumpridas as providências preliminares, ou não havendo necessidade delas, o juiz passa a proferir o julgamento conforme o estado do processo.
Ao órgão jurisdicional se abrem as seguintes possibilidades:
declarar extinto o processo na forma do art. 329; 
julgar antecipadamente a lide (art. 330);
designar audiência de conciliação e saneamento, se disponível o direito litigioso (art. 331);
prolatar desde logo despacho saneador (decisão saneadora).
Extinção do processo
O processo é extinto sem exame do mérito se delineadas as hipóteses previstas no art. 267 do CPC.
Em todos os casos do art. 267 a sentença é meramente terminativa. Os aspectos examinados pelo juiz são de natureza formal. Reconhece-se, a princípio, a imprestabilidade do processo para dar uma resposta ao pedido do autor. A coisa julgada é, destarte, apenas formal. 
A ação pode ser novamente proposta, desde que sanado o vício que acarretou a extinção, salvo se acolhidas as argüições de litispendência, coisa julgada ou perempção (v. art. 268 do CPC).
O juiz pode também proferir sentença desde logo, com resolução do mérito da causa, nos casos previstos no art. 269, incisos II a V, do CPC.
Nessas hipóteses, embora o juiz não dê solução própria à lide, profere sentença definitiva, correspondente à integral prestação da tutela jurisdicional, com todos os seus efeitos e consequências. 
O reconhecimento do pedido pelo réu e a transação são formas de autocomposição da lide, assim como a renúncia ao direito em que se funda a ação.
O reconhecimento não se confunde com confissão; no reconhecimento o réu admite expressamente a procedência do pedido do autor; há adesão ao que foi postulado na petição inicial; refere-se ao próprio direito material em que se funda a pretensão do autor. 
Já a confissão versa sobre fatos da causa, não se pronunciando o réu sobre a pertinência do pedido do autor. 
Tanto o reconhecimento como a confissão só são admissíveis e geram efeitos em detrimento da posição do réu se a causa versar sobre direitos disponíveis.
O reconhecimento pode se dar pela parte ou por procurador com poderes especiais.
Transação \u2013 art. 269, III
O juiz chancela a solução encontrada pelas próprias partes para o litígio. 
Transação corresponde a negócio jurídico bilateral, realizado pelas partes para prevenir ou terminar litígio, mediante concessões recíprocas (art. 840 do Código Civil).
O juiz intervém apenas para verificar capacidade das partes, licitude do objeto e regularidade formal, homologando então a transação por sentença. 
A lide estará solucionada definitivamente. A sentença