Processo de Conhecimento
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Processo de Conhecimento


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as provas antecipadas podem ser classificadas em:
1) Propriamente preventivas: visam produzir a prova do fato antecipadamente, sem objetivos diretos e imediatos, de modo a assegurar a eficácia de um direito no futuro.
O interessado vislumbra uma lide que poderá não ocorrer; conserva a prova de um fato sem objetivar diretamente algum litígio. Ex.: inquilino, para prevenir-se contra futura ação do locador, promove vistoria para determinar as condições em que se acha o prédio alugado.
2) Preparatórias: o objetivo é preparar elementos de prova para fundamentar ação determinada e já em vista, já definida, objetivando um direito já violado.
Ex.: fixar danos ocasionados em imóvel para instruir ação de indenização contra o seu causador.
3) Incidentes: são produzidas quando já pendente o processo de conhecimento, mas antes do momento próprio para sua produção (fase instrutória).
Pressupõe lide pendente e também a urgência de produzir-se a prova diante do perigo de perdê-la (ex.: inquirição de testemunha com grave enfermidade).
Meios de prova (v. arts. 846, 847 e 849 do CPC).
Prova emprestada
É aquela produzida em determinado processo, buscando-se o seu aproveitamento em outro feito.
Em princípio, pode ser admitida. A sua eficácia depende, no entanto, de alguns requisitos (v. art. 367 do CPC).
É controvertida a eficácia da prova emprestada em relação ao processo para o qual foi trasladada.
O problema diz respeito às provas casuais ou simples e não às pré-constituídas ou documentais em geral. Estas, originais ou emprestadas, valem igualmente em qualquer juízo em que forem apresentadas.
As provas casuais são aquelas produzidas no curso do processo, sem que tenham sido intencionalmente preparadas para a demonstração de um fato; sobre estas é que gera a controvérsia (testemunhos, perícias e depoimentos das partes).
Parte da doutrina, tendo em vista o sistema da oralidade do CPC, entende que a prova emprestada é ineficaz.
Porém, tendo em vista que o CPC autoriza a produção de provas antecipadamente ou mediante precatória, a doutrina majoritária admite a eficácia da prova emprestada.
Mas ela deve ser acolhida e apreciada com cautelas.
Deve o juiz verificar a necessidade do seu aproveitamento, a partir, normalmente, da impossibilidade de sua reprodução no segundo processo.
A prova casual guarda, em princípio, eficácia no processo em que foi colhida; o seu aproveitamento em outro processo depende, em princípio, da impossibilidade ou inconveniência da sua reprodução.
Segundo o Prof. Moacyr Amaral Santos, devem ser observadas algumas regras para que tenha eficácia a prova emprestada.
- prova produzida em processo anterior:
a) entre as mesmas partes \u2013 guarda, em princípio, sua eficácia natural, desde que: 1) tenham sido observadas as formalidades legais (contraditório, etc.); 2) o fato probando seja idêntico;
b) prova produzida em processo em que uma das partes do segundo processo litigou com terceiro \u2013 só vale se foi trasladada por quem não foi parte no processo anterior; se a prova é trasladada por quem integrou o processo anterior, não tem eficácia em relação à parte contrária, que não participou de sua produção;
c) prova produzida em processo entre terceiros \u2013 normalmente não tem eficácia.
Meios de Prova
São os instrumentos através dos quais se torna possível a comprovação dos fatos relevantes à solução da lide.
O nosso direito processual admite a utilização dos meios legais de prova ou outros meios moralmente legítimos (v. art. 332 do CPC):
Meios legais são os meios de prova típicos, ou seja, aqueles previstos em lei.
Meios moralmente legítimos são aqueles que escapam à previsão do legislador, mas podem ser admitidos por não afrontarem a moral e os bons costumes (ex.: prova cinematográfica e outras gravações magnéticas).
A Constituição Federal proíbe a utilização no processo de provas obtidas por meio ilícito (art. 5º, LVI). Ex.: confissão obtida mediante tortura, grave ameaça; interceptação telefônica etc.
A escuta clandestina, chamada de \u201cgrampo\u201d, é ilícita, salvo a possibilidade de determinação judicial para gravação de conversas telefônicas, voltada à instrução criminal (art. 5º, XII).
Entende-se que essas gravações, autorizadas especificamente para fins de persecução penal, não podem ser utilizadas como prova emprestada no processo civil, diante do nosso sistema constitucional. A questão não é pacífica.
No entanto, quando a gravação é feita por um dos interlocutores é considerada lícita, mesmo que sua utilização se faça sem o consentimento do outro (v. STJ \u2013 RT 743/208). A situação assemelha-se à carta exibida em juízo pelo próprio destinatário. Não há violação de correspondência, nem ofensa ao direito à intimidade.
Os meios de prova especificados no Código de Processo Civil são os seguintes:
- depoimento pessoal (arts. 342-347);
- confissão (arts. 348-354);
- exibição de documento ou coisa (arts. 355-363);
- prova documental (arts. 364-399);
- prova testemunhal (arts. 400-419);
- prova pericial (arts. 420-439);
- inspeção judicial (arts. 440-443).
Confissão e depoimento pessoal
Depoimento pessoal consiste no testemunho da parte em juízo.
Consiste em meio de prova, pelo qual a parte é inquirida, a pedido do adversário, a respeito dos fatos relevantes para a solução da lide.
É um instituto voltado a provocar a confissão e a elucidação dos fatos debatidos no processo.
O sujeito do depoimento pessoal é aquele que figura como parte no processo e tem capacidade jurídica.
O objeto do depoimento pessoal são os fatos da causa.
A iniciativa da diligência pode ser da parte contrária (v. art. 343 do CPC) ou do próprio juiz (art. 342 do CPC).
Faz-se então distinção entre depoimento pessoal e interrogatório.
O depoimento pessoal é sempre requerido pelo adversário, é colhido normalmente na audiência de instrução e julgamento e tem por finalidade provocar a confissão.
Já o interrogatório é determinado de ofício pelo juiz, pode ser realizado em qualquer fase do procedimento e se destina a fornecer subsídios para o julgamento do feito.
Não se admite requerimento para depoimento pessoal pela própria parte ou litisconsorte. O pedido deve ser feito por quem ocupa o pólo oposto da relação processual.
O Ministério Público, como fiscal da lei, pode requerê-lo.
Se a parte for pessoa jurídica, o depoimento será prestado pelos seus representantes legais.
Há entendimento de que o depoimento pessoal, mesmo de pessoa física, pode ser prestado por procurador que tenha poderes específicos para transigir. A questão é controvertida.
A parte, uma vez intimada, deve comparecer em juízo e prestar o depoimento, o que representa um ônus processual.
Se a parte não comparecer ou, comparecendo, se recusa a depor, estará sujeita a uma conseqüência negativa, qual seja, a aplicação da pena de confissão.
O juiz admite como verdadeiros os fatos alegados contra ela (v. art. 343, § 2º, do CPC).
A pena de confesso também é aplicada quando a parte calar-se ou deixar de responder adequadamente o que lhe for perguntado, empregando evasivas (v. art. 345 do CPC).
A parte, no entanto, pode se escusar de depor nas hipóteses previstas no artigo 347 do CPC.
Procedimento
O depoimento pessoal normalmente é requerido na petição inicial ou na contestação, ou ainda na reconvenção ou na contestação à reconvenção. No rito ordinário é possível formular o requerimento quando da especificação de provas, na fase das providências preliminares.
Via de regra é prestado na audiência de instrução e julgamento.
A parte deve ser intimada pessoalmente, com a advertência da pena de confesso (v. art. 343, § 1º, do CPC).
Admite-se, por exceção, a produção antecipada dessa prova, em sede de processo cautelar, presente o requisito do periculum in mora (v. art. 847 do CPC).
Admite-se ainda a inquirição da parte por precatória ou rogatória, se residir fora da comarca onde tramita o feito.