Economia - 01 - Macroeconomia e Contabilidade Social
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Economia - 01 - Macroeconomia e Contabilidade Social


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mais próximo da realidade. 
Por enquanto, vamos admitir que só existem esses dois \u201csetores\u201d na economia: as 
firmas e os indivíduos. Esse modelo corresponde ao que se chama normalmente de 
\u201cEconomia Fechada e Sem Governo\u201d (\u201cfechada\u201d porque não existem, no modelo 
considerado, transações com o exterior, como importações e exportações; \u201csem 
Governo\u201d porque não existem, no modelo considerado, gastos públicos ou impostos). 
Gradativamente iremos adicionando essas variáveis, até chegarmos à \u201cEconomia 
Aberta e Com Governo\u201d. 
3. Economia Fechada, sem Governo e sem Formação de Capital 
Nessa economia simplificada, existem apenas o setor \u201cfirmas\u201d e o setor \u201cindivíduos\u201d. 
Vamos imaginar que os preços dos diversos bens e serviços são constantes (ou seja, 
não existe inflação) e que a economia é estacionária, ou seja, sua capacidade 
produtiva total (relativa ao máximo de bens e serviços que é possível produzir) não 
se expande. Isso quer dizer que não existe, por enquanto, formação de capital, isto 
é, poupança e investimento. 
Se somarmos todos os bens e serviços finais produzidos pelas firmas durante um 
certo período de tempo (normalmente durante um ano) teremos o valor do 
Produto: 
Produto = \u3a3\u3a3\u3a3\u3a3pi.qi 
Onde \u201cpi\u201d representa o preço do bem ou serviço \u201ci\u201d e \u201cqi\u201d representa as quantidades 
do bem ou serviço \u201ci\u201d. Isso significa que no cálculo do Produto temos que somar o 
valor monetário da produção dos diversos bens e serviços: 
Produto = pfeijão.qfeijão + paçúcar.qaçúcar + plivro.qlivros + pcomputador.qcomputadores 
+pgeladeira.qgeladeiras + ..... 
Observe que estamos falando de \u201cProduto\u201d como um agregado, um somatório de 
todos os bens e serviços gerados pelo sistema econômico num certo período de 
tempo. 
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Essa noção é fundamental, pois em Macroeconomia estaremos todo o tempo falando 
dos Agregados Macroeconômicos, ou seja, medidas que correspondem a totais 
globais, somatórios de toda a economia. O Produto é um dos principais agregados 
macroeconômicos, ao lado da Renda e da Despesa (ou Dispêndio), os quais serão 
analisados mais adiante. 
Atenção: Só entram no cálculo do Produto os bens finais, isto é, os bens que não 
serão mais transformados em outros bens. Isso para evitar o problema da dupla 
contagem. 
Explicando melhor: no cálculo do Produto levamos em consideração todas as vendas 
de bens e serviços realizadas pelas empresas durante certo período de tempo. No 
entanto, muitas dessas vendas acontecem entre as próprias empresas, pois alguns 
bens e serviços se constituem em insumos para outros bens e serviços. Tais 
insumos são chamados bens intermediários e não podem ser computados no 
cálculo do Produto, pois senão causarão o problema da dupla contagem. 
Assim, no cálculo do Produto, vamos considerar, por exemplo, o valor da produção 
de pão, mas não podemos somar novamente o valor da produção do trigo, do 
fermento, do sal, da farinha de trigo, etc, senão estaríamos somando várias vezes os 
mesmos valores. 
O valor da produção de pão (bem final) já contém embutido o valor dos insumos 
intermediários e matérias-primas utilizadas em fases anteriores do processo 
produtivo. 
Para gerar o Produto durante certo ano, as firmas necessitam adquirir fatores de 
produção, e para usar esses fatores, como visto, as firmas necessitam remunerar os 
proprietários dos mesmos, que são os indivíduos. O total de pagamentos que as 
firmas fazem aos indivíduos, pelo uso dos fatores de produção, é o que chamamos 
de Renda: 
Renda = w + j + a + l 
Onde: 
\u2022 w = Salários (remuneração do fator de produção "Trabalho\u201d); 
\u2022 j = juros (remuneração do fator de produção \u201cCapital\u201d na forma monetária); 
\u2022 a = aluguéis (remuneração do fator de produção \u201cTerra\u201d); 
\u2022 l = lucros (remuneração do fator de produção \u201cCapital\u201d, este na forma de 
máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo). 
Observe que neste modelo os lucros representam uma espécie de \u201ccusto\u201d para as 
empresa, na medida em que correspondem a valores que as mesmas devem pagar 
aos acionistas (indivíduos). 
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Se as firmas de um país hipotético \u201cZ\u201d , durante o ano de 2006, por exemplo, 
produziram bens e serviços num total de $ 50 milhões, isto significa que tais firmas 
precisaram, durante todo o ano, utilizar fatores de produção e remunerar os 
proprietários de tais fatores, de forma que a soma de todos os salários, aluguéis, 
lucros e juros também totalizaram $ 50 milhões. 
Temos então uma identidade macroeconômica como se segue: 
Produto = Renda 
Ou seja, o valor do Produto (total de bens e serviços finais produzidos durante um 
certo período de tempo) é igual ao valor da Renda (total de pagamentos feitos pelas 
firmas aos proprietários dos fatores de produção). 
Os indivíduos, por sua vez, utilizam suas rendas de que maneira? Gastando na 
compra de bens e serviços. Em outras palavras, os indivíduos realizam o Consumo, 
que nesse modelo representa a Despesa (também chamada Dispêndio, e que 
corresponde ao total de gastos realizados pelos indivíduos na compra de bens e 
serviços). Assim, temos: 
Despesa = Consumo (C) 
E mais, temos a identidade macroeconômica fundamental: 
Produto = Renda = Despesa 
Portanto, se quisermos medir o desempenho de uma economia durante certo 
período de tempo, temos três óticas diferentes, gerando o mesmo resultado: 
\ufffd Sob a ótica da Produção, usando o total de bens e serviços finais gerados 
durante o período; 
\ufffd Sob a ótica da Renda, usando o total de recebimentos dos indivíduos, por 
terem cedido os fatores de produção (Terra, Trabalho e Capital) às empresas 
e; 
\ufffd Sob a ótica da Despesa, usando o total de pagamentos que os indivíduos 
fizeram durante o ano na aquisição de bens e serviços diversos. 
 
4. Economia Fechada, sem Governo e com Formação de Capital 
 
O modelo anterior é de uma economia estacionária, ou seja, o nível anual de 
produção não cresce: todo ano é gerado um Produto no mesmo valor. 
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Para haver crescimento econômico (crescimento do Produto em relação ao ano 
anterior) é necessário ampliar a capacidade produtiva da economia, através do 
Investimento. 
Se os empresários estão otimistas quanto ao ritmo dos negócios no futuro, eles 
tendem a realizar gastos com a aquisição de novas máquinas, equipamentos e 
instalações, para ampliar seu parque industrial e dessa forma aumentar a produção 
de bens e serviços. 
Assim, algumas empresas se dedicarão a produzir tais bens: máquinas, 
equipamentos, ferramentas, instrumentos, etc... Portanto, temos que considerar 
agora que a Produção (o Produto Agregado) é composta de dois tipos de bens: 
\ufffd Bens de Consumo, destinados a satisfazer as necessidades dos indivíduos, 
como alimentação, transporte, vestuário, etc. 
\ufffd Bens de Investimento (ou Bens de Capital), destinados a aumentar a 
capacidade de produção das firmas: máquinas, equipamentos, instalações, 
etc. 
Os Bens de Investimento são utilizados pelas firmas no seu processo produtivo ao 
longo de muito tempo, portanto a cada ano o estoque acumulado desses bens na 
economia vai aumentando. Assim, um aumento nesse estoque de capital leva a um 
aumento da capacidade produtiva total da economia. 
Observe que é possível definir \u201cInvestimento\u201d de duas maneiras: 
\ufffd Investimento como gasto (despesa) com bens para aumentar a capacidade 
produtiva da economia; 
\ufffd Investimento como gasto (despesa) com bens que foram produzidos, mas 
que não foram consumidos no período (serão usados em consumo futuro), ou