Economia - 02 - O Modelo Keynesiano de determinação da Renda
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Economia - 02 - O Modelo Keynesiano de determinação da Renda


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capital (máquinas, equipamentos e construções civis em 
geral). Num primeiro momento as firmas produtoras de bens de consumo e de bens 
de capital assumem os custos de remuneração dos fatores de produção (salários, 
juros, lucros e aluguel). 
Tais custos de produção vão compor o montante da renda dessa economia. Os 
indivíduos que recebem essa renda nacional podem gastá-la na aquisição de bens de 
consumo e podem poupar uma parte desta renda. Essa poupança vai financiar os 
empréstimos às empresas que desejarem comprar a produção de bens de capital (ou 
porque querem repor a depreciação do seu estoque de capital ou porque desejam 
expandir seus negócios). 
Assim, uma importante condição a ser verificada na determinação da renda de 
equilíbrio é de que a poupança planejada deve ser igual ao investimento 
planejado: 
Sp = Ip 
Essa posição é de equilíbrio estável da renda nacional. Isso porque a poupança e o 
investimento planejados foram exatamente iguais aos realizados. Eventualmente, o 
investimento planejado e a poupança planejada podem apresentar valores diferentes 
entre si, porém, sempre vai ocorrer a igualdade entre investimento realizado e 
poupança realizada. 
O nível de equilíbrio estável da renda nacional apenas ocorre quando os valores 
planejados são iguais aos realizados. Qualquer outra posição do nível de renda é 
caracterizada como de equilíbrio instável, e deve alterar-se até que a posição de 
equilíbrio estável se estabeleça. 
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Vamos agora avaliar o impacto do investimento no nosso modelo. 
Em primeiro lugar, consideremos que os investimentos são gastos autônomos 
em relação à renda. Isso quer dizer que as decisões de investimento dos 
empresários se baseiam unicamente nas suas expectativas em relação ao futuro. 
A demanda agregada agora se compõe de dois tipos de gastos: com bens de 
consumo e com bens de capital. Logo, 
DA = C + I 
A condição de equilíbrio é que a oferta agregada seja igual à demanda agregada, ou: 
Y = DA 
Se a função consumo é dada por C = Ca + cY e o Investimento (I) é, \u201cautônomo\u201d, 
não depende da renda, temos: 
Y = C + I 
Y = Ca + cY + I 
Y \u2013 cY = Ca + I 
Y(1-c) = Ca+I 
1 
Y = 
1 - c 
. ( Ca + I ) 
 
Solução gráfica do equilíbrio com a presença do Investimento 
Adicionando o Investimento no 
modelo Keynesiano, vamos obter um 
aumento da Demanda Agregada, ou 
seja, um deslocamento da reta para 
cima, como se pode ver no gráfico 
ao lado. 
Os investimentos nesse modelo são 
dependentes apenas das expectativas 
dos empresários acerca dos rumos da 
economia, e se constituem em gastos 
com a compra de bens de capital (ou 
variação nos estoques, como visto 
anteriormente). 
 
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Sendo assim, os investimentos aumentam a demanda agregada, elevando a própria 
renda de equilíbrio de Y1 para Y2. 
O efeito multiplicador dos investimentos 
Os investimentos têm um efeito multiplicador sobre o nível de renda. O multiplicador 
é um certo coeficiente associado à variação dos investimentos que determina a 
magnitude de variação no nível da renda nacional. 
Voltemos ao exemplo numérico anterior. A renda de equilíbrio era igual a 50. Se as 
empresas resolverem fazer investimentos num montante igual a 2, quanto será o 
aumento resultante na renda? 
1 
Y = 
1 \u2013 0,8 
. ( 10 + 2 ) = 60 
Portanto, \u2206I = 2, mas \uf020\u2206Y = 60 \u201350 = 10, o aumento da renda foi 5 vezes maior que 
o aumento dos investimentos. Esse é o chamado efeito multiplicador dos 
investimentos, representado pela letra \u201ck\u201d, sendo equivalente à expressão: 
1 1 
k = 
1-PMgC 
= 
PMgS 
Nessa fórmula, podemos notar que, quanto maior a PMgC (ou menor a PMgS), tanto 
maior será o multiplicador. No exemplo numérico, o multiplicador corresponde a 5. 
O efeito multiplicador ocorre devido ao fato de que quando uma empresa resolve 
investir, ela necessariamente vai realizar compras de bens de capital em outras 
empresas. Essas, por sua vez, para atender a esse aumento da demanda, deverão 
elevar sua produção, e para isso vão precisar de mais fatores de produção, como por 
exemplo, contratar mais trabalhadores, ou usar mais terra e recursos naturais, ou 
ainda comprar bens e serviços de outras empresas. 
Assim, ocorre um aumento no nível do emprego e, conseqüentemente, na geração 
de renda. Conseqüentemente, se a renda se eleva, o consumo se eleva, a demanda 
por bens e serviços se eleva mais uma vez, etc. Há uma repercussão do investimento 
inicial pelos demais setores da economia, no sentido de gerar novos aumentos de 
demanda (e portanto da produção e da renda) em diversos outros setores da 
economia. 
Observa-se, no exemplo anterior, que o investimento inicialmente acrescido (\u2206I = 2) 
gerou um efeito multiplicador sobre a renda (\u2206Y = 10) cinco vezes maior. Mas, se no 
ano seguinte o investimento voltar a ser igual a zero, a renda também cairá para o 
nível inicial de 50. Assim, o multiplicador serve tanto para expandir como para 
contrair a renda nacional, caso se aumente ou reduza o nível de investimento. 
Desse modo, uma vez atingido um certo nível de renda nacional por meio de um 
determinado nível de investimento, é necessário, para manter o mesmo nível de 
renda nos períodos seguintes, manter o mesmo nível de investimento. 
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O \u201cParadoxo da Parcimônia\u201d 
Se existe um efeito multiplicador, que produz aumentos de renda maiores que o 
próprio aumento nos investimentos, então é interessante para a economia que haja 
estímulos aos acréscimos de investimentos. Mas como financiar mais investimentos? 
Uma resposta poderia ser aumentando os níveis de poupança. Mas aí surge o 
\u201cparadoxo da parcimônia\u201d. 
Se a população se tornasse mais \u201cparcimoniosa\u201d, quer dizer, mudasse seus padrões 
de consumo, passando a querer poupar uma parcela maior da renda, isso 
acabaria por reduzir o efeito multiplicador dos investimentos. Esse é \u201cparadoxo da 
parcimônia\u201d. Vamos ver um exemplo numérico, usando ainda os dados anteriores: 
Se a população mudasse seus hábitos de consumo, a tal ponto de reduzir a PMgC de 
0,80 para 0,75, o novo valor de k (multiplicador) seria igual a 1 / 0,25 = 4, portanto 
um investimento de 2 só produziria um incremento de 8 na renda nacional. Assim, se 
a população resolve poupar uma parcela maior da sua renda, o impacto dos 
investimentos sobre a própria renda será menor (haverá uma redução no 
multiplicador). 
Vejamos agora o que acontece com a introdução de mais uma variável no nosso 
modelo: o Governo. 
Os Gastos do Governo (G) 
As despesas do governo, tais como construção de estradas, portos, sistemas de 
saneamento, projetos de irrigação, parques e vias públicas, etc, constituem-se no 
terceiro elemento da demanda agregada. 
Acréscimos nestes gastos governamentais possuem o mesmo efeito multiplicador dos 
investimentos privados, expandindo o nível de renda nacional pela expansão da 
demanda em bens e serviços de consumo. 
Assim, a demanda agregada passa a ser descrita como DA = C + I + G. 
Para financiar seus gastos, o Governo recorre principalmente à arrecadação de 
tributos (T). A tributação nos leva a rever a função consumo, pois agora a mesma 
depende da renda disponível e não mais da renda total apenas. Temos que 
reescrever a função consumo da seguinte maneira: 
Yd (Renda disponível) = Y \u2013 T 
C = Ca + cYd 
(a função consumo agora depende da renda disponível). Logo, 
C = Ca + c (Y \u2013 T) 
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