Economia - 03 - Sistema Monetário
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Economia - 03 - Sistema Monetário


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O Banco Central controla a 
base monetária, e, dessa forma, os demais agregados monetários. 
2) Pelos bancos comerciais, por meio dos depósitos à vista. 
Quando um banco recebe um depósito à vista, ele se compromete a pagar a quantia 
depositada, ou parte daquela, imediatamente quando isto for solicitado pelo 
depositante, no momento do saque em conta-corrente. 
Porém, a todo instante existem depósitos e saques, de tal forma que somente uma 
parcela do total dos depósitos é necessária para que o banco consiga atender ao 
movimento diário. 
Esta parcela é normalmente pequena e é suficiente para atender às necessidades de 
caixa dos bancos, ou seja, pagar os cheques que são descontados. Dessa forma, o 
banco comercial pode usar parte destes fundos, e oferecer empréstimos num 
montante maior que o total de depósitos iniciais. 
O multiplicador bancário dos meios de pagamento 
Os bancos comerciais têm o poder de expandir o total de moeda escritural existente 
na economia, já que podem utilizar parte dos depósitos à vista para oferecer 
empréstimos ao público. Este fenômeno é denominado multiplicador bancário 
dos meios de pagamento ou ainda multiplicador monetário. 
Para mostrar esse mecanismo de expansão monetária (ou seja, da oferta de moeda 
por meio dos bancos comerciais), vamos supor que os bancos comerciais 
mantenham uma parcela de r% dos seus depósitos como reservas e emprestem os 
restantes (1 - r)% ao público; r é chamada de taxa de reservas ou de encaixes 
bancários, ou ainda relação reservas/depósitos. 
 
Reservas dos Bancos 
r = 
Depósitos à Vista 
 
Imaginemos que essa taxa de reservas seja igual a 40%. Assim, os bancos mantém 
nas suas reservas cerca de 40% do saldo dos seus depósitos à vista, e os outros 
60% eles decidem emprestar ao público. 
Digamos que a público não mantenha moeda em suas mãos, e prefira manter todo o 
seu dinheiro na forma de depósitos à vista no setor bancário. 
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Suponhamos que o Balancete Consolidado dos Bancos Comerciais, num dado 
momento, seja o seguinte: 
Ativo (Aplicações dos Recursos) Passivo (Origens dos 
Recursos) 
Caixa em moeda corrente 
Empréstimos ao Setor Privado 
800 
1.200 
Depósitos à vista 2.000 
Total do Ativo 2.000 Total do Passivo 2.000 
Observe que os bancos estão mantendo 40% de seus depósitos no caixa ($ 2.000 . 
40% = $ 800) e os 60% restantes originaram empréstimos. 
Suponhamos agora que a União tenha sacado $ 100 de seus depósitos nas 
Autoridades Monetárias e tenha feito pagamentos a seus fornecedores de bens e 
serviços. Estes, por sua vez, vão fazer depósitos no setor bancário. O balancete dos 
bancos vai apresentar a seguinte situação: 
Ativo (Aplicações dos Recursos) Passivo (Origens dos 
Recursos) 
Caixa em moeda corrente 
+ dinheiro depositado pelo 
público 
 
= Saldo final do Caixa 
 
Empréstimos ao Setor Privado 
800 
 
100 
 
900 
 
1.200 
Depósitos à vista 
+ Novos depósitos à 
vista feitos pelo público 
 
=Saldo final dos 
depósitos à vista 
2.000 
100 
 
 
2.100 
Total do Ativo 2.100 Total do Passivo 2.100 
 
Agora as reservas representam cerca de 43% dos depósitos à vista (basta dividir $ 
900 por $ 2.100). Esse percentual está além das necessidades dos bancos. De fato, 
eles só precisam manter valores em caixa num total de 40% dos depósitos à vista, 
ou seja, $ 840 ($ 2.100 . 40% = $ 840). 
Assim, os bancos podem operar tranquilamente com $ 840 no caixa, portanto não 
precisam manter $ 900. Haverá, portanto, uma oferta de novos empréstimos ao 
público, no valor igual a $ 60 (corresponde ao \u201cexcesso\u201d: $900 - $840 = $ 60). 
Ativo (Aplicações dos Recursos) Passivo (Origens dos 
Recursos) 
Caixa em moeda corrente 
Empréstimos ao Setor Privado 
840 
1.260 
Depósitos à vista 2.100 
Total do Ativo 2.100 Total do Passivo 2.100 
 
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Mas, ao emprestar esses $60, os bancos estão colocando mais moeda nas mãos do 
público. Os tomadores desses empréstimos farão novos depósitos no próprio sistema 
bancário. O balancete vai se apresentar como se segue: 
 
Ativo (Aplicações dos Recursos) Passivo (Origens dos 
Recursos) 
Caixa em moeda corrente 
+ dinheiro depositado pelo 
público 
 
= Saldo final do Caixa 
 
Empréstimos ao Setor Privado 
840 
 
60 
 
900 
 
1.260 
Depósitos à vista 
+ Novos depósitos à 
vista feitos pelo público 
 
=Saldo final dos 
depósitos à vista 
2.100 
60 
 
 
2.160 
Total do Ativo 2.160 Total do Passivo 2.160 
 
Novamente as reservas representam um percentual maior do que os 40% ($ 900 / $ 
2.160 = 42%). Isso significa que os bancos ainda têm margem para fazer novos 
empréstimos ao setor não-bancário. Os bancos necessitam manter somente 40% dos 
depósitos à vista no seu caixa, ou seja, $ 2.160. 40% = $ 864. Mas, mantém $ 900. 
Então disponibilizarão novos empréstimos até o valor de $ 900 - $ 864 = $ 36. 
Tal processo se estenderá continuamente, até que a relação caixa/depósitos seja 
igual à taxa de reservas de 40%. Observe que, a cada ciclo, se expande a 
quantidade de moeda escritural existente na economia. 
O valor final da oferta de moeda será dado pelo valor do multiplicador bancário 
dos meios de pagamento, que numa versão simplificada é obtido pela fórmula: 
1 
m = 
r 
Assim, sendo a taxa de reserva igual a 40%, o valor de m será 
1 
m = 
0,4 
= 2,5 
Ou seja, a expansão total dos meios de pagamentos, será dada pela multiplicação: 
 $100. 2,5 = $250 
O multiplicador monetário (m) estabelece uma importante relação entre a expansão 
da Base Monetária (B) e os meios de pagamento (M): 
\u2206\u2206\u2206\u2206M1 = m . \u2206\u2206\u2206\u2206B 
Do mesmo modo, podemos escrever: 
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M1 = m . B 
Atenção que usamos uma fórmula simplificada do multiplicador monetário, pois 
consideramos que toda a moeda que vai para as mãos do público retorna ao 
sistema bancário, na forma de depósitos à vista. 
Na realidade uma parte da moeda fica retida nas mãos de pessoas, equivalendo ao 
item \u201cmoeda em poder do público\u201d. 
Suponhamos agora que o público decida reter c% do total dos seus ativos 
monetários em moeda manual, não depositada nos bancos; \u201cc\u201d é a chamada taxa 
de retenção do público em relação ao total dos meios de pagamento. 
 
Moeda em Poder do Público 
c = 
Meios de Pagamento (M1) 
 
Ora, sabemos que o total dos Meios de Pagamento (M1) é dado pela expressão: 
M1 = PP + DV 
Logo: 
PP 
c = 
M1 
Podemos definir agora o coeficiente d% como sendo a proporção dos ativos 
monetários que o público deseja manter sob a forma de depósitos à vista: 
DV 
d = 
M1 
Atenção, somando-se os coeficientes \u201cc\u201d e \u201cd\u201d, temos; 
PP DV PP + DV M1 
M1 
+ 
M1 
= 
M1 
= 
M1 
= 1 
Portanto, 
c + d =1 
Vimos anteriormente que o coeficiente \u201cr\u201d é dado pela relação entre as reservas dos 
bancos comerciais e o total dos depósitos à vista: 
Reservas dos Bancos 
r = 
Depósitos à Vista 
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E vimos também a relação entre o multiplicador monetário (m) e a Base Monetária 
(B): 
M1 = m . B 
 
Podemos escrever então: 
M1 m = 
B 
Como B = Papel Moeda em Poder do Público + Reservas Bancárias, temos: 
M1 m = 
PP + R 
Dividindo-se o numerador e o denominador da fração por M1, temos: 
M1