Economia - 05 - Economia Aberta – Relações com o Setor Externo
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Economia - 05 - Economia Aberta – Relações com o Setor Externo


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e todo ajustamento acontece via produto. 
Introduzindo o setor externo, temos a seguinte relação no mercado de bens e 
serviços: 
Y = C + I + G + X - M 
Continuamos com as mesmas especificações anteriores: o consumo varia positiva-
mente com a renda disponível, o investimento varia inversamente com a taxa de 
juros e o gasto público e os impostos são determinados. Em relação às variáveis do 
setor externo, teremos: 
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X = f (\u3b5 , Y*) 
M = f (\u3b5 , Y) 
As exportações variam positivamente com a renda do resto do mundo Y* e com a 
taxa de câmbio \u3b5, considerando que um aumento na taxa de câmbio corresponda a 
uma desvalorização da moeda nacional. As importações variam positivamente com a 
renda interna Y, e inversamente com a taxa de câmbio \u3b5. 
Para uma determinada taxa de câmbio e para um certo nível de renda externa, 
teremos um determinado montante de exportações. Qualquer alteração nesses 
parâmetros afetará o volume de exportações e, portanto, o volume de gastos 
autônomos, e, com isso, a posição da curva IS. 
Uma desvalorização da taxa de câmbio torna o produto nacional mais barato, 
estimulando as exportações e desestimulando as importações. Essa melhora no saldo 
em conta corrente desloca a curva IS para a direita. Já uma valorização da taxa de 
câmbio terá o efeito contrário, deslocando a IS para a esquerda. 
A curva LM não será afetada pela presença do setor externo. A demanda por moeda 
depende da renda e da taxa de juros, respondendo positivamente em relação à 
primeira variável e negativamente em relação à segunda. Dada uma certa oferta de 
moeda, a curva LM representará as combinações de Y e i que equilibram esse 
mercado. 
Observe que, com a introdução do setor externo, passamos a ter três variáveis a 
serem determinadas: o nível de renda (Y), a taxa de juros (i) e a taxa de 
câmbio (\u3b5). 
Vamos considerar o caso de uma pequena economia, que não afeta as condições do 
mercado internacional. 
Isto quer dizer que a capacidade dessa pequena economia de absorver ou de ofertar 
recursos é insignificante diante do tamanho do mercado mundial de capitais, de tal 
modo que sua presença não afeta a taxa de juros internacional. 
Significa que, com perfeita mobilidade de capital, um país pequeno pode financiar 
qualquer déficit de transações correntes ou aplicar seu superávit a uma taxa de juros 
dada pelo mercado internacional; ou seja, o saldo da conta de capital é infinitamente 
elástico em relação à taxa de juros internacional. 
Assim, podemos dizer que, no caso de uma pequena economia aberta, a taxa de 
juros interna i deve necessariamente ser igual à taxa de juros internacional i*, pois 
qualquer diferença levará a uma grande entrada ou saída de capital. Assim, podemos 
acrescentar uma nova equação ao modelo IS-LM: 
i = i*. 
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Nesse caso, em que o país tem livre acesso ao mercado internacional de capitais, a 
taxa de juros vigente no país será a determinada pelo mercado internacional. Em 
uma situação como essa, qualquer déficit em transações correntes pode ser 
financiado à taxa de juros vigente no mercado internacional, e qualquer superávit 
pode ser aplicado no exterior a essa mesma taxa de juros. 
Ou seja, nesta situação, o saldo em transações correntes é irrelevante para 
determinar o equilíbrio no balanço de pagamentos (BP), uma vez que sempre haverá 
um movimento de capitais compensatórios a uma taxa de juros estipulada pelo 
mercado internacional. 
Nessa situação de livre mobilidade de capital, a variável relevante para determinar o 
equilíbrio da BP passa a ser a taxa de juros. 
Uma taxa de juros superior à taxa internacional induzirá uma entrada de capitais (um 
grande superávit no balanço de pagamentos), que forçará a igualdade entre as 
taxas; uma taxa inferior levará, por outro lado, a uma saída de capitais, isto é, a 
profundos déficits no balanço de pagamentos. Deste modo, haverá um único nível de 
taxa de juros interna compatível com o equilíbrio externo: 
i = i* 
Assim, teríamos a restrição dada pelo setor externo expressa na curva BP, que 
representa pontos de equilíbrio entre taxa de juros e nível do produto que 
equilibram o balanço de pagamentos, como mostrado na figura a seguir: 
 
Pontos acima da curva BP 
significam superávit no balanço 
de pagamentos, e pontos abaixo 
da curva representam déficit. 
Combinando-se esta restrição 
com o modelo IS-LM, podemos 
chegar à determinação da renda 
em uma economia aberta. 
Antes de entrarmos nesse estudo, 
devemos lembrar que, no sistema 
de câmbio fixo, o Banco Central 
intervém no mercado para 
manter em equilíbrio o mercado 
de divisas (reservas 
internacionais). 
Já no regime de câmbio flutuante, o Banco Central não intervém na taxa de 
câmbio. Assim, deve-se definir também qual é o regime cambial vigente. 
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No regime de câmbio fixo a oferta de moeda torna-se variável endógena, e no 
regime de câmbio flutuante a taxa de câmbio é endógena. 
Tomando-se as três equações: 
IS: Y=DA=C(Yd)+I(i)+G+X(\u3b5, Y*)-M(\u3b5, Y) \ufffd\ufffd\ufffd\ufffd Equilíbrio no mercado de 
bens e serviços 
LM: M1 = L(Y,i) \ufffd\ufffd\ufffd\ufffd Equilíbrio no Mercado monetário 
BP: i = i* \ufffd\ufffd\ufffd\ufffd Equilíbrio no Balanço de Pagamentos 
O equilíbrio da economia acontecerá quando o mercado de bens, o mercado 
monetário e o balanço de pagamentos estiverem simultaneamente em equilíbrio, o 
que está ilustrado na figura a seguir. 
 
A forma de ajustamento da 
economia à situação de equilíbrio 
dependerá do tipo de regime 
cambial vigente. 
Para analisarmos como acontece o 
ajustamento, analisaremos a seguir as 
diferentes respostas da economia de 
acordo com o regime cambial em vigor 
e com o tipo de política utilizada pelo 
Governo 
 
Eficácia da política econômica nos dois regimes cambiais 
Consideraremos que a economia esteja inicialmente em uma situação de equilíbrio, 
antes da ocorrência de alguma alteração na política econômica. Vejamos, então, qual 
a eficácia de políticas econômicas alternativas (monetária e fiscal) sobre o nível do 
produto nacional, o que dependerá do tipo de regime cambial. 
 
1) Câmbio fixo: política monetária expansionista 
Supondo câmbio fixo e livre mobilidade de capitais, qual será o impacto da política 
monetária? Considere o caso de uma expansão monetária, por meio da emissão de 
moeda pelo governo. O impacto inicial será o deslocamento na curva LM para a 
direita, pressionando a taxa de juros para baixo. Com perfeita mobilidade de capitais, 
isso induzirá uma fuga massiva de capitais do país, ou seja, um profundo déficit no 
balanço de pagamentos. 
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Essa maior demanda por moeda 
estrangeira terá de ser atendida 
pelo Banco Central, que deverá 
se desfazer das reservas 
internacionais para poder manter 
a taxa de câmbio fixa, 
provocando a retração da oferta 
de moeda, até que a LM volte à 
posição original, igualando a taxa 
interna e externa de juros, 
cessando a fuga de capitais. 
 
 
A política monetária é totalmente inoperante neste caso, uma vez que o 
Bacen não tem qualquer controle sobre o agregado monetário, que terá que se 
ajustar para garantir a igualdade entre as taxas de juros. 
 
2) Câmbio fixo: política fiscal expansionista 
Considerando agora uma política fiscal expansionista, teremos: 
O impacto inicial será um 
deslocamento da IS para a direita, o 
que provocará uma