Economia - 06 - Teorias da Inflação
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Uma forma que os governos encontraram para minimizar o efeito Tanzi é adotar a 
indexação do sistema tributário, ou seja, cobrar os impostos em termos de um índice 
que acompanhe a evolução da inflação. Para níveis inflacionários menores, como 
aqueles de um dígito ao ano, esse efeito tende a ser mais significativo, dado que o 
incentivo para indexar os impostos e reduzir o período de defasagem da coleta é 
menor. 
No Brasil criou-se a Unidade Fiscal de Referência (Ufir) um padrão monetário 
indexado para o pagamento dos impostos. No auge do processo inflacionário no 
Brasil (1989 - 1990), a Ufir sofria variações diárias, acompanhando a aceleração 
inflacionária. 
Com o advento do Plano Real buscou-se eliminar os mecanismos de indexação que 
alimentavam a memória inflacionária. Manteve-se a Ufir, mas sua freqüência de 
variação foi reduzida. Atualmente os tributos federais sofrem correção pela taxa 
SELIC. 
 
VII \u2013 A Economia Intertemporal 
 
Anteriormente vimos que o Consumo agregado da coletividade se constitui numa 
importante variável macroeconômica, devido à sua influência no montante da 
Demanda Agregada. 
Eventualmente os formuladores da política econômica podem usar essa variável para 
aquecer a economia, mediante uma redução nos níveis de tributação. Quando o 
Governo reduz os tributos, aumenta a renda disponível, fazendo com que o Consumo 
se eleve e dessa forma há um efeito positivo sobre o nível da própria renda: as 
empresas respondem a esse aumento do consumo (e, portanto, da Demanda 
Agregada) elevando também a sua produção. 
Por outro lado, caso o Governo deseje contrair a Demanda Agregada, por exemplo, 
numa situação em que a economia esteja funcionando próxima de sua capacidade 
máxima, para com isso evitar pressões inflacionárias, é possível adotar medidas de 
restrição ao consumo, como redução da oferta de crédito ou mesmo aumento da 
tributação. 
Nos modelos vistos até agora, partíamos da hipótese de que o Consumo num dado 
período se apresenta como uma função da Renda nesse mesmo período. A função 
Consumo foi apresentada dessa maneira: 
C = Ca + c.Y 
Nessa formulação existe a premissa de que o Consumo atual sofre uma restrição 
atual, dada pelo montante atual da Renda. Mas existem outras abordagens na Teoria 
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Econômica sobre o comportamento da variável Consumo. Uma dessas visões 
alternativas é a que considera o fato de que o Consumo no período atual se relaciona 
não só com a Renda atual, mas também com a Renda futura. Em outras palavras, o 
Consumo se submete a uma Restrição Orçamentária Intertemporal. 
Segundo essa concepção, os indivíduos decidem o quanto irão consumir e o quanto 
irão poupar no momento presente, levando em conta também o futuro. 
Consumir mais hoje significa poupar menos hoje e, portanto, significa talvez 
consumir menos amanhã. 
A idéia básica é a de que quando os indivíduos são mais jovens, eles realizam maior 
volume de poupança para poderem ter um certo nível de consumo desejável no 
futuro, já que, quando idosas, esperam uma renda menor. Por outro lado, alguns 
indivíduos podem querer tomar empréstimos para consumir mais no período atual; 
esses empréstimos deverão ser pagos no futuro, portanto reduzirão o consumo no 
período futuro. 
Portanto, seja qual for a decisão de consumo do indivíduo, ele levará em conta a 
sua renda nos dois períodos de tempo (atual e futuro). Daí a idéia de que a 
renda representa uma restrição orçamentária intertemporal ao consumo. 
Isto significa que os indivíduos devem tomar uma decisão sobre como deverão 
alocar o consumo ao longo do tempo. 
Vamos analisar um modelo simples, considerando somente dois períodos de tempo. 
Vamos chamar o período \u201c1\u201d como sendo correspondente à juventude e o período 
\u201c2\u201d como representando a velhice do consumidor. Consideremos ainda Y1 e C1 como 
a renda e o consumo do consumidor ainda jovem e Y2 e C2 como a renda e o 
consumo do mesmo quando idoso. Consideremos ainda a possibilidade de o 
consumidor obter empréstimos. Teremos então o seguinte: 
A poupança do período 1 (juventude) é obtida da seguinte forma: 
S1 = Y1 \u2013 C1 
No período 2 (velhice) e consumo é dado por: 
C2 = S1. (1 + i) + Y2 
Onde \u201ci\u201d representa taxa de juros. O consumidor vai poder consumir mais no futuro, 
pois terá disponível sua renda Y2 e a poupança S1 do período anterior, capitalizada 
pelos juros obtidos entre os dois períodos, dados pela expressão (1+i). 
Substituindo S1 na segunda equação, teremos: 
C2 = (Y1 \u2013 C1) . (1 + i) + Y2 
Desenvolvendo, teremos: 
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C2 = Y1 + Y1 . i - C1 - C1 . i + Y2 
C2 + C1 + C1 . i = Y2 + Y1 + Y1 . i 
C2 + C1. (1+ i) = Y2 + Y1 . (1 + i) 
Dividindo-se tudo por (1+i), temos: 
C2 Y2 C1+ (1+ i ) 
= Y1 + (1 + i) 
Essa equação final representa a restrição intertemporal do consumidor. 
Percebe-se que o consumo no período 1 mais o consumo do período 2, calculado 
pelo seu valor presente (isto é, descontado pela taxa de juros) tem que ser igual à 
renda no período 1 mais a renda do período 2, calculada pelo seu valor presente 
(também descontada pela taxa de juros). O fator de desconto dos valores futuros é 
dado pela expressão (1+i). 
Pode-se representar a restrição intertemporal do consumidor da seguinte forma: 
 
A inclinação da reta é dada por -(1+i). Todos os seus pontos representam possíveis 
combinações para o consumidor. No ponto A, verifica-se que: 
C1 = Y1 e C2= Y2 
Ou seja, o consumidor no período 1 consome toda a sua renda, portanto não poupa 
no período 1. Assim, no período 2 o seu consumo será também correspondente à 
sua renda no mesmo período. 
Agora, analisemos outra situação: 
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No ponto B, verifica-se que: 
C1 < Y1 e C2 > Y2 
Ou seja, o consumidor no período 1 consome somente parte de sua renda e, 
portanto realiza um certo nível de poupança, que permitirá ao mesmo um nível de 
consumo maior que sua renda no período 2. No ponto B o consumidor é poupador. 
Vejamos ainda outra hipótese: 
 
No ponto C, verifica-se que: 
C1 > Y1 e C2 < Y2 
Ou seja, o consumidor no período 1 consome toda a sua renda e ainda toma 
empréstimos, portanto não poupa no período 1. Assim, no período 2 o seu consumo 
será menor que sua renda, pois o consumidor deverá pagar os empréstimos 
contraídos no período anterior. No ponto C o consumidor é devedor. 
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Finalmente, como o consumidor vai decidir o quanto ele consumirá hoje e o quanto 
ele consumirá no futuro? De fato, o consumidor tem infinitas possibilidades de 
distribuir seu consumo entre os dois períodos, o que pode ser representado através 
das curvas de indiferença mostradas no gráfico a seguir: 
 
Cada curva mostra um certo nível de Utilidade (ou Satisfação) obtida pelo 
consumidor. Curvas mais externas representam combinações de consumo presente e 
futuro que geram utilidade ou satisfação mais elevada. Assim, para o consumidor o 
nível de consumo correspondente ao ponto F é preferível aos níveis D e E. 
No entanto, para o consumidor é indiferente escolher entre os pontos D e E, pois 
ambos geram a mesma satisfação. 
A inclinação da curva de indiferença é dada pela Taxa Marginal de Substituição 
(TMS) entre os níveis de consumo nos períodos 1 e 2, que representa o quanto