Economia - Aula 02 - Macroeconomia Keynesiana
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Economia - Aula 02 - Macroeconomia Keynesiana


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CURSOS ON-LINE \u2013 ECONOMIA \u2013 CURSO REGULAR 
PROFESSOR MARLOS FERREIRA 
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Alguns olham para os problemas e perguntam: Por que? 
Eu olho para aquilo que nunca foi feito e pergunto: Por que não? 
 
AULA 02: 
MACROECONOMIA KEYNESIANA. HIPÓTESES BÁSICAS. AS FUNÇÕES 
CONSUMO E POUPANÇA. DETERMINAÇÃO DA RENDA DE EQUILÍBRIO. O 
MULTIPLICADOR KEYNESIANO. OS DETERMINANTES DO INVESTIMENTO. 
 
Vamos dar início agora a um tópico que já foi muito mais cobrado pelas bancas, 
mas não pode de forma alguma ser esquecido pelos concurseiros. Até porque as 
aulas sobre modelos IS-LM e Mundell-Fleming requerem com boa profundidade os 
conhecimentos aqui adquiridos. 
O que vem a ser Macroeconomia Keynesiana? Qual o nosso interesse nesse 
assunto? 
Não se preocupem em excesso se as considerações feitas sobre a 
macroeconomia keynesiana nas próximas seis folhas parecerem confusas e 
áridas. Elas servem apenas para um entendimento da obra de Keynes, autor de 
extrema relevância para a economia. Os principais corolários, hipóteses, 
preliminares e conclusões estarão tarjados em negrito. O que vocês devem levar 
para a prova será o entendimento das funções consumo e poupança, o 
multiplicador e acelerador keynesianos vistos mais adiante. 
Keynes será o marco do estudo dos gastos governamentais, ou seja, a política 
fiscal e seus condicionantes começam a ter renome acadêmico com esse 
economista, que teve destaque após a década de 40. 
Em Keynes, a discussão girava em torno do papel da política fiscal em um 
ambiente incerto, no qual as expectativas são realizadas conforme um 
conhecimento precário da economia. Nessa direção, o comportamento defensivo 
dos agentes faz-se plausível e racional. Está expresso na preferência pela 
liquidez, conduzindo à redução dos gastos de forma a deprimir a economia. 
O agente econômico preferir ficar líquido significa que mantém seu estoque de 
riqueza predominantemente em moeda, ativo líquido por excelência, sinônimo de 
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liquidez. É um recurso a ser utilizado imediatamente, a qualquer momento sem 
custos de transação. Em um momento de incertezas, creditava-se como o mais 
apropriado. 
Essa preferência pela liquidez de seus ativos por parte dos agentes econômicos 
se justifica por causa de incerteza quanto ao futuro dos eventos econômicos e do 
resultado futuro dos investimentos passados e presentes. Por essa razão, os 
indivíduos preferem manter sua riqueza na forma de dinheiro. Segundo Keynes, a 
taxa de juros representa um limite ao investimento produtivo, apenas por ser um 
trade-off1 do investidor, quando aplica seu capital em uma ampla carteira de 
ativos, entre o investimento (capital produtivo) e a liquidez (capital monetário). 
Keynes tratou de esclarecer que o investimento precede o aumento da poupança 
na economia, à medida que esta é função da renda, que por sua vez depende dos 
gastos agregados. Em sua análise, é central o fato de a economia capitalista ser 
uma economia monetária e que, portanto, o dinheiro não é elemento passivo nas 
decisões de investimentos. Elas dependem da eficiência marginal do capital2, da 
sua taxa de juros intrínseca de longo prazo e da taxa de juros monetária de curto 
prazo. Por que investir se há ativos de maior liquidez e rentabilidade disponíveis? 
Para Keynes , não se investe nessas circunstâncias. 
 
1 Trade-off do investidor se refere a uma escolha entre taxa de investimento e moeda (títulos) 
guiada pelos movimentos na taxa de juros. O empresário deve escolher entre comprar uma 
máquina e ficar líquido, isto é, comprar ativos financeiros. Mais máquinas representam menos 
ativos financeiros. E a preferência por ativos financeiros se dará às custas da redução do estoque 
de máquinas. 
2 No estudo dos determinantes do investimento, o desenvolvimento do conceito de eficiência 
marginal do capital é vital. A eficiência marginal do capital corresponde à eficiência do capital que 
vai ser produzido mais provavelmente, isto é, no caso de existirem duas unidades com preços de 
oferta diferentes, considerar-se-á a eficiência marginal daquele que vai ser produzido com mais 
certeza. O investimento será realizado quando existir capital para o qual a eficiência excede a taxa 
de juros. As mudanças na taxa de investimento dependem de mudanças na eficiência marginal do 
capital e da taxa de juros de mercado. 
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A teoria de Keynes é baseada no principio de que os consumidores alocam as 
proporções de seus gastos em consumo e poupança em função da renda. Quanto 
maior a renda, maior a percentagem da renda poupada. Assim se a renda 
agregada aumenta, em função do aumento do emprego, a taxa de poupança 
aumenta simultaneamente. 
O problema de Keynes está no lado da demanda. Deve-se notar que, para o 
estado aumentar a demanda efetiva, ele deve gastar mais do que arrecada, 
porque a arrecadação de impostos reduz a demanda efetiva, enquanto que os 
gastos aumentam a demanda efetiva. 
A intervenção da autoridade fiscal pode aumentar a previsibilidade dos agentes 
face à demanda futura, minimizando a incerteza em relação ao estado futuro da 
economia. Entra, então, a proposição de Keynes no sentido da formatação de um 
plano de investimentos públicos para assegurar uma demanda agregada mínima. 
Os keynesianos, a partir da análise empírica do modelo IS-LM ( modelo 
importantíssimo, recorrente em concursos, que será visto com riqueza de detalhes 
em aula mais à frente), detectaram que a política fiscal é mais eficaz que a política 
monetária para estabilizar a demanda agregada, recomendando, a discrição fiscal. 
Em razão disso, essa corrente ficou taxada como fiscalista por propor políticas de 
gastos e déficits. 
O programa de investimentos públicos seria gerido em conformidade com a 
necessidade de estabilização da demanda agregada, de acordo com os 
movimentos gerados pela economia. 
Keynes reconheceu a fragilidade frente às flutuações ao afirmar que é mais fácil 
\u201cevitar que uma bola comece a rolar que fazê-la parar uma vez rolada\u201d. Esta 
constatação implica que o projeto de investimentos públicos tenha de ser 
suficientemente ágil de sorte a se antecipar aos movimentos da demanda 
agregada. 
A lei de Keynes afirma que os níveis de emprego e utilização da capacidade 
dependem dos determinantes da demanda agregada e, em particular, da decisão 
de investir das classes capitalistas e da propensão marginal a consumir a partir 
das diferentes fontes de renda. 
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Em resumo: a preocupação principal de Keynes reside na incapacidade do 
sistema de gerar demanda agregada capaz de prover empregos para uma parcela 
significativa da força de trabalho. Daí a razão para o Estado vir a influenciar a 
propensão a consumir em parte através de seu esquema de taxação, em parte, 
através da fixação da taxa de juros. Keynes, entretanto, duvidava da capacidade 
da política monetária de afetar a taxa de juros e, por isso, propunha uma \u201c 
socialização de grande alcance do investimento\u201d. 
O elemento central da Teoria Geral é o investimento entendido como demanda 
por máquinas e equipamentos por parte dos empresários. A produção de uma 
máquina emprega trabalhadores que, com seus salários, demandarão bens de 
consumo o que, por sua vez, tende a aumentar o emprego e assim por diante ( 
multiplicador de empregos). 
A decisão de investir depende, porém, da expectativa de lucratividade daquela 
máquina ou equipamento. Num período de recessão ou de incertezas quanto ao 
futuro da economia, o empresário, no lugar de comprar uma máquina, prefere ficar 
líquido, isto é, comprar ativos financeiros. É nestas circunstâncias que Keynes 
acredita na intervenção do Estado na taxa de investimento e taxa de juros. 
Para Keynes, cabe ao Estado gerar condições para que o investimento privado se 
recupere mantendo otimista o estado geral dos negócios e tratando de