Economia - Aula 03 - Moeda Inflação
30 pág.

Economia - Aula 03 - Moeda Inflação


DisciplinaEconomia I32.510 materiais244.472 seguidores
Pré-visualização7 páginas
do parâmetro comportamental das famílias e empresas. 
Constata-se que a autoridade monetária exerce controle diretamente sobre a base 
monetária e indiretamente sobre o multiplicador através do uso dos instrumentos 
de política monetária. 
A base monetária é essencialmente todo o dinheiro vivo da economia: é a soma 
das reservas bancárias e do papel-moeda em poder do público. Representa todo 
o dinheiro que o sistema financeiro poderia utilizar como reservas ( e realmente 
utilizaria se o público depositasse todo o seu dinheiro nos bancos). 
 
Instrumentos Clássicos de Política Monetária. 
 
A) Operações de Open Market ( compra e venda de títulos públicos). 
Operações de mercado aberto são compras e vendas de títulos públicos feitas 
pelo BACEN. Quando o BC compra títulos que estão em poder do público, as 
divisas pagas aumentam a base monetária e, em conseqüência, aumentam a 
oferta de moeda. Quando o BC vende títulos ao público, os recursos recebidos 
reduzem a base monetária e, assim, reduz-se a oferta de moeda. 
B) Recolhimento de Compulsórios. 
Fixação de taxa de reservas refere-se à regulamentação do BC relativa à razão 
reservas/depósitos mínima a ser mantida pelos bancos comerciais. Um aumento 
na taxa de reservas aumenta a razão reservas/depósitos e reduz o multiplicador 
da moeda e a oferta de moeda. Este é o instrumento menos usado pelo BC. 
C) Redesconto. 
A taxa de redesconto é a taxa de juros que o BC cobra quando concede 
empréstimos aos bancos. Os bancos levantam empréstimos junto ao BC quando 
suas reservas são inferiores ao necessário para atender à taxa de reservas fixada. 
Quanto menor a taxa de redesconto, mais barato fica o empréstimo de reservas e 
CURSOS ON-LINE \u2013 ECONOMIA \u2013 CURSO REGULAR 
PROFESSOR MARLOS FERREIRA 
www.pontodosconcursos.com.br 6
maior o montante levantado pelos bancos junto ao BC. Portanto, a redução na 
taxa de redesconto aumenta a base monetária e a oferta de moeda. 
O BC não tem o controle absoluto sobre a oferta de moeda. A autonomia dos 
bancos na condução de suas atividades pode provocar mudanças na oferta de 
moeda que o BC não antecipa. Por exemplo, os bancos podem optar por manter 
reservas excedentes, isto é, superiores à taxa fixada. Quanto maior o excesso de 
reservas, maior a razão reservas/depósitos e menor a oferta de moeda. 
O agregado monetário M1 ( soma de moeda em circulação e depósitos à vista) 
depende tanto do estoque da base monetária quanto de dois outros elementos: a 
razão reservas/depósitos dos bancos comerciais e a razão moeda em 
circulação/depósitos em poder da população. Um certo estoque do tipo mais 
líquido de ativo dá origem a um valor muito maior de M1, em função da forma pela 
qual os bancos criam moeda. 
O elo ntre Mh e M1 é dado pelo multiplicador monetário, que depende tanto da 
razão reservas/depósitos dos bancos comerciais quanto da razão moeda em 
circulação/depósitos em poder da população. 
Um aumento na razão reservas/depósitos reduz o multiplicador, porque reduz o 
montante de novos empréstimos que o sistema bancário pode fornecer a partir de 
um depósito inicial. Isto, por sua vez, reduz o valor dos novos depósitos 
subsequentes feitos pelo público. 
Um aumento na razão moeda em circulação/depósitos também reduz o 
multiplicador monetário, por outra razão: neste caso, os empréstimos concedidos 
pelos bancos comerciais produzem um valor menor de depósitos, porque os 
agentes detêm maior proporção em dinheiro do que em depósitos bancários. 
 
 
 
 
 
 
 
CURSOS ON-LINE \u2013 ECONOMIA \u2013 CURSO REGULAR 
PROFESSOR MARLOS FERREIRA 
www.pontodosconcursos.com.br 7
INFLAÇÃO E EMPREGO. DETERMINAÇÃO DO NÍVEL DE PREÇOS. 
INTRODUÇÃO ÀS TEORIAS DA INFLAÇÃO. A CURVA DE PHILLIPS 
 
Todos nós sabemos que o fenômeno inflacionário no Brasil foi crônico, gravoso e 
causou uma série de danos à economia e à sociedade brasileira ao longo do 
tempo. Não há dúvida de que o seu combate tenaz e perseverante é uma missão 
de todos. É do conhecimento público que seus efeitos perversos perpassam 
indistintamente todos os estratos da sociedade, atingindo de maneira muito mais 
nefasta as camadas mais pobres. 
A elevação continuada dos preços tem historicamente aspectos monetário, 
cambial, fiscal, inercial, estrutural e expectacional ( atenção aos aspectos inercial 
e expectacional, pois são os únicos que podem de alguma forma aparecerem na 
prova). 
A parte inercial da nossa inflação reside nos preços administrados. Esta possui 
uma malha contratual que utiliza indexadores de preços, como os IGPs, por 
exemplo. Esses indicadores são a soma de três índices com ponderação estável 
desde que foram criados, o que faz pouco sentido econômico e, muitas vezes, não 
têm relação direta com os custos daqueles itens que estão corrigindo. Podemos 
citar alguns exemplos bastante óbvios, como os aluguéis e telefonia. Estes 
indicadores de inflação são fortemente influenciados por fatores exógenos, como 
mudança no patamar de preços do petróleo, para ficarmos com a referência atual. 
O aspecto estrutural da inflação brasileira pode ser observado no conflito 
distributivo, nas restrições orçamentárias, no tamanho e na estrutura da dívida 
interna brasileira, na insegurança jurídica, na não-formalização da independência 
do Banco Central, na nossa complexa estrutura tributária, nos gargalos de infra-
estrutura, enfim, no custo Brasil. A dinâmica do avanço nestas questões tem 
efeitos diretos, não só nos próprios aspectos estruturais, como também nos 
expectacionais. 
CURSOS ON-LINE \u2013 ECONOMIA \u2013 CURSO REGULAR 
PROFESSOR MARLOS FERREIRA 
www.pontodosconcursos.com.br 8
O fator expectacional, em essência, acrescenta o efeito da reação dos agentes 
econômicos, ou seja, é a subjetividade do fator humano no processo de formação 
de preços. O nível de confiança, a consistência, a perseverança e a estabilidade 
de regras - enfim, a arte na condução da política macroeconômica -, têm um papel 
absolutamente relevante na dinâmica da inflação. 
Nestas circunstâncias, é necessária a desindexação definitiva dos preços e tarifas 
públicas. Do contrário, não eliminaremos a causa original da aceleração 
inflacionária, que se reproduz ciclicamente, e aquele componente de preços 
monitorados que gera um elemento de forte persistência. De um lado, a tolerância 
pela inflação no atual patamar, que é muito elevado, e a sua perpetuação, com 
volta da inflação inercial. 
O Brasil foi o recordista mundial de inflação no período 1973-94. Uma das 
principais causas da goleada brasileira é a crônica capacidade de acomodar 
conflitos. Cada agente na tentativa de se defender da inflação através do reajuste 
periódico e automático de sua respectiva renda, acabava por perpetuar a inflação 
de todos. Esta é a essência da inércia inflacionária. 
A principal característica da indexação tupiniquim era o seu caráter compulsório. 
Outra característica era a sua generalidade que afetava não só todos os preços-
chave da economia (câmbio, tarifas públicas etc) mas toda a distribuição de 
salários. Existiam cláusulas oficiais de indexação para todos os níveis salariais 
privados. Uma espécie de amarra distributiva institucionalizada que não resolvia 
conflitos ou diferenças. A tentativa frustrada de amenizar conseqüências da 
convivência com a inflação auto-propagava inflação. 
A principal tecnologia aqui desenvolvida no combate ao ciclo vicioso da inflação foi 
a busca de intervenções diretas no processo de formação de preços e salários. O 
objetivo deste tipo de política de renda era romper com a correia de transmissão 
da inflação, sem afetar o status quo da distribuição de renda. Até porque se a 
tentativa fosse atacar os dois problemas simultaneamente, obter-se-ia um 
concomitante fracasso. 
CURSOS ON-LINE \u2013 ECONOMIA \u2013 CURSO REGULAR 
PROFESSOR MARLOS FERREIRA 
www.pontodosconcursos.com.br 9
Os impactos