Economia - Aula 06 - Cambio e BP
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Economia - Aula 06 - Cambio e BP


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as taxas de 
câmbio ajustam-se até que uma unidade de qualquer moeda seja capaz de 
comprar o mesmo conjunto de bens e serviços em todos os países que mantêm 
relações comerciais. 
A teoria da paridade do poder de compra prevê que se o nível de preços de um 
país aumentar em relação ao nível de preços de outros países, sua taxa de 
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câmbio irá cair. Por exemplo, se a taxa de inflação do país local é de 10% e a do 
país estrangeiro é de 6%, a teoria da paridade do poder de compra prevê que a 
taxa de câmbio local irá cair 4% ( a variação percentual da taxa de câmbio é igual 
à taxa de inflação estrangeira menos a taxa de inflação local). 
Mas por que as taxas de câmbio nem sempre se comportam como a teoria da 
paridade do poder de compra prevê? 
Uma razão para isso é que os países não trocam bens idênticos. 
Outra razão é que alguns países não permitem o fluxo livre de moedas e bens. 
Contudo, o principal motivo para que a teoria nem sempre funcione é que os 
países trocam bens e ativos. O mercado de ativos desvia as taxas de câmbio da 
paridade poder de compra. 
Em resumo: se vale a paridade do poder de compra, então a variação percentual 
da taxa de câmbio para uma dada moeda estrangeira é igual à taxa de inflação do 
país estrangeiro menos a taxa de inflação do país doméstico. 
 
Crises Cambiais 
Na prática, no regime cambial flexível, a flutuação é suja. O Banco Central 
participa do mercado cambial, podendo atuar comprando o excesso de oferta de 
divisas com vistas a acumular reservas externas e também evitar a apreciação 
cambial. 
Nesse contexto, quando se verifica um excesso de oferta de divisas de forma que 
a taxa de câmbio ameace ultrapassar o piso, a autoridade monetária atua por 
meio da compra de divisas, ocasionando uma elevação na taxa de câmbio. 
De outra forma, quando se tem escassez de divisas, através de uma ameaça ao 
limite máximo, o BC atua vendendo divisas, refreando o valor da taxa de câmbio. 
Na maioria dos países prevalece o regime de flutuação suja; há liberdade cambial, 
mas dentro de limites, com intervenções do BC para evitar exagerada depreciação 
ou apreciação da moeda. 
Para os defensores e muitos de seus críticos, a política macroeconômica 
implementada no Brasil nos últimos anos contém dois elementos chave: o regime 
de taxas de câmbio flexível ou flutuante e o sistema de metas de inflação no qual 
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a taxa de juros é fixada com o fito de controlar a demanda agregada e, através 
dela, a inflação. 
Nada disso se observa no Brasil de meados de 1999 até o início de 2006. Houve 
grandes flutuações e substancial acúmulo de reservas internacionais (de cerca 
US$ 41 bilhões a algo em torno de US$ 56 bilhões). 
A taxa de juros tem flutuado bem mais que a média mensal do câmbio e há forte 
relação do diferencial entre a taxa de juros nominal interna e a taxa de juros 
externa (juros americanos mais risco país do Brasil) e o nível da taxa de câmbio. A 
mudança deste diferencial de juros interno e externo com freqüência precede as 
movidas do câmbio. 
O regime cambial que existe mesmo no Brasil é de flutuações administradas 
(especialmente via juros) e se encaixa bem na categoria mais administrada e 
menos flexível (ou mais "suja") da bem-humorada taxonomia de Carmen Reinhart 
("The Mirage of Floating Exchange Rates", American Economic Review, May, 
2000), chamada de "quase-paridade mal disfarçada sem credibilidade". 
O câmbio é um dos principais preços da economia, refletindo a paridade da 
moeda local relativamente às demais moedas internacionais, o que não se 
restringe às decisões de exportações. Definições fundamentais no setor produtivo, 
como de investimentos, localização industrial, substituição de importações, 
agregação de valor local, pesquisa e desenvolvimento são fortemente 
influenciadas pelo nível da taxa de câmbio. 
Embora não muito provável que a ESAF se utilize desse tipo de questão, como o 
edital traz à tona o tópico Regimes Cambiais/ Crises Cambiais, acho que devemos 
levar em conta exercícios como os demonstrados a seguir. 
 
01 - (VUNESP/BNDES-2002) Com relação ao sistema cambial do Brasil, entre 
1998 e 2000, pode-se dizer que 
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a) de um sistema de câmbio livre, visando a manter a taxa de câmbio, passou-se 
para um sistema de bandas cambiais, logo substituído por um sistema de câmbio 
fixo. 
b) se passou, de uma política de câmbio fixo, com a moeda nacional 
subvalorizada, para sistema cambial administrado, sem a adoção de qualquer 
outro regime entre eles. 
c) de um sistema de intervenção no mercado cambial, que manteve 
sobrevalorizada a taxa de câmbio, passou-se a um sistema de câmbio flutuante. 
d) em nenhum momento adotou-se uma política de banda cambial. 
e) se passou, abruptamente, de uma taxa de câmbio variável, com a moeda 
nacional subvalorizada, para um sistema de câmbio fixo. 
 
Segundo o BC, a taxa de câmbio é o preço de uma moeda estrangeira, 
mensurado em unidades ou frações da moeda doméstica. A taxa de câmbio 
reflete, assim, o custo de uma moeda em relação a outra, agregando-se em taxa 
de venda e taxa de compra. 
Pensando sempre do ponto de vista do banco, a taxa de venda é o preço que a 
autoridade monetária cobra para vender a moeda estrangeira (a um importador, 
por exemplo), enquanto a taxa de compra reflete o preço que a autoridade aceita 
pagar pela moeda estrangeira que lhe é ofertada (por um exportador, por 
exemplo). 
Ou seja, o câmbio é uma das variáveis mais importantes da macroeconomia 
sobretudo no que se refere às transações internacionais. Quando se deseja 
negociar ativos de um país para outro, quase invariavelmente temos de mudar a 
unidade de conta do valor desses ativos \u2013 da moeda doméstica para a moeda 
estrangeira. 
Existe uma variedade bastante ampla de diferentes arranjos de câmbio adotados 
pelos países ao longo da história recente. Agrupa-se, basicamente, em dois 
segmentos básicos: regimes cambiais fixos ou flutuantes. A diferença básica entre 
esses dois regimes é que, enquanto no caso dos câmbios fixos, a taxa de câmbio 
é definida pelas autoridades monetárias nacionais, em câmbios flutuantes essa 
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mesma taxa é formada no mercado cambial, através dos movimentos de oferta e 
demanda por ativos em moeda estrangeira. 
A história recente brasileira nos mostrou o estrago que pode causar a valorização 
excessiva e prolongada da taxa de câmbio, como ocorreu de 1994 a 1998. 
Naquela época, criou-se um paradigma que a correção cambial representaria o 
caos da economia brasileira e poria a perder todo o esforço empreendido para a 
estabilização. 
Foi a partir da adoção da flexibilidade do câmbio, em 1999, que o Brasil conseguiu 
reverter o perigoso quadro externo, que, em apenas cinco anos, acumulou 
acréscimo de mais de US$ 200 bilhões no passivo externo e nos tornou 
excessivamente vulneráveis às instabilidades internacionais. 
No Brasil, tivemos nos anos 90 um regime cambial fixo que foi alterado para o 
câmbio flutuante. Contudo, o que vigora de fato é a \u201cflutuação suja\u201d, em que o BC 
atua para atenuar movimentos bruscos das cotações. Um câmbio mais estável é 
fundamental não apenas para o exportador, mas também para decisões de 
investimento relacionadas à localização industrial e à substituição das 
importações. A flutuação exagerada do câmbio inibe as decisões de investimento, 
afetando a expansão da atividade econômica. 
A assertiva c está correta. 
 
 
02 \u2013 (VUNESP/IBGE \u2013 99) Se a taxa de câmbio estiver