Economia - Aula 10 - Aspectos Conclusivos
28 pág.

Economia - Aula 10 - Aspectos Conclusivos


DisciplinaEconomia I32.379 materiais242.664 seguidores
Pré-visualização7 páginas
anteriores de 
consumo propostas por Keynes e seus seguidores. A moderna análise de 
consumo e poupança iniciada por Keynes especificou uma função consumo 
relacionando o consumo atual com a renda atual. Esse roteiro foi complementado 
com a abordagem intertemporal, uma teoria que afirma que as famílias dividem 
sua renda entre consumo e poupança com o objetivo de atingir o máximo de 
utilidade possível. 
Tal escolha é influenciada não apenas pela renda atual, mas também pela renda 
futura esperada e pela taxa de juros. Ao se decidir por um padrão de consumo, a 
família está limitada pela restrição orçamentária intertemporal, que exige que o 
valor presente do consumo seja igual ao valor presente da produção familiar, mais 
quaisquer ativos financeiros da família, menos o valor presente de quaisquer 
heranças deixadas pelas famílias. 
Irving Fischer desenvolveu um modelo com o qual os economistas analisam como 
os consumidores racionais fazem escolhas intertemporais, isto é, escolhas que 
envolvem diferentes períodos de tempo: o modelo de dois períodos. 
Diferentemente de Keynes, o modelo de Fisher considera que o consumo não 
depende da renda corrente. Na verdade, o consumo depende dos recursos que o 
consumidor espera auferir ao longo de sua vida. 
CURSOS ON-LINE \u2013 ECONOMIA \u2013 CURSO REGULAR 
PROFESSOR MARLOS FERREIRA 
 
www.pontodosconcursos.com.br 
 
24
Modigliani, por sua vez, destacou que a renda varia ao longo da vida das pessoas 
e que a poupança permite aos consumidores deslocar renda dos períodos em que 
ela é alta para aquelas em que é mais baixa: o modelo de ciclo de vida. 
De outra forma, Milton Friedman apresentou a hipótese da renda permanente. Ao 
contrário da hipótese do ciclo de vida, que afirma que a renda registra um padrão 
regular ao longo da vida das pessoas, a da renda permanente destaca que a 
experiência da pessoa altera sua renda de forma aleatória e temporária ao longo 
do ciclo da vida. A renda corrente é um somatório de dois elementos: a renda 
permanente e a renda transitória. 
Como não se pode prever com certeza o valor da renda futura, a determinação 
das expectativas é uma questão crucial na aplicação do modelo de renda 
permanente. 
Os consumidores atentos ao futuro pautam suas decisões não apenas na renda 
corrente, mas também no que esperam receber no futuro. Assim, a hipótese da 
renda permanente destaca a idéia de que o consumo depende das expectativas1. 
Salvo melhor juízo, em 80% das questões sobre modelos de escolha 
intertemporal, as respostas das questões elaboradas pela ESAF e CESPE/UNB se 
concentram na variável taxa de juros como determinante importante do consumo 
agregado bem como as restrições de crédito a que estão sujeitos os agentes 
famílias e governo. 
O efeito taxa de juros sobre a poupança e o consumo não está claro, nem em 
teoria nem na prática. Uma taxa mais alta aumenta o preço atual do consumo ( 
efeito substituição) incentivando a poupança. Contudo, se a família concede mais 
do que toma empréstimos, a taxa de juros também aumenta a renda permanente 
e, portanto, tenda a aumentar o consumo e a reduzir a poupança ( efeito renda). 
 
1 A regra mais simples consiste em acreditar que o próximo ano será como este, uma regra chamada 
expectativa estática. As pessoas também podem atualizar as expectativas do futuro com base nos erros 
anteriores de previsão, um processo chamado expectativas adaptativas. Um mecanismo mais sofisticado, 
conhecido como expectativas racionais, especifica que o agente faz uso o mais eficientemente possível das 
informações de que dispõe e que compreende o modelo econômico que governa a economia, a fim de poder 
formular suas expectativas. 
CURSOS ON-LINE \u2013 ECONOMIA \u2013 CURSO REGULAR 
PROFESSOR MARLOS FERREIRA 
 
www.pontodosconcursos.com.br 
 
25
Os economistas decompõem o impacto de um aumento na taxa de juros real em 
dois efeitos: efeito-renda e efeito-substituição. 
O efeito-renda é a variação no consumo que resulta da passagem para uma curva 
de indiferença mais alta. Este efeito tende a fazer com que o consumidor escolha 
mais consumo em ambos os períodos. 
O efeito-substituição é a mudança do consumo que resulta de uma variação do 
preço relativo nos dois períodos. Em particular, quando a taxa de juros aumenta, o 
consumo no período 2 se torna mais barato em relação ao consumo no período 1, 
o que impele maior nível de consumo no período 2 frente ao período 1. 
Atenção para esse parágrafo: os dois efeitos contribuem para aumentar o 
consumo no segundo período: por conseguinte, podemos concluir com certeza 
que um aumento na taxa de juros real eleva o consumo do segundo período. Mas 
os dois efeitos têm impactos opostos sobre o consumo do primeiro período. 
Assim, o aumento na taxa de juros real tanto pode aumentar como pode diminuir o 
consumo no primeiro período. 
Em suma, para Keynes, a variável consumo = f ( Renda Corrente). Todavia, 
trabalhos mais recentes sugerem que: Consumo = f ( Renda Corrente, Riqueza, 
Renda Futura Esperada, Taxa de Juros). Em outras palavras, a renda corrente é 
apenas um dos determinantes do consumo agregado. 
Veremos agora uma síntese da restrição intertemporal do outro agente da 
economia que nos interessa: o governo. A concepção tradicional da dívida pública 
sustenta que esta dívida reduz a poupança nacional e inibe a acumulação de 
capital. A concepção alternativa, a chamada equivalência ricardiana, por sua vez, 
roga que a dívida pública não influi sobre as poupanças e sobre a acumulação de 
capital. Notem: são duas concepções radicalmente opostas. 
As modernas teorias do comportamento do consumidor destacam que os 
consumidores estão atentos ao futuro e, dessa forma, o consumo não depende 
apenas da renda corrente. O consumidor atento ao futuro está no centro das 
hipóteses do ciclo de vida, de Modigliani e da renda permanente, de Friedman. A 
CURSOS ON-LINE \u2013 ECONOMIA \u2013 CURSO REGULAR 
PROFESSOR MARLOS FERREIRA 
 
www.pontodosconcursos.com.br 
 
26
visão ricardiana da dívida pública usa a lógica do consumidor atento ao futuro para 
analisar o impacto da política fiscal. 
O consumidor atento ao futuro entende que o endividamento público do presente 
significa um aumento nos impostos mais adiante. Um corte nos impostos 
financiado através do aumento do endividamento não reduz a carga tributária: 
apenas a remaneja. Não aumenta a renda permanente do consumidor e, portanto, 
não eleva o consumo. 
A equivalência ricardiana implica que uma redução de impostos financiada pela 
dívida pública deixa o consumo inalterado. As famílias poupam o acréscimo na 
renda disponível para poder pagar os futuros aumentos nos impostos. 
Este aumento da poupança privada apenas compensa a redução na poupança 
pública. A poupança nacional, o somatório das poupanças pública e privada, se 
mantém a mesma. Portanto, o corte nos impostos não tem todas as 
conseqüências previstas pela análise tradicional. 
A visão ricardiana supõe que os consumidores têm um horizonte temporal longo. 
A análise de Barro sobre a família implica que o horizonte temporal do 
consumidor, como o do governo, é de fato, infinito. 
Sobretudo em concursos da área fiscal elaborados pela ESAF, é praticamente 
certa a confecção de uma questão para o próximo certame (AFRF \u20132007) ainda 
que pese o menor número de questões da disciplina Economia ( oito questões). 
Em 2005, ano do último concurso para Auditor Fiscal da Receita Federal, a prova, 
como já mencionado, foi muito fácil e não se utilizou de questões desse tópico, 
que aparecia recorrentemente em todas as provas desde 2001. 
 
Na nossa última aula texto, aula 09, discorremos sobre o modelo de crescimento 
de Solow e o assunto números-índices. 
O citado modelo (\u201co queridinho da ESAF\u201d) deve ser deixado para o final do estudo, 
mas não descartado