Tutela_Inhibitoria
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Tutela_Inhibitoria


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criminal ou instrução processual penal (art. 5.º, XII); iii) aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar (art. 5.º, XXVII); iv) a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização, bem como proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País (art. 5.º, XXIX); v) o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor (art. 5.º, XXXII); vi) todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações (art. 225, caput).
<texto>Supõe-se, como é óbvio, que tais direitos devam ser efetivamente tutelados, até mesmo porque a falta de efetividade da tutela jurisdicional implica a existência de um ordenamento jurídico incompleto. \ufffd A existência do direito material \u2013 em nível de efetividade \u2013 depende da efetividade do próprio processo. \ufffd Sem um direito processual capaz de garantir uma tutela jurisdicional efetiva e adequada não há um ordenamento que possa ser qualificado como jurídico. \ufffd
<texto>O Estado, ao proibir a autotutela privada e assumir o monopólio da jurisdição, assumiu também o dever de tutelar de forma efetiva todas as situações conflitivas concretas; o Estado, portanto, não pode deixar de dar resposta adequada aos direitos por ele mesmo proclamados. \ufffd
<texto>O direito de acesso à justiça, atualmente, é reconhecido como o direito que deve garantir a tutela efetiva de todos os demais direitos. \ufffd A importância que se dá ao direito de acesso à justiça decorre do fato de que a ausência de tutela jurisdicional efetiva implica a transformação dos direitos garantidos constitucionalmente em meras declarações políticas, de conteúdo e função mistificadores. \ufffd
<texto>É por isso que se deve abandonar a idéia de que o direito de acesso à justiça, ou o direito de ação, significa apenas direito à sentença de mérito. Este modo de ver o processo, se um dia foi importante para a concepção de um direito de ação independente do direito material, não se coaduna com as novas preocupações que dizem respeito ao tema da \u201cefetividade do processo\u201d, que traz em si a superação da ilusão de que o processo poderia ser estudado de maneira neutra e distante da realidade social e do direito material. \ufffd
<texto>Quando se pensa em tutela jurisdicional efetiva, descobre-se, quase por necessidade, a importância da relativização do binômio direito-processo. O processo deve estar atento ao plano do direito material se deseja realmente fornecer tutela adequada às diversas situações concretas. É apenas por esta razão que a doutrina redescobre \u2013 e não por mágica \u2013 a importância das tutelas jurisdicionais diferenciadas. O direito à preordenação de procedimentos adequados à tutela dos direitos passa a ser visto como algo absolutamente correlato ao direito de acesso à justiça. \ufffd Sem a predisposição de instrumentos de tutela adequados à efetiva garantia das diversas situações de direito substancial não se pode conceber um processo efetivo. \ufffd
<texto>Portanto, o direito de acesso à justiça garante a tutela jurisdicional capaz de fazer valer de modo integral o direito material e, por conseqüência, o direito à técnica processual capaz de viabilizá-la. Lembre-se, aliás, que a Corte Constitucional italiana já afirmou que \u201co direito à tutela jurisdicional está entre os princípios supremos do ordenamento constitucional, no qual é intimamente conexo com o próprio princípio democrático, assegurar a todos e sempre, para qualquer controvérsia, um juiz e um juízo em sentido verdadeiro\u201d. \ufffd
<texto>Não há dúvida de que o direito de acesso à justiça, assegurado por nossa Constituição Federal (art. 5.º, XXXV), garante o direito à adequada tutela jurisdicional\ufffd e, assim, o direito à técnica processual capaz de viabilizar o exercício do direito à tutela inibitória. \ufffd É possível afirmar até mesmo que a inserção da locução \u201cameaça a direito\u201d na verbalização do princípio da inafastabilidade (art. 5º, XXXV, CF) teve por fim garantir a possibilidade de qualquer cidadão solicitar a tutela inibitória.
<texto>Como está evidenciado, se todos têm direito à tutela e à ação inibitória, isto nada tem a ver com a proteção cautelar, até porque esta última foi concebida, em princípio, para permitir a efetiva proteção de um direito já violado. \ufffd O direito à tutela e à ação inibitória, como demonstrado, não tem relação alguma com a necessidade de segurança de um direito que pode não ser efetivamente tutelado através de outra técnica de tutela.
<aa>3.12	Direito à tutela inibitória, técnica processual e tutela jurisdicional inibitória
<texto>Cabe frisar, porém, que o direito de acesso à justiça garante a técnica processual capaz de prestar a efetiva tutela dos direitos, e não propriamente a tutela do direito. A tutela é decorrência da existência do próprio direito. Ou melhor, a tutela inibitória existe pelo fato de ser inerente à existência do direito; todo titular de direito tem o direito de impedir a sua violação.
<texto>Não basta, como é evidente, que o ordenamento jurídico afirme um direito, mas é necessário que ele lhe confira tutela, ou seja, que ele lhe dê proteção. Entretanto, em um ordenamento jurídico marcado pela proibição da autotutela, a jurisdição deve estar aberta à tutela dos direitos.
<texto>A consagração de direitos faz surgir, por conseqüência lógica, o direito à tutela jurisdicional, isto é, o direito de pedir, conforme o caso, o impedimento da sua violação, a sua reparação etc. Quem tem direito material, tem direito de pedir tutela jurisdicional. De modo que o direito à tutela jurisdicional inibitória é conatural ao direito material. Com efeito, não temos a menor dúvida em afirmar que o princípio geral de prevenção é imanente a qualquer ordenamento jurídico que se empenhe em garantir \u2013 e não apenas em proclamar \u2013 os direitos.
<texto>O direito à tutela jurisdicional, que é decorrência da própria existência do direito substancial e da proibição da sua realização privada, não é apenas o direito de ir ao Poder Judiciário, mas o direito de obter a via técnica adequada para que o direito material possa ser efetivamente realizado através da jurisdição. O direito à tutela, assim, é o direito à técnica processual (por exemplo, sentença e meios executivos) capaz de permitir a efetiva proteção do direito material. Trata-se, assim, do direito à adequada tutela jurisdicional.
<texto>Pensando-se em garantia constitucional de acesso à justiça, ou melhor, no direito constitucional à preordenação da técnica processual adequada, entra em jogo o direito à técnica processual capaz de permitir a tutela dos direitos. Quando se afirma que a ação é requerida, é postulada a tutela. Por essa razão, o direito de ação, nos dias de hoje, não pode mais ser visto como o simples direito de ir ao Judiciário, mas sim como o direito à predisposição da técnica processual realmente capaz de dar tutela ao direito. Não basta dizer que todos podem afirmar, perante o Judiciário, um direito à tutela, mas é preciso garantir ao cidadão o direito à técnica processual capaz de viabilizar a sua obtenção.
<texto>O direito de buscar a tutela inibitória, através da via processual adequada, consagra o direito a uma via processual realmente capaz de propiciar a tutela inibitória. Assim, o exercício do direito de ir ao Judiciário para buscar a tutela inibitória, nada mais é do que o exercício da ação inibitória. É neste sentido que se pode pensar em ação inibitória, ou seja, em ação efetivamente capaz de permitir, caso o direito material seja reconhecido, a obtenção da tutela inibitória.
<texto>O objetivo da distinção entre tutela do direito e técnica processual é o de verificar se a legislação possui