Tutela_Inhibitoria
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Tutela_Inhibitoria


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que o direito à tutela pudesse ser efetivamente exercido.
<texto>Melhor explicando: tais normas permitem a imposição de fazer ou de não fazer por meio das técnicas nele presentes, e esta possibilidade \u2013 de imposição de fazer ou de não fazer \u2013 é que viabiliza a prestação de várias tutelas, entre elas a tutela inibitória, a tutela de remoção do ilícito, a tutela ressarcitória na forma específica e a tutela específica da obrigação contratual inadimplida. Por esta razão é equivocado supor que o art. 461 é a fonte da tutela das obrigações de fazer e não fazer; não há como se confundir fonte de tutela com fonte dos instrumentos processuais de tutela. O Código de Processo Civil não trata da tutela dos direitos, mas apenas da técnica adequada a esta tutela, ou melhor, do veículo capaz de prestar a tutela jurisdicional.
<texto>Entretanto, pensar somente nas formas processuais, e assim apenas nos instrumentos processuais capazes de impor um fazer ou um não fazer, constitui uma visão míope do fenômeno da tutela dos direitos. Este fenômeno tem um aspecto dualista, compreendido pela tutela do direito material e pelas formas de tutela destes direitos. Ora, pensar somente nos instrumentos processuais é dar atenção apenas a este segundo aspecto do fenômeno, e assim não só compreender parcialmente a realidade, mas também distorcê-la. Ninguém pode pensar em um instrumento se não souber, de antemão, para que ele serve. Isto quer dizer que de nada adianta analisar os instrumentos processuais, postos nos arts. 461 do CPC e 84 do CDC, sem que se saiba quais são as tutelas que podem ser prestadas através da imposição do fazer ou do não fazer. Para se compreender quais são as tutelas que podem ser prestadas através da imposição de um fazer ou de um não fazer, é imprescindível analisar o plano do direito material, e assim as necessidades de defesa dos vários direitos.
<texto>O direito, para não ser violado, requer tutela inibitória. Mas é necessário perceber, ainda, que a simples violação do direito, ou melhor, a ação ilícita já exaurida que não produziu dano, deve ser reprimida por meio da devida tutela, no caso a tutela jurisdicional de remoção do ilícito. Ademais, é importante constatar que o direito à reparação do dano não pode significar somente direito de exigir soma em dinheiro no valor equivalente ao do dano, mas antes de tudo direito de exigir um fazer, ou seja, direito de exigir a reparação do dano na forma específica. Estas tutelas, além da tutela específica da obrigação contratual inadimplida, podem ser prestadas através dos instrumentos processuais que estão nos arts. 461 do CPC e 84 do CDC. Portanto, não há como ignorar todas estas tutelas, que são absolutamente distintas, e pensar somente em ação voltada à imposição de fazer ou de não fazer. Isto significaria não só desprezo ao direito material, mas a construção de um sistema processual completamente incapaz de levar à crítica dos operadores jurídicos \u2013 diante da baixa potencialidade de criatividade que é inerente a uma construção processual que ignora a sua razão de ser \u2013 tutelas jurisdicionais que sempre foram desconhecidas nos sistemas processuais antigos. Estas tutelas, vitais à efetividade dos direitos, eram desconhecidas nos sistemas antigos em virtude dos meios processuais que neles estavam inseridos. Para descortinar a máxima potencialidade das novas normas processuais, é preciso constatar a que tutelas elas devem responder, e não apenas voltar os olhos para o interior do processo, mediante a análise das formas processuais, como se o direito processual ainda pudesse ser concebido à distância do direito material e da realidade social. 
<texto>É importante sublinhar que as ações destinadas à obtenção destas várias tutelas têm, evidentemente, pressupostos próprios. Com efeito, os pressupostos da ação inibitória não se confundem com aqueles que dizem respeito a uma série de outras tutelas que também encontram instrumentos processuais adequados nos arts. 461 do CPC e 84 do CDC. Ora, confundir tutela inibitória com tutela específica da obrigação contratual inadimplida, ou com tutela ressarcitória na forma específica, apenas pelo fato de encontrarem instrumentos processuais na mesma norma, é, além de ignorar a distinção entre técnica processual e tutela, esquecer que os pressupostos de cada uma destas tutelas são diversos.
<texto>Frise-se que a ação inibitória requer somente a demonstração da ameaça da prática, repetição ou continuação do ilícito, não tendo relação alguma com o dano e com a culpa; a ação de remoção do ilícito, por ter a finalidade de eliminar apenas um ilícito, também nada tem a ver com dano e culpa; já a ação de ressarcimento na forma específica exige a demonstração do dano e, em regra, do elemento subjetivo, objetivando conferir ao lesado a situação que existiria caso o dano não houvesse ocorrido; a ação para o cumprimento da obrigação inadimplida na forma específica, por sua vez, tem relação com o não cumprimento da obrigação contratual.
<texto>O direito material, como já foi dito, possui diversas necessidades. As tutelas são os meios destinados a dar conta destas necessidades. É neste sentido que se diz que os direitos têm necessidade de várias tutelas. Como estas tutelas devem ser prestadas através da jurisdição, é preciso encontrar, no plano do direito processual, técnicas processuais que viabilizem a sua efetiva concessão. Para se pensar em técnicas processuais adequadas, portanto, é imprescindível analisar as necessidades do direito material ou, o que é o mesmo, as várias tutelas do direito material. Somente a partir da compreensão das necessidades do direito material será possível analisar a tarefa que a jurisdição cumpre ao impor um fazer ou um não fazer. Verificando-se as necessidades do direito material, torna-se fácil compreender a finalidade da tutela jurisdicional e, por conseqüência, quais são os seus pressupostos.
<texto>Isto significa que se o doutrinador não pensar nas diversas tutelas do direito material e em seus pressupostos, ele só não poderá verificar se o processo está realmente cumprindo com a sua missão perante o direito material, como ainda não poderá esclarecer, aos operadores do processo, quais são os elementos que devem compor as diferentes ações que servem à tutela das várias situações de direito substancial.
<texto>Sérgio Arenhart, ao partir das características do direito à vida privada, percebeu tudo isto. Eis as suas palavras, publicadas no livro Tutela inibitória da vida privada: \u201cSe o direito é, como dizia Ihering, um interesse juridicamente protegido, em não havendo proteção, difícil crer que ainda permaneça como direito. Imperioso, portanto, buscar no ordenamento processual vigente alguma forma de tutela adequada ao direito à vida privada, até mesmo para se poder afirmar que este direito realmente é tutelado. Para tanto, é necessário identificar o direito objeto de tutela, estabelecer suas características (ao menos aquelas que interessam ao processo que pretende tutelá-lo) e investigar, nos procedimentos colocados à disposição dos atores jurídicos, se há algum mecanismo adequado para protegê-lo\u201d. \ufffd
<texto>Quem pensa unicamente nas formas processuais, e assim somente em \u201cação que permite a imposição de fazer ou de não fazer\u201d e não nas diversas tutelas que podem ser prestadas mediante a imposição de fazer ou de não fazer, além de não conseguir explicar as distintas repercussões da tutela jurisdicional no plano do direito material (o que é fundamental quando se pensa em efetividade do processo), nem sequer pode chegar perto de seus diferentes pressupostos.
<texto>Ora, como não existe somente uma ação para a imposição de fazer ou de não fazer, mas sim várias ações que, mediante a imposição de fazer ou de não fazer, prestam diversas tutelas, é absolutamente imprescindível analisar o que faz parte do ônus da alegação e do ônus da prova em cada uma destas ações.
<texto>Percebendo-se que, conforme a ação, não é preciso alegar e provar determinados fatos, torna-se viável constatar